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janeiro 23, 2008

QUANDO A MORTE DESCE À RUA

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Autor que não foi possível identificar

O “Síndroma da Morte Súbita” mata bebés entre os 0 e os 12 meses de vida e não tem explicação cabal. Supõem os investigadores estar associado à postura da criança durante o sono e/ou a um deficiente funcionamento do tronco cerebral. Normalmente, a morte sobrevem em poucos minutos. Os dois recentes falecimentos de crianças, uma delas presumivelmente devida ao SMS, infectou a chaga aberta pelo encerramento de alguns hospitais e centros de saúde. Os populares das localidades de Anadia e Carregal do Sal entraram numa espiral de irracionalidade compatível com a exacerbação emotiva das multidões.

Não conhecendo em detalhe a realidade de ambas as localidades, sei bastante da cidade beirã que regularmente me acolhe. Possui Centro de Saúde e Hospital. No fora-de-horas-úteis do Centro de Saúde, quem recorre ao hospital, sendo grave o estado clínico, reconhece-lhe a função de empata – no mínimo, uma hora de espera até que o único médico disponível avalie a situação; outro tanto para chegar a única ambulância local, frequentemente ocupada no transporte de doentes para a Guarda.

Pela falta de clínicos especialistas dispostos a fixarem-se no local, decorre, também, a ausência de recursos técnicos. É um logro manter aquele hospital em funcionamento. Fosse a situação convenientemente pensada, testada e explicada, configuro razoável a aceitação popular da substituição dos limitados socorros por outros mais eficazes, conquanto afastados curtas dezenas de quilómetros. A deslocação garantida por ambulâncias em número suficiente, bem equipados humana e tecnicamente. Tudo possível num cenário do qual estivessem arredadas rixas de baixa política, tortuosas e incendiárias dos ânimos mais primários.


CAFÉ DA MANHÃ

No actual plano de formação dos clínicos especialistas, somente alguns, poucos, hospitais garantem especialização condigna dos licenciados em Medicina. Um médico tem, aproximadamente, trinta e um anos no final da formação complementar. Entretanto, constituiu família, comprou habitação e o cônjuge adquiriu a estabilidade profissional possível na região da residência. A deslocação dos especialistas, neste contexto, obriga a estímulos por via da contratação, ou outros (desde há dois anos, alguns foram contemplados), que viabilizem a transferência para regiões carenciadas. Aspecto decisivo a ter conta: ao afastarem-se dos hospitais centrais, os médicos perdem contacto com patologias e técnicas de ponta que, por si só, garantem fatia importante da indispensável e contínua aprendizagem. Muito tem que mudar - uma legislatura não chega e as anteriores pouco ou nada fizeram como prova o estado avançado do cancro na Saúde - para ficarem sarados os profundos males da actual rede de serviços públicos nesta área.

Publicado por Teresa C. às janeiro 23, 2008 06:35 AM

Comentários

Como deve imaginar, Teresa, dada a minha condição consigo ter uma visão muito independente sobre os assuntos correntes do meu país. É sobre localizações de aeroportos, é sobre guerras entre bancos, é sobre as reformas na educação, também as da saúde.
Enfim, para este assunto partilho de uma opinião muito semelhante à sua.
Saúde
James Stuart

Publicado por: james stuart às janeiro 25, 2008 12:31 AM

James Stuart - que bom voltar a ler um comentário seu! O que vai publicando no seu blogue, não perco. Sabe?, quando se trata de questões polémicas como esta, é importante opinião que respeitamos, como a sua. Saber que a minha subjectividade não contamina tanto assim o raciocínio crítico.

Publicado por: Teresa C. às janeiro 25, 2008 12:33 PM

Teresa, o desenho é de Frank Netter, o mais conhecido ilustrador médico dos tempos modernos. Na wikipedia há um bom artigo sobre ele:
http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_H._Netter
e as ilustrações encontram-se bastante disseminadas.
Um abraço,
ABS

Publicado por: ABS às fevereiro 5, 2008 11:31 AM

ABS - grata pela sua ajuda. Vou consultar o link que sugeriu.

Publicado por: Teresa C. às fevereiro 6, 2008 05:22 PM

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