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março 20, 2008

ALFINETAR O OBTIDO

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Antonella Cinelli

Especialistas defendem existir um amante de referência no psiquismo feminino. Alguém, convenientemente idealizado, que adivinha gostos, desejos, fantasias torcidas, sonhos e pulsar físico. Personagem que existiu de facto e foi depurada de mazelas, ou é mera elaboração psíquica. Em qualquer dos casos, competente na inspiração e no consolo. Porque virtual e realidade não combinam satisfatoriamente, sobrevem a inquietação. A dúvida. O desejo de alfinetar o obtido. A evocação recorrente do mesmo homem para a mesma coisa como pretexto para o dito cínico de ser precisamente essa a serventia dos maridos.

Estando a mulher em regime de facto ou de legítima parceria afectiva, é aconselhado como terapia para o terrível (tramado?) padecimento a escolha de um amante inábil e descartável. Dos argumentos razoavelmente convincentes, o primeiro é ético: quando comparado com o legítimo, este adquire fulgor dobrado. O segundo é conjuntural: os maus amantes abundam e são, paradoxalmente, muito bem sucedidos. Facto que por si catalisa positivamente a adrenalina e, por via dela, o desejo.

Descreio do remédio; porém, quando sexólogos credenciados o aconselham, quem aviar a receita pode sempre rebater - em vez de cometimento adúltero segue, à risca, uma terapia.

CAFÉ DA MANHÃ
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Cronistas do PNETmulher:
Ana Anes, Marta Botelho e Célia Bernardo.
Paula Capaz, Rita Barata Silvério e Sofia Vieira.

Publicado por Teresa C. às março 20, 2008 09:13 AM