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janeiro 04, 2008

NEM SEI SE RIA, OU SE CHORE

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Alain Aslan

Regresso ao quotidiano. Às notícias que o não são. Ao parado, paradinho, sempre atrás e macambúzio Portugal. Que amo ainda assim. Ou por ser assim, que nem me entendo neste gostar desvalido. Penam as gentes e encarquilham o escasso sorriso. Regresso ao trabalho. Presumo normalidade. Presumi mal – os funcionários aprumados descompuseram o estar. Pelo início da manhã, já a privação da nicotina estendia braços e debruçava corpos nas janelas. “Não estou a fumar dentro do edifício, pois não?” - Pois não, mas sim, levando à risca o cumprimento do rol de interditos que inaugurou 2008.

Pelas bátegas de chuva e por admoestação zelosa houve fragor no fechar das janelas. E queixas. E fúria incontida. Entram em cena os desenrascas – “Somos uns parvos subservientes que tudo aceitamos sem rebelião!”, “Abaixo a saúde forçada! Qual saúde? Ainda nem é meio-dia e abeiro-me dum colapso.”, “Ou depressão, que se deprimido era o povo, agora ensandece de vez.”, “Cai a pique a produtividade sem a dose de adrenalina mortalhada que emprestava algum alento...”, “Bora lá fazer peditório para construção de um telheiro sobre a porta principal?” E eu pasma. Gente tranquila perdia o nacional-porreirismo à conta de meia dúzia de fumaças. Eu naquela – nem sei se ria, ou se chore pelos idos galhofeiros da malta reunida. Dei por mim apoiando o alevantamento contra a imposição. Quero lá saber da saúde, do novo sinal de adianto cívico! Por quantos diabos havemos de imitar dos maiorais o fácil? Ainda nem sequer convalesço de uns dias de economia pujante - Hermès, Fendi, Balenciaga, Dior, Gucci, Yves Saint Laurent, Valentino, Chanel, mais o resto da tropa fandanga que me revira os olhos servida por cultura e alegria nas ruas -, e tiram-me à má fila a bonomia no local do trabalho? Ora bolas!

Publicado por Teresa C. às janeiro 4, 2008 08:09 AM

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