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março 21, 2008

LAVAR CULPAS

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Autor que não foi possível identificar

Não é lícito comer carne. “Ao menos uma vez”, pela Páscoa, é obrigatória a confissão. A comparência nas celebrações penitenciais desta Sexta Santa dilui a culpa das infracções cometidas nos restantes dias do calendário gregoriano. Na paz de um templo católico, é certo o perdão colectivo; individual a todos aqueles que no genuflexório de um confessionário desfiarem pecados e pecadilhos. Do sacerdote embiocado por detrás de pesadas cortinas e locutório de madeira rendilhada, é quase certa a absolvição. Banho de almas que dali saem imaculadas se os cérebros à cata de redenção e os corpos ajoelhados cumprirem penitências – duas ou três Avé-Marias, o eventual Pai Nosso. As contas do rosário como lixívia para culpas maiores.

Neste dia, os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo. Pelo mundo, são diversos os ritos que o mesmo celebram. Nas Filipinas, conquanto o Vaticano condene, exaltados crentes recriam a crucificação de Cristo. Fazem-se pregar em cruzes erguidas no monte Cutud. Sangue, muito sangue e dor para gáudio da população. Espectáculo sem bilhete para um público mais ululante do que crente. Dos crucificados, alguns são repetentes - uma tal Amparo insistiu até à décima quinta crucificação. Os gritos “Dói, dói!” e “Perdoa-me senhor, perdoa-me senhor” são partilhados por aqueles que se chicoteiam ou cortam com vidros. Actos violentos e fanáticos julgados exclusivos do Islão.

Para quem da lavagem oficial das culpas não cuida, é fácil e não causa dano recitar o acto de contrição. Versão simples para os impacientes, completa para os minuciosos.

Acto de contrição (simples)

Meu Deus, porque sois tão bom,
tenho muita pena de Vos ter ofendido.
Ajudai-me a não tornar a pecar.

Acto de contrição (completo)

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido e, com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Ámen.

CAFÉ DA MANHÃ
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Cronistas do PNET Homem:
António Costa Santos, António Eça de Queiroz, Carlos Amaral Dias e Manuel S. Fonseca.
Mauro Castro, Paulo Simões Mendes e Rui Pelejão.

Publicado por Teresa C. às março 21, 2008 11:40 AM