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fevereiro 07, 2008
A FOZ OU A MADRE DE DEUS

Jack Vettriano
Virga é chuva que o calor aborta. Água que a Terra não bebe e os rios não faz crescer. Promessa vã duma atmosfera com tanto de geniosa como de campanular. E há vidas assim, recolhidas no âmago onde são. O contrário das abertas ao melhor que podem recolher. A Foz ou a Madre de Deus passeadas com as mãos em trança, pernas que se procuram e cadenciam o andar. A rua de Santa Catarina e a Garrett conhecem o desejo pelo teor lânguido dos passos. Porque, acredito, o pisar dos amantes é diferente dos demais e as ruas identificam, por eles luzindo a calçada. Mudas, sabem o calcar solitário, atabalhoado dos petizes, desarmónico nos casais estafados que esgotaram o contar.
Gostar do gostar excessivo. Do tudo ou nada. Ao estar pardo recusar a jornada. Comprar presunto fatiado no tasco da rua esconsa – outra que conhece a mútua compressão das coxas como se lhe fora contado. Faltando canela para a aletria, subir ao Pingo Doce, um beijo por cada lanço de escada. Dois na cozinha entremeando fervuras. Na mesa estendendo aromas e sabores trocados. E o serão desliza na pele nua coberta de música. No filme que fica por ver. Na luz branda coada pelo abajur grenat.
CAFÉ DA MANHÃ
Publicado por Teresa C. às fevereiro 7, 2008 11:20 PM
Comentários
A Rita é brilhante.
Publicado por: Sandro às fevereiro 16, 2008 12:12 AM
Se é meu amigo! Se é...
Publicado por: Teresa C. às fevereiro 18, 2008 08:15 PM