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março 07, 2008
MORGADINHAS, CLARAS E JOSÉS DAS DORNAS

Rob Gonsalves
País de capelas e capelinhas. Dispersas por colinas, com o inevitável adro que anualmente acolhe devotos do santo padroeiro. Destacadas do arvoredo que as enquadram pela brancura da cal ou pelo telhado bicudo encimado por uma cruz. Modesto o sino, opcional o cata-vento. Comuns as mesas e bancos toscos para satisfação dos romeiros que, estafados pelas rezas e cumprimento das promessas, estendem virtualhas para saciarem a fome do corpo e matarem saudades piqueniqueiras.
País de atávicos bucolismos. De Morgadinhas e Claras e Margaridas, de Josés das Dornas e de (des)irmanados Danieis e Pedros. De corporativismos pequeninos. De umbigos desmedidos e mal sarados mais parecendo cicatrizes do acto de nascer. De pulmões ressentidos por não terem engolido abundante golfada do primeiro ar respirado. De gritos débeis somente ganhando força a coberto de multidões uivantes. De matrizes pessoais ressabiadas e tristes. De macambúzio e penoso modo de vida. Por isso culpando os outros, o governo, o país e o mundo daquilo que não souberam construir.
Publicado por Teresa C. às março 7, 2008 01:40 PM