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janeiro 13, 2008
TERESA: FIQUEI TRISTE CONSIGO.

Dorian Cleavenger
“Teresa:
Fiquei triste consigo. Um é incompetente, o outro não passa de agente técnico. Não deve avaliar as pessoas pelo que vestem mas sim pelas verdades que não mostram. Estou admirada como se identifica com esta "GENTE". Não gosto de "tias" nem de "tios". Sou de esquerda mas não da "mentirosa".
(Diatribe de uma comentadora ao texto Alcochete, Armani, Prada e Paris-Dakar)
Décadas passadas sobre a implantação da democracia em Portugal, é lastimoso constatar como os cinquenta anos anteriores ainda hoje expõem consequências profundas no pensar e estar de muitos de nós. A necessidade de antanho de arrumar no bom e no mau as opções dos intelectos, identificar na paleta das cores somente o preto e o branco, na vida em sociedade o sensato e o danado é trágica. Assim espartilhados os pensares, são excluídas as mudanças que entretanto vieram e deveriam traduzir-se pela abertura do leque mental. Exército de preconceitos impede o exercício duma cidadania livre e crítica, interventiva como é suposto, tolerante na sua essência. Mas não. Porque é mais fácil o rótular que reflectir, apaziguam-se as almas com os básicos quadros conceptuais.
Faz ainda sentido falar de esquerda e direita? Salvo nos extremos da bamba corda política, considero ociosa a classificação. Nos momentos eleitorais, são cada vez mais aqueles que optam de acordo com a consciência das suas expectativas e avaliação do até então alcançado. Mostram-se indiferentes às gaiolas partidárias, não se revendo em nenhuma delas. Porém, atentos à conjuntura nacional, não desistem da intervenção cívica através da independência do voto. A maioria silenciosa que a cada eleição ganha mais peso, é, também ela, fonte de ensinamentos que não convém descuidar.
Abandonemos de vez os estereótipos que cada um e todos empobrecem. Por esquerda e direita entendo a lateralidade que de pequeninos nos ensinaram bem como o código fácil do discurso político. Que os espíritos cresçam e adquiram a maioridade de que tanto precisamos.
Publicado por Teresa C. às janeiro 13, 2008 09:40 AM