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abril 25, 2008
CARTA AO AMIGO QUE NUNCA VI

Autor que não foi possível identificar
Foi volátil o primeiro encontro. Os satélites, que muito acima do planeta pairam, fizeram as vezes de carteiro que da sacola retira envelope e o deposita na fresta do 5º E. Em vez de carta, foram um, dois, alguns telegramas electrónicos lidos por quem quis. Somados a outros recebidos daqueles que, em breves recados, assinalavam passagem neste espaço que materializa parte do espírito da mulher que sou.
Nunca tivemos o hábito de percorrer a ponte deste afecto não verbalizado através de correspondência privada que do monitor fizesse brotar sentimentos ou intimidades. Escassos e breves sublinhados resumem as travessias. Sob a ponte, águas infinitas. Acima delas, dois espíritos acenam a proximidade dos valores comandantes das atitudes dos vivos. Os gestos vieram depois. Mimos direitos à alma, que só os amigos sabem oferecer. Observação atenta do outro embrulhada em imagens e música. Carinhos sem aviso, sem retribuição à vista, sem outro móbil que adoçar momentos. Afecto imaculado.
Porque hoje, deste lado, é dia de cravos e memórias, liberto as palavras. Como se fora de papel o suporte onde serão lidas. O envelope rasgado à medida que esta página abriu.
Teresa C.
Publicado por Teresa C. às abril 25, 2008 11:49 AM