« HONESTOS SAFADOS | Entrada | EM VEZ DE PALITOS »
abril 05, 2008
“ALELUIA IRMÃOS!”

Anna Halldin
Estreia do corpo ao sol. Da pele nua, lambida pelo calor, em combinação química com a romaria dos fotões. Separada da areia por algodão fofo e macio. Como música de fundo, a fala das ondas breves. Tempo de ouro e azul. Ao lado, o livro por abrir. No saco, os óculos de sol. Para o proveito do momento, veio, lenta e dengosa, a preguiça do corpo seduzir o pensar vagabundo. A volúpia dos sentidos traduzida em gestos mansos, nas carícias que começam suaves e ateiam desejos ali cumpridos ou adiados para o após areia e mar.
Apetece gritar: “Aleluia Irmãos! Abriu a época balnear.” O “ir a banhos de outrora”, limitado pelo calendário aos meses seis, sete e oito, foi, como o Natal, alargado para o “quando o homem quiser”. E o homem quer. Segura o volante e sente no rosto o vento que os cabelos desarrumam, ou voa até palmeiras que bordejam praias mansas abençoadas pelo turquesa líquido. E a Arrábida aqui tão perto, em muito semelhante ao exotismo longínquo no areal e na cor do mar... O peixe servido à mesa na varanda fundada em estacas que as ondas provocam e fazem rumorejar.
“Aleluia Irmãos!” É tempo de libertar o corpo de tecidos. De edredãos caídos durando a guerra do sexo.
Publicado por Teresa C. às abril 5, 2008 12:09 PM