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fevereiro 12, 2008
OLHO-POR-OLHO, DENTE-POR-DENTE

Chris Achileos
Há povos culturalmente guerreiros. Relutantes na aceitação de sensos diferentes. Se entre os muçulmanos é comum, o povo timorense prova o mesmo. As gerações mais velhas de Timor conciliam a doce nostalgia pelos colonizadores que nem o souberam ser com o espírito aguerrido do olho-por-olho, dente-por-dente. A mistura de sangues e de genes é caldo ebuliente. Porque pobres e abandonados por um Portugal distante que naquele povo instalou o síndroma duma malquista orfandade? Pobres-ricos por via do petróleo que faz de Timor um sem-abrigo que a sorte abonou com a valiosa herança de um parente, sem que o potencial ricaço saiba o que fazer do súbito giro da fortuna. Cobiçado desvio pelos vizinhos gigantes que sobre o ouro líquido volteiam, quais moscas à volta de um pote de mel.
Nelson Mandela, Ramos-Horta e Xanana Gusmão são os últimos líderes pacifistas nascidos no colonialismo. Souberam reverter em sábio amor pela paz os próprios sofrimentos, desilusões e clausuras. Comoveram o mundo. Assistiram a magníficas ondas solidárias para com o povo cuja dor simbolizavam. Que é feito delas, salvo a traduzida nos militares estrangeiros que as discórdias policiam? Copiaram a democracia, a constituição, o sistema judicial. Insustentável enquanto país organizado e respeitador das instituições e dos seus símbolos, Timor vive um faz-de-conta. E amo Timor sem nunca lá ter estado. Não com o afecto condescendente por alguns reservado aos desfavorecidos. Amo o povo pela simplicidade do ser.
Publicado por Teresa C. às fevereiro 12, 2008 12:01 AM
Comentários
não terá remédio este nosso mundo?
Publicado por: ddivinal às fevereiro 12, 2008 05:26 PM
Claro que não terá remédio... ou antes, sempre esteve (mal p'ra uns, bem p'ra outros) remediado.
Ainda duvido se vale a pena ajudar, intervindo em pequena escala, quando os fortes invadem à grande para se aproveitarem do que mais lhes interessa.
É a vida... (morte)
Publicado por: Sem-Fúcio às fevereiro 12, 2008 10:41 PM
DDivinal - Tem o remédio que lhe quisermos dar. Tarefa de todos, não de alguns.
Sem-Fúcio - Sábias palavras. A despropósito: essa sua falta de fúcio faz-me impressão, que quer?!...
Publicado por: Teresa C. às fevereiro 13, 2008 11:49 PM