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março 04, 2008
À PROPOS SARKOZY

Os franceses que me perdoem, mas têm um presidente em partes iguais trengo e desmiolado. Antes e durante a prolongada lua-de-mel, por ora em romântica viagem pela África do Sul, a França sente-se órfã. Um homem cujo senso duvidoso acumula com a natural sandice da paixão não serve para dirigir um quiosque, quanto mais um país que a si próprio coloca nos píncaros da lua. À propos - como saberiam os antigos que a lua tinha montanhas agulhadas se dela pouca notícia possuíam? Aparte o carrego de silvas que um desgraçado por lá transportava, e o dito de permanecer intacto o queijo lunar aguardando a dentada do primeiro homem fiel na Terra, era escasso o conhecimento.
Quando o camembert aumenta quarenta por cento, o povo francês treme. Cartesiano após o mal feito, conclui que fez borrada. Passa do queijo para a carestia geral. Somente depois, repara na imigração dos jovens que, concluído o bac, a universidade excluiu e procuram abrigo sob a stars & stripes. Na exposição patente na Câmara de Cergy, a imigração é o mote. Pouco realçado o emigrante português que nas décadas de sessenta e setenta engordou a economia francesa à custa da mão-de-obra barata e da miséria dos bidonvilles. Talvez porque bem integrada, a comunidade que daqui para lá abalou não tenha merecido realce.
No final da exposição, é encenada a leitura das cartas enviadas da América pelo homem que, por via delas, remenda saudades da companheira que deixou em França. Quer saber novas da família, como vai na escola o petiz e se está agreste o Inverno. Pede o envio de produtos da terra - um camembert, porque não? – e queixa-se da rudeza diária. Cópia fiel do acontecido em Portugal, que nesta inesperada versão Resnais não descuidaria. Quem diria que a galinha-dos-ovos-de-ouro para os, mais cerca, expulsos pela má sina dos respectivos países de origem, acabaria a exportar gauleses como quem despacha queijos?
Publicado por Teresa C. às março 4, 2008 08:14 AM