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abril 13, 2008

CABELEIREIRO DE BAIRRO

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Steve Rosendale

Cabeleireiro de bairro é serviço público eficiente. Sem empatas, formulários, atendimento azedo ou senhas onde figure o noventa e oito quando o monitor afiança estar a ser aviado o setenta. É como Centro de Saúde com horário prolongado, mas para melhor – podemos entrar doentes, mas saímos, se não curadas, no mínimo, anestesiadas. O mesmo não é possível dizer dos consultórios médicos ou dos serviços de saúde, seja pela recibo gatuno ou pelo tempo de espera, não estando a morte eminente. Gabinete de psi também fica a perder na comparação - bastas vezes, os clientes saem com os olhos inchados pelo choro, enquanto à saída da vida em rosa dos secadores e manicures abrimos ao dia um sorriso.

Cabeleireiro de bairro avia urgências de estimas a pique, inesperados encontros com o homem da nossa vida ou reuniões em que o glamour é arma de negócio. Quando o nariz pinga e mais parece narigão, a farmácia vende sprays e pílulas que aliviam o entupimento nasal e os olhos pingões, mas a cara-de-mete-nojo continua tal qual. E que adianta fungar menos se a razão foi de férias e o verniz lascado, mais o cabelo sujo, dá ganas de não sair de casa? Antes nariz apalhaçado e lenço ao alcance do pingo servidos por sorriso airoso de quem tentou contornar o purgatório, do que cerrar portas e janelas da alma aos afectos, em particular àquele que a nós próprias devemos.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:
"Um lugar vazio à mesa" - Na penúltima crónica falei da morte. Na última, invocando imagens ao acaso (...)
"Le[ge]ndas [des]gastas" - "Fui à procura do granito esculpido. Encontrei-o, mas já não é o que era (...)"


Desde ontem:

Uma divagação da Teresa C. – “A Ministra Não recuou e Não Cedeu”

Publicado por Teresa C. às abril 13, 2008 10:55 AM