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abril 12, 2008
CICCIOLINA, DEPUTADOS E MAQUIS

Armando Huerta
A semana noticiosa foi um delírio. A chama olímpica desfilou nos Campos Elísios entre apupos que a apagaram, depois enfiada num veículo que protegeu o bruxulear simbólico. Este é o tempo de questionar símbolos à mercê das conjunturas políticas. É o tempo de todas as interrogações. De destruir utopias e substitui-las por raciocínios críticos. Os ideais perderam o confronto com o pragmatismo armado. Há os maquis nesta nova guerra mundial. Eu entre eles.
Na Assembleia da Républica, os deputados andam acabrunhados. Teclas que não dedilham abrem-lhes as cartas electrónicas. O acesso à internet é, agora, filtrado, após a constatação de frequentarem sites incompatíveis com o funcionamento das comissões. À conta desta medida, prevejo a diminuição da produtividade parlamentar. Desapareceu o pretexto para serões prolongados em que o trabalho intervalava com a visita a mercados da carne. Prejuízo maior que o ganho.
Berlusconi, há quinze anos extravagante líder da direita italiana, afirma-se como provável ganhador das próximas eleições. Entre os opositores concorrentes, a capitosa actriz porno Milly D’Aabbraccio é candidata à vereação em Roma. Afirma possuir todos os atributos para a tarefa. Ça dépend, digo eu, inocente criatura que supõe necessárias mais aptidões para a governação do que nádegas perfeitas e mamas soberbas. Pensando melhor, na obscuridade dos lobbies que comandam as decisões tomadas a bem(?) da coisa pública, quem me garante não possuir a nova Cicciolina os sólidos e precisos argumentos? Por falar em Cicciolina – que será feito dela?
Publicado por Teresa C. às abril 12, 2008 11:47 AM