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fevereiro 09, 2008
GEL VERSUS SABONETE, OU O INSONDÁVEL MASCULINO

Roger Payne
Insondáveis mistérios masculinos. Quebra-cabeças planando no entendimento. Com pesos diferentes avaliados pelo assomo recorrente à consciência das mulheres. Porque ociosos, confirmando no gineceu a certeza da simplicidade dos espíritos masculinos. Satisfeitos pela garantia de trabalho adequado à concretização do projecto de vida, de sexo, alimento, liberdade na fruição dos lazeres, roupa lavada e afecto. Por esta ordem. No rol das necessidades fundamentais, bem como no alinhamento daquelas precedências, se distinguem homens e mulheres. Determinadas culturalmente e pelo consequente propósito da diferença biológica – pénis versus vulva.
Intriga-me a opção masculina pelo uso do sabonete ou do gel no duche. Dele fiz case study. Observações empíricas provam que os homens dos cinquenta anos em diante ensaboam-se vigorosamente e revelam cuidado na escolha da barra detergente. Abaixo das cinco décadas, o gel de banho é a opção. Não muda o vigor higiénico e cresce a indiferença pelas características do produto de lavagem.
Concluí que o caso nada tem de enigmático. Estivesse o meu raciocínio disposto a promover a frivolidade a questão meritória, e seria elementar a explicação. Machos jovens por alturas do 25 de Abril apresentam resquícios da diminuta oferta consumista durante a ditadura e dos hábitos espartanos treinados no cumprimento do serviço militar. A par do sabonete, usam ou usaram bigode e/ou barba, putas e slips que as partes moles aconcheguem, evitam os preservativos. Os machos-pós-25-de-Abril cresceram rodeados de maior conforto e com acesso a bens recentes na sociedade portuguesa da época. Usam gel, a face escanhoada, boxers em detrimento das cuecas apertadas, preservativos e raramente se iniciaram sexualmente com putas. No respeito pelo asseio não encontro distinção. Fomos e somos pobrezinhos, porém asseados.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 9, 2008 12:46 PM