« NA OBSCURIDADE DO CAMAROTE | Entrada | UMA PRETZEL E UM CAFÉ »
março 29, 2008
DOS «AJUNTADORES»

Kath Birch
Ouvir a mesma canção. No entendimento dos corpos que coreografam a melodia, são enlaçados espíritos. Entre as pontas da distância, firme o nó que a espinha de cimento, ribeirinha, testemunhou. Porque é favor do acaso cruzar geografias. Mapas de memórias. Cicatrizes. Projectos (sonhos?) intocados no tempo maduro. Olhando a sinuosa estrada percorrida, a parte melhor. O andado como aproximação do horizonte que as cinzas não toldaram. Invisível para os demais. Canção excelsa quando arrepia e comove e recolhe dois.
Colecções de medalhas. Há quem nelas empenhe bens, lazeres e entrega. As catalogue e arrume por data, autor e nobreza da matéria. Revele com indisfarçado orgulho. Da mostra, as peças menores amontoe num canto escuro - ocultas, não deslutrem ou questionem a sabedoria do coleccionador. As dores e alegrias, o passado e o presente, o excelso e o lodo constituem a numismática das vidas. Desprezar lances do histórico individual que não glorifiquem a persona exibida é fingimento. Medalha enferrujada sem préstimo ou valor, que, num descuido, cai do oculto para onde foi remetida pela arrogante banalidade do «ajuntador».
Publicado por Teresa C. às março 29, 2008 10:00 AM