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janeiro 28, 2008
O “CAFÉ”, “ESPLANADA DA LUZ” OU O PORTO QUE LISBOA IGNORA

Mary Minifie
A parte fácil é a Foz. O odor a maresia nascida das ondas impetuosas. As rochas que terminam os curtos areais. Na esplanada da Luz, os assentos de lona e madeira debruçados sobre o mar. A um metro? Menos de dois, certamente. O sol que o fim da tarde deita. A tepidez que do Inverno anuncia o fim. Do frio e da morrinha. Do verde-negro das folhagens perenes. Dos troncos esquálidos e desarrumados a implorarem poda e renascer. As luzes na marginal. A Haity. Lojas de peles italianas. Diferentes. Acessíveis. Que a Lisboa rival não possui. Lugar de perdição de mouras. Desde há muito, eu.
O outro Porto é feito de teatro e concertos. A Casa da Música deslustrada pela impossibilidade de servir ópera. O São João, sala pequena e digna. Mármores e dourados. O rosa português escurecido. Os assistentes das entradas em veludo grenat. O piano no café. O cocktail do após, abobado por casca-de-ovo e ouro. "O Café" (La bottega del caffè, 1750). A Comédia Dell’arte servida por uma trupe de actores maioritariamente jovens. Revista e desestabilizada por Corsetti, o encenador, "apostado em desocultar as suas pulsões mais secretas, situando-o numa abstracção que dá pelo nome de Veneza, lugar intranquilo agitado por águas que escondem profundidades insondáveis.” E a água espirra sob os pés do oportunista e batoteiro Pandolfo, do indiscreto Don Márcio, o linguarudo local, do Trapaça, que ao nome faz jus, do falso conde Leandro, do impoluto e bem-intencionado Ridolfo, do viciado e trágico Eugénio.
As mulheres são a coragem peregrina, a esposa amante e a bailarina ambiciosa. Mulheres que numa hora e meia são figuras menores. A última hora construindo-as figuras determinantes no desenrolar da acção. Humorada. Amorável. Moralista. Mulheres impondo ao desequilibrado universo masculino valores que o bondoso Rifolfo sustenta.
Na noite mansa, houve o regresso. À intimidade. À benquista doçura. À libertina madrugada.
Publicado por Teresa C. às janeiro 28, 2008 06:06 AM
Comentários
Esta imagem, pintura, é uma das mais sensuais figuras que eu já vi.
O mais incrível nesta imagem é que foi pintada por outra mulher.Das 17 obras que eu encontrei desta incrivel artista americana, apenas esta é de um nu.
Caso alguém se interesse em conhecer mais , este é um link:
http://www.artrenewal.org/asp/database/art.asp?aid=2106&page=1
Sinceramente, ainda estou pasmo diante de tanta sensualidade. E então me lembro que a autora é mulher e a autora do blog também o é (E como o é!)
Será que as mulheres conseguem ver mais 'sensualidade' que os homens?
Beijos Tati.
(Desculpe o devaneio...)
Publicado por: justo às janeiro 31, 2008 03:14 PM
Justo - se desculpo devaneio tão saboroso! Sobre a pergunta que aqui deixa, escreverei amanhã. Beijos, e, please, mande-me o nick de inscrição no sítio que sabemos. ;)
Publicado por: Teresa C. às janeiro 31, 2008 10:23 PM