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março 15, 2008
QUANDO O DESAMOR ACONTECE


Igor Mipovaj
O fastio, seja pelo hábito ou pela obrigação, mata um amor. Aconteceu-me com toda a Espanha, Madrid em particular. O necessário para a escola no Corte Inglés e nos Preciados foi recorrente objectivo de romarias, lambuzado por recolhimentos em catedrais e museus. A gaiata que fui esgotou a paciência nos inúmeros Setembros dealbados entre Vilar Formoso e a Guardia Civil de Ciudad Rodrigo. Naquele tempo de férias, às curvas e ao desleixo do reles caminho para Lisboa era preferível esticar o motor até Madrid. Passado o apaixonado deslumbre pelo estranho que o espírito provinciano julga superior ao nacional, retive flashes de mulheres donairosas e insuportáveis calores. Na maioridade, divorciei-me de nuestros hermanos e confinei ao avião as travessias da Ibéria. Por uma vez ensaiada a reconciliação terrestre. Engano modelar.
Entre o lembrado e o presente, cresceu a sedução cultural de Madrid. Viajando pelas catacumbas ou percorrendo a superfície, não despegam as motivações para a leitura e para as artes em geral. No metro, os deliciosos textos afixados entretêm a distância. Nas ruas pontificam esculturas, ecrãs gigantes divulgando exposições, música ou dança. E o povo atenta e engrossa as filas de entrada nos museus. E lê nos tremeliques metropolitanos ou em assentos dispersos nas bordas ajardinadas. E passeia e goza a sua cidade. Herança do império e dos moinhos de vento, Madrid (re)construiu-se como lugar de utopia e elevação. Atocha prova-o nas vidraças que o metal engrinalda e no exotismo húmido das folhagens.

Publicado por Teresa C. às março 15, 2008 08:19 PM
Comentários
Mais um capítulo delicioso destas crónicas de viagens. :)
Publicado por: Alba às março 16, 2008 02:07 AM
Obrigada pelo seu comentário cuja verdade sinto. :)
Publicado por: Teresa C. às março 17, 2008 10:45 PM