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fevereiro 28, 2008
ATREVIDOS PICANTES

H. Sorayama
Sou mulher de mercados. Extasiam-me enquanto redutos urbanos de cheiros e cores que fantasio rurais. Perco-me na ronda às bancas dos frutos da água, no brilho metálico dos peixes, nos corais ruivos e imperadores. O cheiro a berbigão. A memória do pré-almoço nas sextas-feiras da infância em que sugava das conchas o molusco e recebia, inteiro, o sabor a mar.
Nos mercados procuro a luz coada e os apelos vendedores. Relembro os pregões e as vozes roufenhas causticadas por amanheceres cruelmente andarilhos; as vendedeiras loiras cujas raízes corrigem mentiras e denunciam fafécias na ponta da língua. Recordo pavimentos húmidos, atrevidos picantes dependurados, as tranças das cebolas e dos alhos. Rememoro flores aos molhos com os pés afundados em baldes meios de água e as ramagens para conserto de sonhos perdidos ao emprestarem sentido ao arrumo das corolas numa jarra-testemunha de que nem tudo está perdido.
Mercados – altares da Terra ou meio próximo de abastecer famílias. Por cá, o de Coimbra, o de Loulé e o de Tavira. O mercado da Ribeira. O do Bolhão que sempre troquei pelo namoro de Santa Catarina, também na porta aberta para as madeiras que prometem estórias devassas ali p’ras bandas da Sá da Bandeira. Tenho saudade do Bolhão que não conheço. Sem traça digna de monta, mora ali o simbólico. Sacrossanto lugar do Porto à Porto.
Quatro novos Adoçantes de uma assentada. Homens e mulheres com o coração e o humor nas teclas; como eu gosto. Escritas diversas, uma certeza: boa leitura.
A Ilha de Vidro
Felizes Juntos
Sushileblon
Vodka7
Publicado por Teresa C. às fevereiro 28, 2008 07:58 AM
Comentários
Não gosto de pessoas "que fazem de conta "que não me vem,quando sempre dei o melhor da minha amizade.Não me identifico com pessoas falsas ,e calculistas.
Publicado por: o justiceiro às fevereiro 28, 2008 11:42 AM
Não é que a música saia diminuída mas o tema de Twin Peaks é de Badalamenti.
E não é que, por causa deste detalhe, passei parte da manhâ a ouvir Jean Michel Jarre.
Quanto aos mercados, o da Figueira da Foz (tirando os trapos que às tantas começaram por lá a aparecer) poderia (ao tempo que lá não vou) ser incluido em qualquer roteiro de aromas e sabores.
Publicado por: Joao L às fevereiro 28, 2008 02:54 PM