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março 29, 2008

DOS «AJUNTADORES»

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Kath Birch

Ouvir a mesma canção. No entendimento dos corpos que coreografam a melodia, são enlaçados espíritos. Entre as pontas da distância, firme o nó que a espinha de cimento, ribeirinha, testemunhou. Porque é favor do acaso cruzar geografias. Mapas de memórias. Cicatrizes. Projectos (sonhos?) intocados no tempo maduro. Olhando a sinuosa estrada percorrida, a parte melhor. O andado como aproximação do horizonte que as cinzas não toldaram. Invisível para os demais. Canção excelsa quando arrepia e comove e recolhe dois.

Colecções de medalhas. Há quem nelas empenhe bens, lazeres e entrega. As catalogue e arrume por data, autor e nobreza da matéria. Revele com indisfarçado orgulho. Da mostra, as peças menores amontoe num canto escuro - ocultas, não deslutrem ou questionem a sabedoria do coleccionador. As dores e alegrias, o passado e o presente, o excelso e o lodo constituem a numismática das vidas. Desprezar lances do histórico individual que não glorifiquem a persona exibida é fingimento. Medalha enferrujada sem préstimo ou valor, que, num descuido, cai do oculto para onde foi remetida pela arrogante banalidade do «ajuntador».


CAFÉ DA MANHÃ

"Cobardia Oculta" – Célia Bernardo
"Culto selvagem" - António Eça de Queiroz
"O cinema dele, a minha vida" - Manuel S. Fonseca


Quando eles admitem: (...)Se existe um amor masculino, ele enrola-se na posse. O corpo delas, evidentemente, mas também a cabeça. O ciúme masculino é sempre um adiantamento que a imaginação faz ao lençol. Mas esgota-se quando chega o novo catálogo. É um amor igual ao que as mulheres têm por um par de sapatos novos.”

Publicado por Teresa C. às março 29, 2008 10:00 AM