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março 31, 2008

ANTES INFELIZ QUE IDIOTA

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Tim O'Brien

Na estatística social é de louvar a tentativa da converter em números realidades, opções e sentimentos. O entendimento da felicidade é um deles. Doutos conceitos há muitos. O mais simples remete para a figura romântica do "bom selvagem", nascido no século XVIII pelo filosofar iluminado de Rousseau. Pertence-lhe o enunciado da bondade original do homem que a sociedade corrompe. Na vida privada, o pensador foi descrito como um malvado, hipócrita, conflituoso e arrogante. Um infeliz. Qual o enquadramento que o terá corrompido? A história não responde e vem, lesta, a conclusão do “bom selvagem” ser um mito.

Indagada a felicidade dos cidadãos de muitos países, a estatística definiu o ranking. Nos dez primeiros, o povo da Colômbia, conflagrado por uma guerra civil e pelo narcotráfico, e o de Cuba, oprimido pela herança da ditadura geriátrica de Fidel Castro. Elaborado, o perfil das pessoas felizes, concluiu: normalmente são casadas, cultivam muitas amizades e têm vida social atarefada. Como a maioria dos humanos não atende ao retrato, tem registo no catálogo da infelicidade do catálogo.

Não há números que contornem a abstracção do conceito. Viver isento de contratempos como sinónimo de felicidade adia o sentimento para o paraíso religioso. Para o Além das nuvens fofas onde S. Pedro apascenta os mortos bons. Quem o conceito entende como manta de momentos felizes, tem-nos por efeitos colaterais positivos da vida. Arrebanha os que pode. Deles cuida como bem mimoso que à mínima distracção definha. Existindo o sujeito descrito no perfil ideal dos manuais de busca da felicidade, quem o invejaria? Ninguém em lúcido estado de vigília. A estatística que me perdoe, mas antes infeliz que rematada idiota.

CAFÉ DA MANHÃ


Inauguro aqui a semana. ”Das Pontes Ao Pato Donald” - "Laços de betão, pedra ou madeira. Pontes. Histórias. (...)"


Crónica do Mauro Castro: "O retrovisor por Testemunha" - Duas mulheres me fizeram sinal e eu parei. Elas sentaram no banco de trás e deram o destino (...)

Um presente no qual sinto todo o carinho e generosidade de um Amigo. Belíssimo como sempre!

Publicado por Teresa C. às março 31, 2008 08:35 AM