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abril 26, 2008
DO TYRANNOSAURUS REX ÀS GALINHAS

Stan Wisnieswski
De um osso do dinossauro Tyrannosaurus rex com 68 milhões de anos foi extraída uma fibra de proteína cujo ADN investigadores de Harvard analisaram. Concluíram que se as aves conservam parte do legado genético do espertalhão e malévolo "lagarto tirano rei", as estúpidas galinhas são as herdeiras mais próximas e os jacarés os primos mais afastados. Quem diria? Há mais: os elefantes são descendentes directos dos mastodontes (familiares dos mamutes) desaparecidos há 10 000 anos.
Para sentir o fascínio pela ciência é preciso crescer curioso e obstinado. Curiosidade distinta da viver obcecado por tricas e baldrocas alheias; obstinação diferente de persistência no erro. O desejo imperioso de compreender o desconhecido e a teimosia no encaixe das argolas do raciocínio são condições indispensáveis para alguém enveredar pelo conhecimento científico. E as bases primeiras, que somente ao indivíduo respeitam, podem ser alimentadas desde a tenra infância. A par dos brinquedos que piscam e tocam e mexem, das bolas e das bonecas, não faltam livros e jogos que suscitem na criança “porquês” e “como é feito?”. Descuide a família e a governação estímulos e alimento para a vontade de saber infantil, e os adultos futuros conservarão a estranheza dos de hoje perante os apaixonados pela Biologia, Matemática, Física e Química. É comum ouvir: “Números, fórmulas e reacções químicas? Nunca pude com isso!”
A investigação científica não é masturbação intelectual que o Estado possa ignorar. São falaciosos os argumentos que defendam estar a atribuição de verbas à ciência no final na lista das prioridades da sociedade portuguesa – pobreza, saúde e justiça. A pecha nacional dos “vistas-curtas” já o Eça, deliciosamente, caricaturou.
Publicado por Teresa C. às abril 26, 2008 12:04 PM