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março 14, 2008
DEPOIS DE MODGLIANI

Era de tarde e havia jazz. “Basílio y Valentin”. “All of me”. Swing nos requebros de quem o violino tocava na margem do Prado. Mais do meio domingueiro numa Madrid de movida ali parada em fila. À frente, a entrada para El Greco, Vélazquez e Goya, Caravaggio e Tiziano. No «R», Rafael, Rubens Rembrandt. Destes e doutros mestres a cor e as formas que abandonam as telas por via da perspectiva e do branco rompendo velaturas. A luz coada num entardecer tranquilo. Gentes nativas e estrangeiras desciam com vagaroso deleite o Paseo. Ostensiva a Espanha multicultural pela própria diversidade de povos e pela miscelânea das raças que a demandam na certeza do vigor económico. A América Latina no metro e ao balcão de estabelecimentos menores. Fazedores de riqueza que a Espanha legalizou e privilegia no acesso à saúde e à educação* – as fogueiras de Paris e os incêndios dos excluídos da sociedade francesa são o fantasma maior. Os autóctones remetidos para sistemas privados. E nesta fractura foi centrada a campanha eleitoral: um Zapatero disposto à integração por quaisquer custos e meios, em oposição a um Rajoy xenófobo e nacionalista. Porém, durando o jazz e a luz do dia, era de namoro e passeio o tempo dos madrilenos.
Ao nascer da noite, entre tapas e vozear, por cada golo duma caña ou de vino español a ansiedade crescia. Alcatrão vazio, reinava su majestad la televisón. E os sorrisos enformados nos outdoors da defunta campanha adquiriam o sentido de esgares cobiçosos. O Poder – entidade com rosto mutante. Ali e no mundo post Adão e Eva.
(*) Nota – ler crónica da Rita no PNET Mulher.

Publicado por Teresa C. às março 14, 2008 12:45 PM
Comentários
Bom fim de semana Tati...
Beijos...
Publicado por: justo às março 15, 2008 02:35 AM
Outro para si, meu amigo.
Publicado por: Teresa C. às março 17, 2008 10:47 PM