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março 11, 2008

DOS «AJUNTADORES»

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Kath Birch

Ouvir a mesma canção. No entendimento dos corpos que coreografam a melodia, são enlaçados espíritos. Entre as pontas da distância, firme o nó que a espinha de cimento, ribeirinha, testemunhou. Porque é (des)favor do acaso cruzar geografias. Mapas de memórias. Cicatrizes. Projectos (sonhos?) intocados no tempo maduro. Olhando a sinuosa estrada percorrida, a parte melhor. O andado como aproximação do horizonte que as cinzas não toldaram. Invisível para os demais. Canção excelsa quando arrepia e comove e recolhe dois.

Colecções de medalhas. Há quem nelas empenhe bens, lazeres e entrega. As catalogue e arrume por data, autor e nobreza da matéria. Revelada com indisfarçado orgulho. Da mostra, as peças menores amontoe num canto escuro - ocultas, não deslutrem ou questionem a sabedoria do coleccionador. As dores e alegrias, o passado e o presente, o excelso e o lodo constituem a numismática das vidas. Desprezar lances do histórico individual que não glorifiquem a persona exibida é fingimento. Medalha enferrujada sem préstimo ou valor, que, num descuido, cai do oculto para onde foi remetida pela arrogante banalidade do «ajuntador».


CAFÉ DA MANHÃ

Cobardia Oculta – Célia Bernardo
A escrita do António Eça de Queiroz
Quando eles admitem:
“Anos a fio a ouvir histórias de amores e é sempre a mesma coisa: elas querem tudo, eles só querem uma coisa. Se há um amor feminino, ele é uma mancha de óleo no mar do norte. Elas querem filhos, carinho, segurança, dinheiro, diversão. É um amor adulto, total, absoluto. Se existe um amor masculino, ele enrola-se na posse. O corpo delas, evidentemente, mas também a cabeça. O ciúme masculino é sempre um adiantamento que a imaginação faz ao lençol. Mas esgota-se quando chega o novo catálogo. É um amor igual ao que as mulheres têm por um par de sapatos novos.”

Publicado por Teresa C. às março 11, 2008 12:26 AM

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