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fevereiro 03, 2008
NA INTIMIDADE, UM CENÁRIO

Autor que não foi possível identificar
Um cenário. Um teatro. Um fosso de orquestra. Vazio. Na segunda fila da plateia, uma mão que o fio de luz, sustentado pela poeira, recorta. O braço, o todo que surge. E urge saber por que está ali. Só? O roçagar indicia outra presença. Mais que o som, são os requebros da primeira que denunciam companhia. Uma, duas pernas erguem o ar. Teatro do absurdo? Pois se outro som não há que o do sumido roçagar... Como lograram entrar num teatro vazio? E o vigilante? Pertencer-lhe-á um dos corpos, ou continua no seu posto, talvez adormecido, talvez confiante na modorra do lugar? Peregrinos da noite que das portas conhecem segredos? Espectadores habilidosos decididos a violar a intimidade de um teatro? Impossível. É de defeso o tempo naquele palco. Há poeira nos veludos e nas madeiras. O ouro descarna. Começam a estalar os gessos.
Nenhum dos corpos está visível. Apenas e ainda o roçagar. Suave. Ritmado. Quando as pernas abriam caminho no fio de luz poeirento e um todo surgiu, houvera desacerto no som. Por ora, o compasso nasce do chão atapetado, certamente puído. Encurtam os tempos. Acelera o roçagar. Descendo a caminho do palco, há o perfil do rosto e o recorte de um tronco. Como pêndulo invertido. Louco. Para cá e para lá sem respeitar segundos ou deles os múltiplos. Pendeu para trás o rosto. Depois, o nada. Nem rosto, nem braço, nem pernas. Nem o roçagar. Voltou o silêncio ao teatro. O palco, esse!, movera-se sem o saber.
CAFÉ DA MANHÃ
1. Sem sardinhas, nem espinhas, parece-me consistente a minha reflexão de ontem, como depreendi (mal?) dos escritos destes dois queridos Senhores:
- Eduardo Pitta
- Francisco José Viegas
Publicado por Teresa C. às fevereiro 3, 2008 02:16 AM
Comentários
Ainda podemos ouvir os aplausos quando nos quedamos em êxtase.
E era o primeiro dia da semana...
Publicado por: justo às fevereiro 3, 2008 12:46 PM
Justo - Obrigada pelo destaque que este escrito lhe mereceu. Diria que sobre a encenação dos afectos temos pontos de vista semelhantes. Melhor: sei que temos, o que empresta mais graça a esta volatilidade em que parecemos e somos.
Publicado por: Teresa C. às fevereiro 6, 2008 01:57 PM
Vou fazer um por bimestre...
http://olhoseternos.blogspot.com/2008/02/blog-sem-pnis-nem-inveja-imperdvel.html
Publicado por: Justo às fevereiro 7, 2008 12:53 PM