« ANTES INFELIZ QUE IDIOTA | Entrada | O DIVÓRCIO DOS TRISTES »

abril 01, 2008

EXPULSAS DO IMAGINÁRIO

keith_garv082.jpg
Keith Garv

Ouvi a análise das razões que uma e outra vez te obrigam a aquietar os olhos num longe. Contaste da perplexidade em relação às naturais candidatas à tua companhia e afecto, por ti, adivinho, retribuído afectuosa e mansamente.

Sobre os homens próximos na idade, julgo que as mulheres da tua geração têm múltiplas inquietações. Uma, e não certamente a menor, tem a ver com a dificuldade masculina na assunção de compromissos havendo harmonia e amor. Outra está relacionada com sexo. Ouço-lhes o recorrente receio da sexualidade que eles apregoam exuberante, como se todas as mulheres do mundo, reunidas, não os esgotassem. Associam às vossas expectativas imagens femininas perfeitas (virtuais?) e fantasias acrobáticas. Satisfazendo o padrão, submetidas à tirania da mulher sedutora, incompatível com a intimidade da máscara facial verde gritante ou da pinça tira-pêlos. Situações vis, pensam elas, para olhares iludidos pelos padrões do cinema e das revistas masculinas. Como pena e castigo, se no "crime" da infracção ao estereótipo incorrerem, espera-as a expulsão do vigente imaginário de plástico. Por outro lado, o acesso à pornografia a la carte, dificulta o envolvimento com a mulher real, que, imagine-se!, tem uma borbulha horrível na redondeza da nádega. E os pijamas? E as peúgas para entrar na cama? É que nem sempre o cetim nos envolve. Reconheço, por estes dias, enfiar-me na cama envolta numa “vaiela” quente. Tenho pantufas e nos serões frios não me encavalito em sandálias pretas com pompons.

As mulheres, como qualquer outro ser, evitam a dor. Protegem-se. E sim, é verdade, cuidam de seleccionar o macho que melhor pareça cumprir o papel de progenitor competente. Que, de resto, podem pôr entre parêntesis, mergulhadas num afadigado e obcecado amor maternal. Daí a importância da comunicação e da cumplicidade num casal. E do amor. E do respeito.

Não ligues a estas divagações que fundamento em relatos avulsos. Toma-as como merecem - pretexto e reforço da nossa comunicação. Porque entender-te é gosto meu.

CAFÉ DA MANHÃ

"The Simple Life" - "Basicamente, tendemos a detestar a galinha dos outros(...)"

"Moisés ouvia vozes" - "Escrever crónicas hoje é fácil. Nem é preciso inspiração."

Publicado por Teresa C. às abril 1, 2008 09:07 AM