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março 19, 2008

AMAR SEM CALENDÁRIO

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Janice Huse

Nos calendários foram estabelecidos dias para solenizar isto e mais aquilo. Só em Março há catorze – a 8 foi dia da Mulher, no dia 15 o do Consumidor, 19 celebra a paternidade, a 20 dá o mote a Agricultura, a 21 a Floresta e a 22 a Água; o dia 23 é está por conta da Meteorologia, a 24 competem Estudantes e a Tuberculose; o Livro Português é lembrado a 26, no dia 27 foi acordado ir ao teatro e dar sangue, a 28 reverenciar a Juventude. Acrescendo Sexta-feira Santa, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa, quase metade do corrente mês está ocupado. E nem são contabilizadas efemérides do mundo ou nacionais – a 6 de Março de 1992 morreu Maria Helena Vieira da Silva, a 11 ocorreu o atentado na Atocha e engoliu a primeira golfada de ar Camilo Castelo Branco. No dia 14, o mesmo aconteceu com Einstein. “Arthur C. Clarke morreu ontem, dia 18, em Colombo, no Sri Lanka”. Bem contadas as comemorações, de Março não resta dia vago.

Salvo coleccionadores que trocam selos, moedas, pacotes de açúcar e caixas de fósforos por dias especiais, a poucos importa a entronização do amanhecer. É ainda e sempre a implacável rotina que espera as gentes ensonadas. Como soe dizer a vox populi, “É Natal quando o homem quiser”. Os sentimentos demarcam-se da rigidez dos calendários. Hoje, Dia do Pai, é exaltado o simbólico da paternidade. Desenhos infantis prenhes de ternura ou um beijo ou um sentido “amo-te, pai” são indiferentes ao dia estipulado no ano civil. E mal vão aqueles cuja necessidade de exprimir em gestos os amores e as emoções somente ocorre quando o alerta do telefone toca. Afectos assim, não obrigada.

CAFÉ DA MANHÃ

Desde hoje, nas livrarias, o “Enigma da Praia da Luz” escrito pelo Frederico Duarte Carvalho. Cinco perguntas ao autor e outras tantas respostas.

O Enigma da Praia da Luz é uma ficção baseada no caso Madeleine McCann ou é o caso Madeleine McCann contado debaixo da capa da ficção?
Frederico Duarte Carvalho – Não posso negar uma evidência, mas esta é claramente uma ficção baseada em factos reais que, enquanto jornalista, tive a oportunidade de investigar durante o ano passado na Praia da Luz, Algarve. Não estou a criar nada de novo.

Como assim?
F.D.C. – Lembro-me, por exemplo, de António Tabucchi que ficcionou a história da morte na esquadra de Sacavém no livro A Cabeça Perdida de Damasceno Monteiro. É importante fixar certos casos mediáticos através de uma ficção e este livro preenche essa necessidade.

Porquê uma ficção em vez de um livro jornalístico?
F.D.C – Porque o caso ainda está aberto e não é possível chegar a uma conclusão. Mas, através de uma ficção, apresento uma história com princípio, meio e fim. Não posso adiantar muito sobre o enredo, mas revelo já que, no final, há uma criança que aparece.

Este caso é extremamente mediático e sensível. Está consciente dos riscos públicos de explorar o drama dos pais de Madeleine McCann?
F.D.C. – Como jornalista estou de consciência tranquila, pois sei que fiz o meu trabalho para que fosse encontrada uma solução em relação ao drama dos pais. Aliás, foi graças ao trabalho e ao esforço de jornalistas como eu que os pais puderam contar com a divulgação dos seus apelos em todo o mundo e beneficiar de avultados apoios financeiros para a busca da criança. E, obviamente, nunca me passou pela cabeça dizer que os McCann exploraram os jornalistas.

Teme poder vir a ser processado pelos pais de Madeleine?
F.D.C. – Sei que os pais decidiram processar alguns jornais ingleses e isso fez com que o caso perdesse impacto público. O livro é uma ficção e fala de factos que todos nós conhecemos dos jornais, mas apresenta uma história centrada na investigação de um jornalista e da sua companheira. Tenho a certeza que, tanto os leitores, como os pais de Madeleine McCann, irão perceber muito bem o que se passou.

Publicado por Teresa C. às março 19, 2008 12:13 PM