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fevereiro 21, 2008

TODA A INOCÊNCIA É IMPUDICA

Bruno Di Maio 9.jpg
Bruno Di Maio

Pudor – recato, pejo, discrição, pundonor; sentimento de vergonha ou mal-estar em relação à nudez ou à sexualidade. Definição que remete para a subjectividade do sentimento de vergonha. Nas tribos que habitam zonas húmidas e quentes, é dissimulado o estritamente sexual, mediante uma simples faixa. Querendo a mulher provocar um homem, cobre o peito. Intuitivamente, e pela diferença, respeita as leis da atracção - do que não é visto, mas imaginado e constituído objecto de desejo, decorre o perturbador. Nas sociedades «vestidas», o simbólico na nudez é comumente oposto - destaca "disponibilidade" para o sexo. Diversa a linha que separa a pessoa-alma-e-corpo do impudor que noutrem suscita a leitura de simples objecto sexual, por isso animal. Também na percepção do pudor e do impudor diferem os sexos. O homem reage de modo automático, perante os dotes físicos femininos. Habitualmente, a mulher não experimenta atracção imediata perante o corpo masculino.

"O pudor é uma provocação sexual. A verdadeira inocência é impudica".
F. Orestano

" O cinismo é a única forma sob a qual as almas vulgares se aproximam do que seja a honestidade; e o homem superior terá os ouvidos atentos para todo o cinismo grosseiro ou subtil e se felicitará toda vez que um bufão sem pudor ou sátiro da ciência prosear diante dele".
Friedrich Nietzsche

"A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia."
Fernando Pessoa

Sobre o pudor e o seu contrário, evoquei Orestano, Nietzsche e Pessoa pela harmonia com a modéstia do meu pensar. Revejo-me no pudor dum corpo nu onde a alma verte exaltação que, com lealdade, à pessoa regozije ou dignifique.

Publicado por Teresa C. às fevereiro 21, 2008 12:37 AM

Comentários

"A verdadeira inocência é impudica."
Não sei se é, talvez seja; mas sei que 'impudica' está bem aqui, sem acento. No título do post, não está bem.
A citação de Nietzsche em 'brasileiro' soa-me feia.

Publicado por: D. às fevereiro 21, 2008 05:56 PM

Do nunca a expressão e com esta o voto tardio, mas sincero, de um ano bem regado para a autora.

Da carne a sensibilidade e da alma o bom senso... Em ambos, prevalece a beleza feminina.

Se me permite a adenda, citarei Mário Cesariny:

«(...)Não digas nada/ Sê alma do corpo nu/ Que do espelho se vê.»

Para texto completo, a ousadia do link:
http://blogadinhadosvirtuais.blogs.sapo.pt/2861.html

Soube bem o regresso.
Até à próxima!

Publicado por: Blogadinha às fevereiro 21, 2008 06:08 PM

Estava a ver...Esta é uma ruiva "autêntica"
Ulalá!

Publicado por: justo às fevereiro 23, 2008 08:01 PM

Justo - na mouche, caríssimo! ;)

Publicado por: Teresa C. às fevereiro 25, 2008 10:23 AM

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