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março 28, 2008
NA OBSCURIDADE DO CAMAROTE

Mark Keller
O dia era do Teatro e foi no São Luiz que a voz subiu ao palco. Com ela uma guitarra, a viola portuguesa e um baixo. Casa cheia de amigos e amigos dos amigos que amigos são. Mafalda Arnault, porque dona da voz, anfitriã. O fado. Lisboa, de novo, menina e moça. Sumidas as luzes e os flashes fotógrafos, o São Luiz foi templo de beleza que os veludos e dourados ofuscou. Na obscuridade do camarote central, foi tempo de arrepio emotivo determinado pelo exaltação estética. De harmonia com o trascendente ao alcance dos humanos. No caso, mulher. Corpo de junco, gestos em pas de deux com o etéreo. Primeiro, foram rainhas as costas desnudas pelo Nuno que, gentilmente, se lembra de mim. Após exclusivo e deleitoso conjugar dos músicos, resplandeceu o peito domado pela voz. Em fundo, tira esguia de ilusões floridas. Inesquecível, também, “La Boheme” em fado reolhido. Como a “Maria” rezada no encore. Foi o sublime que subiu ao palco do São Luiz. Da subjectiva apreciação, devo metade à companhia. E reconheço, amigo: o São Luiz peca pela ausência de cabides na antecâmara dos camarotes.
Publicado por Teresa C. às março 28, 2008 08:35 AM