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fevereiro 19, 2008
O FACTOR SPAC NO KOSOVO

Autor que não foi possível identificar
SPAC – Salto Para A Cueca. Este foi o entendimento do Miguel Esteves Cardoso acerca dos amigos que fielmente acompanham a vida de algumas mulheres. Amigos do coração, que do peito não ficaria bem referir por remeter para substantivos atributos dispensáveis nas amizades. E temos, juramos que sim, homens que nada esperam de nós, salvo afecto e ombro disponíveis para momentos maus e bons. Irrepreensível o histórico da relação quanto a ousadias malqueridas – nunca meteram a mudança do automóvel alargando o ângulo do gesto, ou detiveram os lábios na nossa face mais do que a fracção mínima compatível com o beijo social. Abraços, sim!, mas comedidos e reservados a momentos de intensa comoção pela saudade, tragédia ou ventura inusitada. Gestos e fala imaculados de qualquer dúbia intenção. Isto (re)contamos nós. Palavras desacreditadas pelos homens exteriores a estes afectos “limpos”. Que não, que somos tontas, ou dissimuladas, o que é pior. Que um homem não põe entre parêntesis a tensão erótica somente por a mulher o integrar no círculo restrito das masculinas excelências infodíveis. Que se é ou parece inocente, a excelência amiga tenderá para o completo deboche ao nosso primeiro deslize. A inevitabilidade do SPAC que a cumplicidade entretecida favorece. Perante este discurso redutor, bradamos contra o machismo subjacente. Trazemos à colação o Pedro mais o Mário - incapazes, sim!, de mal entenderem a displicência de um gesto para outros equívoco.
Dum nicho luxuoso da Tanzânia – peles de animais em vias de extinção como tapetes, chifres pujantes sobrando de cabeças embalsamadas - George Bush apoiou a independência do Kosovo. A UE entra na jogada como penitente ao enviar, para garante dum Estado de direito, 2.000 especialistas, polícias, juízes e burocratas eficazes. Belgrado e a madrinha Rússia declararam a medida ilegal. Entre os 27, existem dissidências de peso na decisão - a Espanha, o Chipre, a Grécia, a Bulgária, a Eslováquia e a Roménia temem as divisões internas e a retoma guerrilheira no novo Estado. Se a história de um povo sofredor indubitavelmente merece mãos e ombros amigos, o imediato apoio dos Estados Unidos à independência do Kosovo, desde que supervisionada internacionalmente, traz-me à lembrança o factor SPAC. Doudice minha, pela certa.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 19, 2008 12:11 AM
Comentários
tem toda a razão- "dividir para conquistar" sempre foi um bom mau lema.
Publicado por: bizé às fevereiro 19, 2008 09:54 PM
polícias, juízes
"dissidências (...) à"?
Publicado por: D. às fevereiro 19, 2008 10:12 PM
"Burocratas eficazes" Isto gostava eu de ver.
Esta posição norte americana fez-me pensar numa outra coisa... Se os índios americanos ainda fossem uma minoria poderosa, reínvidicativa e separatista será que este apoio ao Kosoco tinha existido?
Mas belo paralelismo sim senhora... E para quando um compêndio de colunas do MEC??
Publicado por: NM às fevereiro 20, 2008 02:50 AM
Bizé- bom-mau-lema que resulta...
D. - hoje excedi-me! Em cada dia, uma surpresa. Obrigada.
NM - "Se os índios americanos ainda fossem uma minoria poderosa, reínvidicativa e separatista será que este apoio ao Kosovo tinha existido?" -
Estou em crer que sim! O despudor não tem medidas, fronteiras ou conjunturas. Um "Deus nos acuda!"
Essa de organizar em compêndio as colunas do MEC seria um achado e êxito editorial, dou por certo.
Publicado por: Teresa C. às fevereiro 20, 2008 06:39 PM