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fevereiro 16, 2008

COMO CHANTILLY

Jim Warren oldies_bodysurf.jpg
Jim Warren

Após um dia tenebroso, antecipei o regresso a casa. Concedi-me como prémio um banho comme il fault. Montado o cenário com a parafernália de raro em raro usada, desperdicei água até o vapor tudo nublar. Casa ao meu dispor, luz ténue, música num sussurro, velas acesas perfumando a humidade, sumo de laranja ao lado, deslizei voluptuosamente imergindo até ao pescoço.

Já a o espírito vagueava, quando o telefone tocou. Tinha-o esquecido duas divisões à frente. Fingi que não ouvia. Não desistiu. Teimei na surdez. Terceira insistência. Nada! Nem pestanejei. Regressou o silêncio. Pálpebras descidas, adormeci o espírito e despertei os sentidos para os aromas e para o redemoinho da água em cada milímetro da pele.

Tocou a campainha da porta. Rejeitei o incómodo. Insistiu. Também eu. Num repente, abri os olhos e recobrei a lucidez: o técnico, a duras penas arranjado, tinha ficado de vir por essa hora. Na turbulenta saída, derrubei copo e velas que chamuscaram e pingaram de cera verde a brancura do roupão. Abri a porta. Lá estava ele de olhos arregalados como se tivesse visto um ogre. Percebi - a espuma enfeitava-me a cabeça como chantilly em vias de decomposição.

Publicado por Teresa C. às fevereiro 16, 2008 01:15 AM

Comentários

..... e como acabou a "estória", hã?

Publicado por: Minderico às fevereiro 17, 2008 12:02 AM

Conta a lenda que tal técnico não é mais capaz seguer de girar uma chave de fenda sem que solte um suspiro e um gemido...
Afastou-se da vida comunitária. Recolheu-se em orações em um mosteiro beneditino e passa dias e dias ajoelhado sobre o milho, orando e suplicando por uma nova chamada de conserto na casa de Tati.
Seus companheiros de monastério pensam em fazer uma petição sugerindo que se crie leis de proteção ao ténico despreparado para abrir certas portas.
Por outro lado, há noticias que dão conta do aumento bastante acentuado pela procura em cursos noturnos, para técnicos na mesma especialidade do (des)afurtunado.

Publicado por: justo às fevereiro 17, 2008 11:56 AM

Historias bem contadas com finais sempre tristes.
O técnico lambeu o chantilly antes ou depois de arranjar a maquina de lavar a roupa?
Triste o dia de hoje.Se ainda aparecer por aqui um técnico?
Pelos vistos não há meio de arranjar um técnico a tempo inteiro.
Graça

Publicado por: graça maria às fevereiro 17, 2008 02:45 PM

Muito engraçada, a estória. E que grande anti-clímax! :)

Publicado por: Alba às fevereiro 18, 2008 01:39 AM

Graça Maria; Técnico em que área? ( Se me faz o favor!)

Publicado por: justo às fevereiro 18, 2008 03:24 AM

É sempre bom termos alguém que se preocupe connosco, não é Graça?

"Comovente" a sua preocupação com a Teresa C.

Ou será antes o típico sentimento da invejinha portuguesa?

Que post mais ressabiado, meu Deus. Sem classe!

HA HA

Publicado por: minderico às fevereiro 18, 2008 08:08 AM

Minderico - O homem arranjou a máquina e à casa chegou, enfim!, quem faltava para o atender.

Justo - LOL Olhe que pelo aspecto mais parecia o homem ter ficado definitivamente traumatizado. Quer apostar que só ficou emocionalmente sarado do pesadelo pelo qual passou com a ajuda dum «psi»?

Graça Maria - o nick vai tão bem consigo!...

Minderico - E olhe que até sublinhei parecer um ogre (de resto, a mais completa das verdades!). Há graças que graças não entendem e delas fazem as suas(delas) desgraças.

Publicado por: Teresa C. às fevereiro 18, 2008 06:18 PM

Teresa;
Tati em minha mente, jamais , mas jamais, poderia se assemelhar à menos que uma deusa grega. Que seja então Portuguesa, desde que permaneça deusa. Sobre certas pessoas, como a posterior poderá ser lido do tal "gatão" cheio de "tesão", não há conserto que dê jeito. E como dizia meu velho e bom avô: "Aquilo que não tem remédio, remediado esta." Assim é.
Homem algum poderá traumatizar-se diante de desta mulher.
(E não me contradiga, por favor!)
Beijos.
(Isto diverte sim!)

Publicado por: justo às fevereiro 18, 2008 10:09 PM

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