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abril 30, 2008

OS HOMENS SÃO MAIS HABILIDOSOS COM AS MÃOS DO QUE AS MULHERES?

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Sorayama

À conta da pergunta da Isa - "Os homens são mais habilidosos com as mãos do que as mulheres?" – decorre a picardia seguinte:

- Evidentemente! Nunca ouvi falar de mulheres assaltantes de bancos (abrir cofres de segredo, etc.). E cirurgia plástica - que é como assaltar bancos? Haverá alguma mulher aí? Aliás, a mulher - que é objecto da habilidade manual masculina em múltiplas situações - é a melhor prova disso mesmo... | António Eça de Queiroz

- Não sei. | Paula

- Não. Pouco distingue os géneros: eles é mais Black&Decker, bisturis e chaves de fendas; elas são imbatíveis em trabalhar minudências. | Teresa Castro

- Minudências? Como assim? Do género missangas, botões e colchetes? Agora é que eu queria uma ilha deserta - tipo «Sobreviventes» - e meter lá as meninas durante uma semana. Depois, eu (não falo pelos outros) chegaria e seria para todas, sem excepção, inevitavelmente, a salvação... Porquê? Porque as menina num sabe catar peixe à unha, num sabe fazer fogo, num sabe puto de artes manuais que não seja missangas, botões e colchetes! Enfim, minudências... | António Eça de Queiroz

- António, acho que estás a ser injusto. Minudências ou não, eu não me queixo. | Manuel S. Fonseca

- Equívoco, Manuel! Eu adoro minudências! Dão imenso jeito! Insurgi-me apenas contra o suposto paradigma igualitário da Teresa: porque um colchete e uma cambota são coisas muito diferentes... | António Eça de Queiroz

- Ai que o caríssimo António persiste em associar minudências a colchetes e missangas, o mesmo que é dizer ao atavismo cultural dominante! Responda-me, por favor: na maioria das linhas de montagem que envolvem sofisticadas tecnologias são homens ou mulheres que utilizam a paciência e a agilidade dos dedos finos para encaixar peças ínfimas? Por outro lado, e alinhando na clássica especulação da sobrevivência numa ilha deserta, está mesmo convencido que a morte nos estaria certa? Não, António, não... Porque ao essencial que alicerça a organização familiar estamos habituadas, desde a prova cautelosa das ervas uma a uma até averiguarmos quais delas poderiam servir de alimento, até à pesca com as nossas lindas mãozinhas, passando pela faísca pedra com pedra, nenhum recurso nos escaparia. E mais digo: ainda nos sobraria ânimo para a esperança. Pois se a nossa vida é isto mesmo!... | Teresa Castro

- Adoro alguns atavismos, reconheço! Mas a querida Teresa a montar uma armadilha (eficaz!) para macacos, ou a dar cabo das sempre bem tratadas mãos de cada vez que falhava a pederneira, por entre um palavrão educadamente contido?... Oh-oh!... A essa eu gostava de assistir. Habilidade não se revê em repetição. Habilidade é saber o que fazer com um mínimo de meios à disposição, que até podem estar escondidos na Natureza. E aí eu ganho (só falo por mim) porque já estive na situação várias vezes. E também sei cozinhar e pregar botões! Viu? E na antiguidade as mulheres sabiam quais as ervas que faziam bem porque o bruxo de serviço lhes dizia!| (Hehe-hehe-hehhe-hehe!....) | António Eça de Queiroz

CAFÉ DA MANHÃ

“ Sacerdócio sob vigilância – “O documento preparado pela Congregação para a Educação Católica e aprovado pelo Papa Bento XVI a 31 de Agosto de 2005, exclui dos seminários e dos sacerdócio todos os que praticarem a homossexualidade (...)"

"Fique descansado" - "- Tiraste daqui algum disco? - perguntou-me o Pai e eu pensei: “Queres ver que os tem contados?” (...)"


CRONISTA CONVIDADA – Isabel Nunes


“O Espelho”

"Durante a adolescência sonhámos com príncipes, pela gentileza, com cavaleiros, pela generosidade, com magos, pelos poderes misteriosos e com professores, pela sabedoria. Também sonhámos com homens atormentados e com “rebeldes sem causa” – era sedutor o papel de raparigas suavemente transgressoras. (...)"

Publicado por Teresa C. às 07:52 AM

abril 29, 2008

VIRILIDADE MEDIDA EM DECIBÉIS

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Terry Rodgers

Dizem que somos tagarelas. Que mais valia ter desaparecido da língua metade antes do nascimento. Que não despegamos conversas – mais isto e aquilo, colamos umas às outras. Que mulheres juntas são piores que vendedores debitando pregões na feira de Barcelos. Que nem catástrofe natural nos cala – substituímos a fala por gritos. Que mulher em silêncio é sinal de doença, ou borrasca.

A verdade, é quem no lugar-comum alinha não ter pedalada para nos acompanhar a corrida, seja pela falta de poder argumentativo ou de fôlego. Em qualquer dos casos, fica aquém. Depois, vêm com aquela conhecida de gritar sim, com espasmos e esgares ainda melhor, mas na caminha em pleno acto de coito. Ora bolas! Presas por ter cão e por nem o vermos. Condenam a estridência na balbúrdia feminina, mas quando a virilidade é medida por decibéis, quantos mais, melhor.

E é tão fácil calar uma mulher... O maior argumento esquecem. Tapem-nos a boca com um beijo sem diminutivo (beijinho é cortesia), e fica conjugado silêncio e bonança.

CAFÉ DA MANHÃ

“Mulheres Inteligentes Estão Lixadas!” – “Inteligência e falta de esperteza soe andarem juntas. Inteligência pressupõe sentido crítico e raciocínio (...)"

“O Elogio do Crime” – “A quem é que Tennessee Williams terá chamado uma ““sweetly vicious old lady”? Talvez vos diga, talvez volte adiante a esta (...)

“Les jeux sont faits” – “Apartem-se as facções e que o metal brilhe bem alto e com convicção ao sol do meio-dia, enquanto as montadas escarvam excitadas o (...)”

Publicado por Teresa C. às 08:29 AM

abril 28, 2008

A SEMÂNTICA DA «RATA»

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Bralds

Rata
Substantivo feminino
1. Fêmea do rato; ratazana;
2. mulher de grande fecundidade;
3. regionalismo toupeira;
4. vulagarismo órgão sexual feminino.

O meu curto entendimento não atinge as razões últimas que determinaram designar por «rata» a vagina. Com alguém mais sabedor que eu dissequei a palavra. «Ra» - sílaba tónica; aberta. «Ta» - sílaba átona; fechada. «T» - consoante dental que pode remeter para o desejo de mordiscar; lamber. Rata – bicho peludo. Macio? Duvido que algum homem, sim!, pois são eles que maioritariamente usam a metáfora, tenha experimentado a macieza pilosa do bicho. Os anglo-saxónicos utilizam o termo pussy - gatinha. Ora, duma bichana é provável conhecer a suavidade do pêlo.

O rato e a sua fêmea são mamíferos dados a esgotos e a detritos. Roedores infectos. Transmissores da peste ao escapulirem cabos acima dos navios atracados. Facto de ontem e de hoje: pelo mesmo, os navios de cruzeiro tapam com placas de guilhotina as entradas dos cabos que os amarram ao cais. Salvo das cobaias albinas, quem duma rata a sério se lembra para animal de estimação?

Dos considerandos anteriores, concluo o que sabia: «rata» de uma mulher é termo pejorativo por associar propensão para infecções e nojo. A sexualidade feminina, que não desemboque na procriação, vista como exercício sujo, ainda que porco seja o preconceito que à vagina adulterou o nome.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

"Ruptura da Infelicidade Bovina” - “Para sacudir um carrapato costuma chegar piparote enérgico decidido entre o dedo médio e o polegar. (...)"

"Dinheiro Suado" - "Uma gota do meu suor pingou na sua perna ainda trêmula pelo prazer saciado. Deixei minha cabeça (...)
Blogosfera:

”Por que motivo uma mulher prepotente haveria de ser diferente de um homem prepotente? Seja como for, o mundo agora é delas. É um mundo cada vez mais limpo, arrumado e justo; e também chato como o caraças.”

Publicado por Teresa C. às 07:58 AM

abril 27, 2008

COSI, RISTRETTO E FURÚNCULOS

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Barndog

Abrir o olho, alongar o corpo, dar uma espreitadela aos ponteiros do relógio são as etapas comuns que iniciam o estado de vigília. Rápidas nos dias úteis, vagarosas nos inúteis para a produtividade nacional. E são estes que contam para a eficácia dos primeiros. Assim o entendo, assim deles fruo.

Depois de trocar a horizontal pelo prumo da gravidade, espio o dia, ligo a Nespresso e a telefonia. Estando limpa e azul a abóbada celeste, a proporcionalidade directa entre a meteorologia e a minha bonomia adoça o café que tomo sem açúcar. A influência do conteúdo debitado pela rádio é o factor seguinte que condiciona os três tempos do meu acordar. Do último, a satisfação está invariavelmente garantida – a cápsula de Cosi que alterno com o Ristretto debitam café magnífico.

Ouvir que após um mês de silêncio sobre a recontagem dos votos no Zimbabwe, a derrota de Robert Mogabe é oficiosa, alegra a manhã de qualquer um. Foram cinco mandatos e vinte e oito anos no poder de um ditador que só não é da treta pelas dores que o provo sofre. E se a Comissão Eleitoral fez o anúncio, apesar do domínio que sobre ela tem o regimento do Mogabe, nada garante que o possível ex-ditador aceite o resultado das eleições. Homenzinhos destes são como furúnculos que nem rebentam nem desincham.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Adoptar um cão, escrever um blogue e cuidar de um bonsai” - “Quase todos os seres humanos, independentemente da sua idade, profissão, condição social e do espaço geográfico (...)"

”Será mesmo que com optimismo a vida pode ser maravilhosa?” – “A realidade está interessada em pregar-nos sucessivas rasteiras: uma atrás da outra para nos desagregar como (...)”

Publicado por Teresa C. às 12:24 PM | Comentários (4)

abril 26, 2008

DO TYRANNOSAURUS REX ÀS GALINHAS

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Stan Wisnieswski

De um osso do dinossauro Tyrannosaurus rex com 68 milhões de anos foi extraída uma fibra de proteína cujo ADN investigadores de Harvard analisaram. Concluíram que se as aves conservam parte do legado genético do espertalhão e malévolo "lagarto tirano rei", as estúpidas galinhas são as herdeiras mais próximas e os jacarés os primos mais afastados. Quem diria? Há mais: os elefantes são descendentes directos dos mastodontes (familiares dos mamutes) desaparecidos há 10 000 anos.

Para sentir o fascínio pela ciência é preciso crescer curioso e obstinado. Curiosidade distinta da viver obcecado por tricas e baldrocas alheias; obstinação diferente de persistência no erro. O desejo imperioso de compreender o desconhecido e a teimosia no encaixe das argolas do raciocínio são condições indispensáveis para alguém enveredar pelo conhecimento científico. E as bases primeiras, que somente ao indivíduo respeitam, podem ser alimentadas desde a tenra infância. A par dos brinquedos que piscam e tocam e mexem, das bolas e das bonecas, não faltam livros e jogos que suscitem na criança “porquês” e “como é feito?”. Descuide a família e a governação estímulos e alimento para a vontade de saber infantil, e os adultos futuros conservarão a estranheza dos de hoje perante os apaixonados pela Biologia, Matemática, Física e Química. É comum ouvir: “Números, fórmulas e reacções químicas? Nunca pude com isso!”

A investigação científica não é masturbação intelectual que o Estado possa ignorar. São falaciosos os argumentos que defendam estar a atribuição de verbas à ciência no final na lista das prioridades da sociedade portuguesa – pobreza, saúde e justiça. A pecha nacional dos “vistas-curtas” já o Eça, deliciosamente, caricaturou.

CAFÉ DA MANHÃ

“Odeio-te Hoje. Amo-te Sempre.” - “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar”. (...)”

”Um dia na Terra” - “Quando o nosso Sol era apenas uma proto-estrela, há seis mil milhões de anos atrás, orbitava (...)”

“Uma pontinha de graça” - "...o intelectualismo de saias é normalmente desprovido de qualquer pontinha de qualquer pontinha de graça." (...)"

BLOGOSFERA

“O mundo das mulheres” – “Mesmo assim fiquei com ideia de que gagaguejei, de que me repeti, de que andei em círculos, de que me mexi catorze vezes no sofá, (…)

Publicado por Teresa C. às 12:04 PM

abril 25, 2008

CARTA AO AMIGO QUE NUNCA VI

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Autor que não foi possível identificar

Foi volátil o primeiro encontro. Os satélites, que muito acima do planeta pairam, fizeram as vezes de carteiro que da sacola retira envelope e o deposita na fresta do 5º E. Em vez de carta, foram um, dois, alguns telegramas electrónicos lidos por quem quis. Somados a outros recebidos daqueles que, em breves recados, assinalavam passagem neste espaço que materializa parte do espírito da mulher que sou.

Nunca tivemos o hábito de percorrer a ponte deste afecto não verbalizado através de correspondência privada que do monitor fizesse brotar sentimentos ou intimidades. Escassos e breves sublinhados resumem as travessias. Sob a ponte, águas infinitas. Acima delas, dois espíritos acenam a proximidade dos valores comandantes das atitudes dos vivos. Os gestos vieram depois. Mimos direitos à alma, que só os amigos sabem oferecer. Observação atenta do outro embrulhada em imagens e música. Carinhos sem aviso, sem retribuição à vista, sem outro móbil que adoçar momentos. Afecto imaculado.

Porque hoje, deste lado, é dia de cravos e memórias, liberto as palavras. Como se fora de papel o suporte onde serão lidas. O envelope rasgado à medida que esta página abriu.

Com afecto e gratidão,

Teresa C.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

"25 de Abril desde a minha janela" - "25 de Abril e está um dia lindo lá fora, numa Lisboa silenciosa, sem trânsito, sem bichas para o autocarro, sem contribuintes infelizes à porta da repartições de finanças (...)

”Avante Camaradas” – “Ficámos a saber através do “Avante” que, para o PCP, as palavras de Rui Pereira, Ministro da Administração Interna, constituem “uma subserviência rastejante.(...)"

"CRAVOS E MEMÓRIAS" - Dia de cravos soltos nas ruas e de outros institucionais nas lapelas instaladas na Assembleia da Républica. (...)"

BLOGOSFERA
Boa Noite


Publicado por Teresa C. às 11:49 AM

abril 24, 2008

FÁCIES DE LEITE AZEDO

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Blake Flynn

O PSD conta espingardas. Na compita para líder, há face de leite azedo, o derrotado de serviço e esteve por um fio o crisântemo da Madeira. Escolha difícil para os descamisados do partido. O PSD está como o Benfica: incapaz de derrotar o adversário major e titubeia no rumo. Um tédio. Se no futebol "a crise" somente aflige os amantes da águia, na principal liderança oponente ao poder socrático a situação é grave e atinge todos. Depois, há a pergunta recorrente: quem, de juízo, troca a regalada vida de gestor duna máquina de fazer dinheiro pública ou privada pelo cargo assassino de general exilado da Assembleia da Repúlica? Nem um. Sobram remedeios. Escolhas segundas.

Sócrates está para a política como o Pinto da Costa para o futebol - podem fazer o que lhes der na real gana que, chegado o instante da verdade, arrebanham louvores. Os portugueses tem a nostalgia duma liderança que os poupe à tarefa de pensar. Atávico o apreço pela autoridade amalgamada com autoritarismo - pós de Salazar e barras de ouro em arquivo constituem o ideal da governação. Bem-vindos cérebros que dispense o cidadão-comum do peso do livre-arbítrio. A demissão de responsabilidades em prol do colectivo faz parte do ADN lusitano. Pois que seja! Que o cálice se entorne e caia a última gota. Entretanto, Sócrates vê televisão e come pipocas. Desenfastio de quem antecipa passeio no parque quando era suposta luta.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

"Portugal para totós" - "Das alterações que o governo pretende introduzir ao Código do Trabalho sobressaem duas (...)"

< "Quero ser um truck driver com os braços tatuados" - "Definitivamente, Deus, ou os encenadores mandatados pelo Altíssimo Criador para montarem a grande tragicomédia da vida (...)"

Desde ontem:

“Justiça aos Pais” – “É certo que ainda é só uma proposta, mas já me faz olhar para o futuro com outros olhos. (...)”

“Momento - Vinte e cinco novas caras a olharem para mim com desconfiança. Alegoria da Caverna. Texto lido devagar. (...)”

”Teorias: Do universo fluxonário estruturante a partir do espaço denso, e da energeticidade e radiação” - “Primeira: A Inicial - ocorre quando o astro se origina do primário, no caso - o Planeta (...)”

BLOGOSFERA

"O lado engraçado desta coisa da Chama Olímpica é que nunca tinha visto tanto comunista preocupado em defender um facho.”

Mauro Castro, o meu companheiro das segundas, em entrevista para uma televisão brasileira.



Publicado por Teresa C. às 08:12 AM

abril 23, 2008

MAU OLHADO DA SUA AMANTE

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Olívia de Berardinis

Quem escrever não sabe e passa momentos felizes a escrevinhar, da condição de leitora não arreda - vã tentativa de aprender “qualquer coisinha por mor dos seus e de Deus”. Os leitores que diariamente me demandam os arrazoados são espanto repetido. Prazer. Estímulo não digo, pelo estado de escriba-incontinente.

Se um leitor de Pequim aqui chega por via da URL, sem pedido de socorro ao Google, murmuro para os botões fora do sítio na camisa: “é obra!, atingi a condição de alheira ou de couve tronchuda que aflige de saudades quem na «estranja” labora.” E que dizer dos simultâneos e recorrentes visitantes da banlieue parisienne? Em conversa casual e risonha, vim a saber tratarem-se de frades duma comunidade religiosa que por discrição omito. No convento, digitam o URL direitinho, tal como o leitor da China.

Porque é dia Mundial do Livro e de ler, menoridades é certo, se trata, há meios extraordinários de arribar ao “Sem pénis”. Cito:
1. “o meu marido é vítima de mau olhado da sua amante” – Cabo Verde;
2. “simpatias para deixar o penis grande” – Brasil;
3. “jogos de meninas que andam de avião – Porto.
Se umas vezes m’espanto, nunca m’avergonho. Devia? Nem um pouco, malgré a convicção de cada blogue ter as buscas que merece. Porque deixar leitores-peregrinos sem resposta não me faz o género, cuido de satisfazer o motivo da busca.

1. Estimada Senhora da cidade da Praia,
Contra o mau olhado da amante e estando o marido em casa, recomendo misturar em partes iguais fracção da menina Joana e “chiribiti”, como diz a mui querida e feliz Mulher Prenha. Consuma o remédio. Quando for para o leito conjugal, qual amante qual quê?!... Garanto-lhe derrotar mil patas de galinha e fogaréus em sítios estranhos.

2. Simpatia para aumentar o pendente conheço uma: a mezinha anterior seguida daquela que imagina. Consequência: vai julgar que tem um Bentley em vez do Corsa habitual.

3. “Jogos das meninas nos aviões” conheço alguns. Querendo detalhes, e nem pense em utilizar o mail!, é favor rever um clássico – “Emannuelle”.

CAFÉ DA MANHÃ

"Roupa velha" - "Vestir roupa velha nos finais de tarde que convidam a permanecer em casa, é como degustar um (...)"

"Há 35 anos" - "O Dauphine da família vem de Badajoz e pára, como tem de parar, no Caia. Os carabineiros espanhóis nem levantam (...)"

"Um Poema no Dia Mundial do Livro^" - "Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida (...)"

BLOGOSFERA
A reviista "Ler" foi lançada ontem. Desejo muito sucesso a toda a equipa e ao F.J.V. em particular


Publicado por Teresa C. às 07:52 AM

abril 22, 2008

DO CORPO O AROMA

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Pancorbo

"A Leonor Barros é a "Cronista Convidada". Porque amanhã é Dia Mundial do Livro, é obrigatória a leitura.

"Uma questão de gratidão" - "Sobre o corpo apenas o necessário. Nos pés a liberdade imensa que as sandálias estivais permitem. Do corpo o aroma do protector solar mesclado com o banho de mar, água fria estava naquele dia de Julho menino.(...)"

Não perco um texto da Leonor e de outros autores que escrevem aqui.

Publicado por Teresa C. às 07:29 PM

AMANTES DE REFERÊNCIA

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Andre Wek

Defendem alguns que todas as mulheres têm um amante de referência. Isto para quem teve mais do que um, pois nos casos felizes foi o marido e mais nenhum. Marido-amante é conjugação difícil, mas não tão rara assim. Quando o entendimento vai das almas para os corpos, e serena e volta à cumplicidade profunda de onde partiu, o amor-sexo é baralho de cartas que augura jogo venturoso. Por isso passagem que na vida referencia o advir. Mais que amante – membro, espírito, vulva, ombro, quatro mãos sendo duas.

Com os amantes-affair não há delongas após a invenção do enamoramento fervente. Neles e nelas, a ideia do amor romântico é pretexto que agita o caldo hormonal e legitima a mistura dos corpos tumultuados. Na essência, o que os juntou. Nos inevitáveis êxtases que entopem os neurónios, elas verbalizam “meu amor” e “querido”, prevenindo chamada à colação do Luis, do Paulo, ou doutros fogachos cujas cinzas varreram.

Amante de referência é esqueleto no armário. Mania de urubus. Vício de espreita-velórios. Obituário de vivos.

CAFÉ DA MANHÃ

“A escolha da Liberdade e a liberdade da Escolha” -“ Pronto. Acabou. Não quero mais continuar.” Foi assim que me despedi (...)"

"O Tigre de Fogo" - "Vou falar de tigres. Vou falar de tigres só para evitar que o tema da minha crónica se (...)

DIA MUNDIAL DA TERRA

Publicado por Teresa C. às 08:05 AM

abril 21, 2008

GOSTO DELE, PRONTO(s)!

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Carol Spicuzza

Gosto do José Miguel Júdice. É desassombrado sem insensatez, simples no discurso e no que de si conta, tem carreira fora da política o que o iliba da condição sabuja de politico-dependente para viver. Conheço-o da minha adolescência coimbrã e afianço: nunca foi menino-de-família alojado nas peneiras da linhagem. Há anos, reabilitou a sua Quinta das Lágrimas com sobriedade e bom senso. Quem for à cata de pretensiosismo barroco escolhe o lugar errado. Em troca, é garantido silêncio, telas do Pinto Coelho, lenda, ribeiros cantantes, arvoredo, um green para entretém, praceta interior feita deslumbre numa noite de verão (sei que tu, outro, tens como eu, vívida a lembrança da luz que misturou nos nossos olhos velas e estrelas).

Dando nome e rosto à “Frente Tejo”, fiquei consolada. Não haverá uma segunda Expo, nem manobras gananciosas. Não prevê delírios em altura ou despesas megalómanas. Projecta, tão somente, dar utilidade ao património público de reduzida serventia na área entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia, bem como no espaço público da zona da Ajuda-Belém. Tornar verde a fronteira do rio. Fazer de Santa Apolónia terminal de cruzeiros que Lisboa há muito precisa e merece – a Rocha Conde de Óbidos não oferece condições mínimas para abastecimento de navios que na urbe não prevejam pernoita.

Aportei em vários portos e baías. Nem um se iguala à entrada no estuário do Tejo, e que me perdoe o abrigo de veraneio dos impressionistas que é Villefranche-Sur-Mer, tido como a mais bela baía da Europa. Será, repetidas vezes me extasiou, mas em nada comparável ao feitiço da abordagem a Lisboa. Está planeada a dinamização de actividades culturais, de lazer e a alteração na estrutura de mobilidade entre a cidade e o rio. Acredito em José Miguel Júdice para o remate da viragem da cidade para o Tejo. Além do que mais importa, dos homens que o íntimo torna sexy, ele é um.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Meninas de Bem no Tempo das Vergonhas” – “Até 24 de Abril de 1974 era amargo e doce ser menina. (...)"

"Vida Dupla" - "O sujeito me fez sinal e eu parei. Só então percebi o lamentável estado de embriagues (...)"
Desde ontem:

“Homens Sexy" – “Ainda os há, Deo Gratias! Num tempo de esconjuro de machos dúbios no pensar e no estar (...)”

BLOGOSFERA

Um presente da Ana que me foi endereçado e ao Manuel S. Fonseca daqui e daqui. Muito obrigada minha querida!

Publicado por Teresa C. às 08:11 AM

abril 20, 2008

CÓNEGO MELO

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The Brazen Serpent by Michelangelo

Faleceu o Cónego Melo, controverso dignitário da Igreja Católica. De Braga mandava recados invariavelmente anteriores ao concílio Vaticano II de 1962. Ignorou a maioria das orientações que dele provieram - abertura da Igreja à contemporaneidade alicerçada na igual dignidade de todos os fiéis, liberdade religiosa, ecumenismo e apostolado dos leigos.

Anticomunista convicto, ficou conhecido pela voz de aço e mão de ferro durante o verão quente de 1975. Foi relacionado com o “caso do Padre Max”, sacerdote da extrema-esquerda de Vila Real, morto em 1976 em circunstâncias jamais esclarecidas. Atoarda ou verdade, nunca uma ou outra ficaram provadas.

Ignoro o pensar das gentes que habita muros adentro da Cidade dos Arcebispos. Sei da veneração-ódio que suscitou país fora. Do seu empenho no Sporting de Braga e nos Cursos de Cristandade – dada como certa, no mínimo, mais uma gravidez nos casais que os frequentassem (o método da temperaturas, único "contraceptivo" aprovado pela Santa Madre Igreja, prega partidas como aquelas).

Após a morte, é uso, que rejeito, branquear o passado do defunto. Não tenho grata memória do Cónego Melo. Símbolo do catolicismo português em que não me revejo.

CAFÉ DA MANHÃ

"Carpintaria emocional" - "A contradição é com a malta apaixonada e eu explico porquê. As pessoas têm a mania de querer relações sólidas (...)

O silêncio é a música da ausência Num emblemático terceto, o poeta Eduardo Pitta afirma “é pela música que chego. (…) Existe nesta formulação (...)”

Desde ontem:

“Pedro Bandeira Freire” – “Há dias, cansado de andar por cá desde 3 de Agosto de 1939, o Pedro Bandeira Freire foi-se embora. Saiu de campo como se fosse(...)”

Publicado por Teresa C. às 11:10 AM

abril 19, 2008

PORQUE O GRANITO TAMBÉM QUEBRA

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Iain Faulkner

O tempo que nos reservamos. Silêncio ou música em surdina como forro. Ouvirmo-nos. As palavras e os gestos bailarinos no palco das nossas vidas. Legitimar a vagabundagem do espírito. Fruir o luxo de ausência de agenda. Dos aumentados graus de liberdade.

Falamos da intimidade individual. Não que acordo comum tenha selado o propósito. Talvez porque o teu registo ponderado e profundo apela a uma viagem dentro de mim. Dentro de nós. Confessar-te a vulnerabilidade que os outros desacreditam. Não que a disfarce; preferem ignorá-la por ser mais fácil que agir, dizer, entender. Fazem de conta que nada está visível na voz, no requebro dos lábios ou no viço do olhar. Passam adiante - "ela compõe-se, daqui a pouco ou amanhã está bem. Basta esperar."

Julgarem-nos fortes e inquebrantáveis é mau olhado. Porque se há força, existe possibilidade de fractura. Fica um precipício onde havia vale. Vale rugoso com penedos através dos quais o vento assobia para brincar aos sustos, aos uuuuuuh.

Juntos lemos os sons da noite. Porque o granito também quebra, continua aqui.

CAFÉ DA MANHÃ

“Chico-Espertismo Tuga” – “Parece que Portugal se transformou no país dos deficientes, das grávidas e dos acompanhantes de crianças de colo. (...)"

”Eles e o caos” – “Aquele simpático agrupamiento desportibo que dá pelo nome de PSD bibe actualmiente momientos que traiem uma luanga história a serbir (...)”

“Outros mundos” - Horton é um elefante que, um dia, ouve um pedido de ajuda de um grão de pó que flutua no ar.(...)”

BLOGOSFERA

Dois novíssimos deleites virtuais: Fundamentos da Passagem e Boulevard Hotel

Publicado por Teresa C. às 09:40 AM

abril 18, 2008

SALTOS E RIBEIROS

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Bill Medcalf

Há diques no céu. Não se vêem, mas é tão certo existirem como o Partido Social Democrata entender-se na escolha de um líder forte e consensual. Os diques atmosféricos limitam albufeiras de nuvens inchadas de vapor de água. Nuvens densas e zangadas porque não copiam de outras a brancura e a leveza do algodão hidrófilo.

Se gosto ou obrigação orientam para o Estoril o GPS que não tenho, mas devia, acredito em sol e azul e prata esmeralda no rio. Nunca falhou a coincidência entre a expectativa e a tela que emoldura o trajecto. Não ontem. O "Open de Ténis" interrompido pela borrasca é partida celeste sem perdão. Público em fuga empanturrado de guarda-chuvas cujas varetas, uma a uma, o vendaval partia, estraga o quadro do “Avril au Portugal”. E se das ´”águas mil” reza a descrição do mês quatro, foi do diabo a culpa de transformar em tortura os quilómetros.

Descera o breu na abóbada, e resistia a final sem remate aconchegado. Toldada pela bebedeira de água, escolhi o queijo fundido do Siesta. Restos de lucidez preservados pelo Silvio Rodriguez e pelo Pablo Milanés, lembraram estar a meio a semana e afastadas do lugar hordas de aniversariantes e adultos acriançados. Entalada a carripana entre automóvel digno do nome e a barreira dos contentores do lixo, três metros separavam-me do abrigo. Os saltos queriam pular de poça em poça até ao objectivo final. Qual quê? Ventos enraivecidos faziam de mim pena ou poeira ou marioneta. Atinando com a entrada, cambaleei. Às entranhas roubei força para último pedido de condenado: “margarita. De limão. Por favor.”

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Pôr a carroça na frente dos bois” – “Parece que volta o mito das duas Espanhas irreconciliáveis e antagónicas. Por um lado na televisão (...)” (...)"

“O gene mais curto” – “O “delírio” genético, que não tem evidentemente nada a ver com as investigações científicas levadas a cabo por pesquisadores (...)

Desde ontem:

“O Valor Do Meu Sobrinho” - Estou chocada! Se na minha crónica não sabia como compensar a minha irmã (...)”

“Limpar o Ouro, Arear as Pratas” – “Sejamos claros, o SLB, o glorioso SLB, por razões sumptuárias (sei que começo a repetir-me) (...)”

Blogosfera:

"Sentada na pastelaria, saboreando um café com natas, ela olha as janelas. A chuva e as pessoas que fogem à chuva. Fogem da chuva. Fogem. (...)"

Publicado por Teresa C. às 12:18 PM

abril 17, 2008

NAS ALÇAS DO MEU VESTIDO

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Eric Christensen

Não foi tua a mão que me serviu o primeiro Syrah. No crepúsculo cálido de final de Primavera, era o sul que meava Junho. O corpo emprestava à brisa da noite o calor que no areal recolhera. Do mar, havia o sussurro. O lânguido vai e vem mutável e fixo. Como longo plano no filme do mesmo nome do César Monteiro Grilo. Fita burlesca a que preferíamos “Recordações da Casa Amarela” e o alter-ego do cineasta mascarado de João de Deus.

Quando no bojo do copo rodaste o vinho, deste-me a provar o aroma. Descreveste-o, enquanto a tua mão se ensarilhava nas alças do meu vestido. Desde o primeiro gole soube da eternidade do instante. E a noite rodopiou entre gestos bravios e mansos que esgotámos sem sono. O Syrah era Cortes de Cima.

Noutro lugar, ainda a sul, outra mão desafiou um Trincadeira. Aroma e rubro em estreia. E lembro a chuva que, ao cair no terraço, estalejava a vidraça. A intimidade do pitéu servido. O vinho bebericado entre palavras que o riso interrompia, enquanto o Syrah vinha à lembrança mais a mão ensarilhada nas alças do vestido.

Por saber premiado com ouro, e nomeado rei dos vinhos numa prova cega em Paris o Syrah – 2005 da casa Ermelinda Freitas, dei conta duma história feita de aromas, toques e sabores. A minha.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:
Leituras obrigatórias: Sofia Vieira e Rui Pelejão

Publicado por Teresa C. às 07:29 AM

abril 16, 2008

"SIMPATIAS" PARA OS PRECISADOS

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Autor que não foi possível identificar

Santo António tem fama de casamenteiro. Dizem que as “simpatias” evocadas em seu nome resultam. Para os precisados, sugiro estas:

1 - Quem desejar descobrir o nome do futuro companheiro deve comprar um facão e, à meia-noite do dia 12 de Junho, cravá-lo numa bananeira. O líquido que escorrer da planta formará a letra do primeiro nome.

2 - Para encontrar o “futuro” certo, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de Junho, devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

3 - Os apressados em arranjar parceiro devem comprar uma pequena imagem do santo. Para agilizar a conquista do pedido, são dois os procedimentos: tirar o Menino Jesus do colo do religioso, dizendo que só o devolverá quando conseguir namorado, ou ainda, virar o Santo de cabeça para baixo.

4 - Sendo afoito tem outro recurso. Ir a um casamento e dar de presente aos noivos uma imagem de Santo António, sem o Menino Jesus. Depois, pedir no altar para se casar com alguém especial ou não. Assim que a graça for alcançada, deve retornar à igreja e depositar a imagem do Menino Jesus.

5 - Os acompanhados, mas que ainda não subiram no altar, possuem práticas específicas - amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado. Devem ser colocados aos pés do santo, que, num ápice, resolve a questão.

6 - À meia-noite do dia 12 de Junho, quebre um ovo dentro de um copo com água e coloque-o ao relento. No dia seguinte, interprete o desenho que se formou. Se aparecer algo semelhante a um vestido de noiva, véu ou grinalda, o casamento está próximo.

7 - Para saber se o futuro companheiro será jovem ou velho, é preciso arranjar um ramo de pimenteira. De olhos fechados, deve pegar uma das pimenteiras. Se a escolhida for verde, ele será jovem. Caso contrário, o casamento acontecerá com alguém de idade avançada.

8 - Para fazer as pazes, um casal desavindo precisa dum cravo e de uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos com uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o procedimento, o devoto deve pensar que o Santo irá uni-los de novo.

9 - Para descobrir se faltam muitos anos para a grande data, na véspera do dia 13 de Junho, à meia-noite, amarre uma aliança – que pode ser de qualquer parente – numa linha ou num fio. Coloque um copo sobre a mesa e segure o fio de modo que a aliança esteja dentro do copo. Pergunte, então, quantos anos faltam para o casório. O número de batidas informa quantos anos ainda restam para o Dia D.

Não resultando as “simpatias”, as reclamações devem ser endereçadas para aqui: http://www.mulhervirtual.com.br

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

"Escravos da normalidade" - "Normal: o que é regular, frequente, aquilo que se considera prática (...)

"Passatempos" - "Palavras Cansadas" - "1. Horizontal - Boçal, rude, labrego, malcriado, rústico, rufia, (...)"

Desde ontem:

”Muitos Funerais e nenhum Casamento” – “Nestes últimos meses (e atenção, minha gente, que já vamos em Abril!)(...)"

"Olé!" - E ainda há quem diga que de Espanha nem bons ventos, nem bom casamento. Ele há cada um... (...)"

BLOGOSFERA

O "Olhos da eternidade" achou por bem publicar o meu texto de ontem. Honra-me a preferência vinda de quem sabe estar na vida com sensibilidade e bom senso.

"Arre! Pior que os americanos elegerem George W. Bush duas vezes, só os italianos entregarem pela terceira vez o Governo a Berlusconi!...

Publicado por Teresa C. às 08:22 AM

abril 15, 2008

"UMA PULGA NO CU DO ELEFANTE"

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Barndog

“Sou uma pulga no cu do elefante” - assim se define William C. Gordon, o marido de Isabel Allende. Não é comum o rótulo de marido da “senhora fulana de tal”. Sarkozy, sim, é agora o marido da aristocrata e belíssima Carla Bruni. Nos eighties, Denis fora o ignorado marido da senhora Thatcher. Feliz o homem que não é o “esposo” de Condoleezza Rice.

William C. Gordon confirma o papel de “carregador de malas de Isabel Allende, primeiro, advogado, depois". E faz bem. Deambulando pelo mundo ao lado da campeã de vendas que é a senhora sua mulher, aprendeu com ela a “ver histórias”. Histórias outras que conhecia do seu escritório de advocacia e das barras dos tribunais californianos. Muitas mais ouviu e testemunhou como proprietário de um bar na zona menos recomendável da cidade. Pedaço daqui e dali, surge “O mistério de Chinatown” – policial escrito numa linguagem concisa, isenta de cornucópias e tão eficaz em livro como frente aos jurados dum tribunal.

O marido da Senhora Allende é nómada por amor. Prescinde da escrita no silêncio da casa, como faz a mulher, para rabiscar quando pode – qualquer pedaço de guardanapo serve – e onde as viagens de acompanhante-companheiro o levam. Da própria história que a mulher não deixou publicar, nasceu o “Plano Infinito” vendido aos milhões.

"As histórias estão dentro de mim, visualizo-as, e essa é uma das principais matérias de que é feito um escritor. Quem não conseguir ver uma história, jamais a conseguirá escrever." Quanta razão lhe assiste...

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Os cincos elementos e a natureza humana - Existem cinco elementos fundamentais na natureza. E com todos eles existe uma analogia (...)"

"Origem do Mundo" - "Pode haver uma, mesmo dez imagens em cada rua. Não importa! A nudez feminina sempre (...)

Desde ontem:

”Livros Proibidos da Opus Dei” - Recuso-me a aceitar como verdade que “a Opus Dei controla toda a informação (...)"

"Suiça salva Europa em finais de Julho" - "Depois da minha experiência niilista de sábado passado – que me agradou (...)"

BLOGOSFERA

Uma das minhas peregrinações dárias no procura de boa leitura é "O Geração de 60". Hoje, é dia do primeiro aniversário. Muitos parabéns desta leitora fiel.

Publicado por Teresa C. às 08:00 AM

abril 14, 2008

O BENFICA... FICA

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Keith Garv

A mulher a quem não atrai o futebol e a pujante virilidade dos craques que brincam com uma bola noventa minutos intervalados prefere um livro, ou o sossego da cama enquanto ele não chega desinquieto por insone goleada. Se o clube perdeu, lixamo-nos. Ganhando, lixamo-nos à mesma. Em qualquer dos casos, a projectada noite de oito horas de sono vai às malvas. Uns queridos, os nossos homens, não fora a fragilidade perante o vírus extra large comumente chamado bola. Seja de golfe, de ténis, de basquete ou de rugby, a forma e o tamanho não alivia a maleita que neles o humor inflama.

No carrocel dos amores, alguns foram os clubes beijados. No enamoramento, a identificação com o pulsar do outro, não raro, conduz a mulher, cujo sangue não se tumultua com lugares no campeonato da divisão de honra, a (im)prováveis encantamentos futebolísticos. Precários pelo condicionado nascimento e pela volatilidade amante. Se bem contar os namorados, uma mulher dirá: um Sporting, três Benficas, um Académica e dois Dragões. Demorando o envolvimento, da ignorância inicial chegará ao ponto de nomear guarda-redes e defesas do clube vigente. Pelo que atrás ficou dito, não seja a mulher tomada por inconstante na relação com o futebol - os homens passam e o Benfica... fica!

CAFÉ DA MANHÃ

Para hoje, escrevi: ”A Sabida e a Virgem Sem Cura” – “Limam unhas roídas ou lascadas. No corner plantado (...)

"A velhinha e a loira" - "Aqui no ponto temos uma velhinha que pega táxi quase todos os dias. Dona de um mau humor (...)

BLGOSFERA

"A moda do pipi careca" - "De tempos a tempos, entediadas com as suas normais rotinas de sofrimento, as mulheres decidem que podem ir mais longe(...)

Publicado por Teresa C. às 08:23 AM

abril 13, 2008

CABELEIREIRO DE BAIRRO

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Steve Rosendale

Cabeleireiro de bairro é serviço público eficiente. Sem empatas, formulários, atendimento azedo ou senhas onde figure o noventa e oito quando o monitor afiança estar a ser aviado o setenta. É como Centro de Saúde com horário prolongado, mas para melhor – podemos entrar doentes, mas saímos, se não curadas, no mínimo, anestesiadas. O mesmo não é possível dizer dos consultórios médicos ou dos serviços de saúde, seja pela recibo gatuno ou pelo tempo de espera, não estando a morte eminente. Gabinete de psi também fica a perder na comparação - bastas vezes, os clientes saem com os olhos inchados pelo choro, enquanto à saída da vida em rosa dos secadores e manicures abrimos ao dia um sorriso.

Cabeleireiro de bairro avia urgências de estimas a pique, inesperados encontros com o homem da nossa vida ou reuniões em que o glamour é arma de negócio. Quando o nariz pinga e mais parece narigão, a farmácia vende sprays e pílulas que aliviam o entupimento nasal e os olhos pingões, mas a cara-de-mete-nojo continua tal qual. E que adianta fungar menos se a razão foi de férias e o verniz lascado, mais o cabelo sujo, dá ganas de não sair de casa? Antes nariz apalhaçado e lenço ao alcance do pingo servidos por sorriso airoso de quem tentou contornar o purgatório, do que cerrar portas e janelas da alma aos afectos, em particular àquele que a nós próprias devemos.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:
"Um lugar vazio à mesa" - Na penúltima crónica falei da morte. Na última, invocando imagens ao acaso (...)
"Le[ge]ndas [des]gastas" - "Fui à procura do granito esculpido. Encontrei-o, mas já não é o que era (...)"


Desde ontem:

Uma divagação da Teresa C. – “A Ministra Não recuou e Não Cedeu”

Publicado por Teresa C. às 10:55 AM

abril 12, 2008

CICCIOLINA, DEPUTADOS E MAQUIS

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Armando Huerta

A semana noticiosa foi um delírio. A chama olímpica desfilou nos Campos Elísios entre apupos que a apagaram, depois enfiada num veículo que protegeu o bruxulear simbólico. Este é o tempo de questionar símbolos à mercê das conjunturas políticas. É o tempo de todas as interrogações. De destruir utopias e substitui-las por raciocínios críticos. Os ideais perderam o confronto com o pragmatismo armado. Há os maquis nesta nova guerra mundial. Eu entre eles.

Na Assembleia da Républica, os deputados andam acabrunhados. Teclas que não dedilham abrem-lhes as cartas electrónicas. O acesso à internet é, agora, filtrado, após a constatação de frequentarem sites incompatíveis com o funcionamento das comissões. À conta desta medida, prevejo a diminuição da produtividade parlamentar. Desapareceu o pretexto para serões prolongados em que o trabalho intervalava com a visita a mercados da carne. Prejuízo maior que o ganho.

Berlusconi, há quinze anos extravagante líder da direita italiana, afirma-se como provável ganhador das próximas eleições. Entre os opositores concorrentes, a capitosa actriz porno Milly D’Aabbraccio é candidata à vereação em Roma. Afirma possuir todos os atributos para a tarefa. Ça dépend, digo eu, inocente criatura que supõe necessárias mais aptidões para a governação do que nádegas perfeitas e mamas soberbas. Pensando melhor, na obscuridade dos lobbies que comandam as decisões tomadas a bem(?) da coisa pública, quem me garante não possuir a nova Cicciolina os sólidos e precisos argumentos? Por falar em Cicciolina – que será feito dela?

CAFÉ DA MANHÃ

“Era uma vez...” – “…um País que queria ser das maravilhas, mas habitado por poucas Alices, porque sobravam Marias (...)"

António Eça de Queiroz publica a crónica semanal.

Publicado por Teresa C. às 11:47 AM

abril 11, 2008

À MERDA POR LUCIDEZ

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Arthur Braginsky

Ensinaram-nos a sermos lindas meninas. Adolescentes bem comportadas. Jovens sensatas com objectivos grandiosos, porém compatíveis com casamento feliz e filhos exemplares. Das matriarcas, nem uma dica recebemos sobre a felicidade que advém de estarmos gratas a nós próprias. De respeitarmos, sem culpa, abismos e alturas que existem no íntimo do ser. Mulher ainda é Virgem Maria que desce dos céus à terra, concebe com alegria, ou não, e dá à luz com dores. Que entreabre sorriso compreensivo e generoso para a humanidade em redor. Que não lamuria, nem falha, nem salta os limites da cerca imposta pelas normas de conduta que padronizam a mulher-símbolo-e-exemplo.

Mas não. Rejeitamos altares e auréola de santidade. Queremos e, na vida-nossa-de-cada-dia, lutamos por paradigmas adequados às terráqueas criaturas que somos – como os homens sublimes e chatas, ingénuas e perversas, afectuosas e distantes, racionais e apaixonadas. Incoerentes como é próprio da condição humana. Generosas porque sim, e não ONGs ao alcance de um gesto. E porque mulher não é mulher nem é nada se não mandar à merda alguma coisa ou alguém, uma vez por (a)caso, é dever a análise crítica individual. Identificada pedra ou aguilhão que fira a pela através do saco que cada um transporta às costas, mandá-la à merda é acto lúcido que enaltece quem o toma.

CAFÉ DA MANHÃ


"Pornográfico" - "Gosto mesmo do meu Portugal, pá, deste paizinho com pretensões a recuperar algum estatuto (...)

”Fidel e os telemóveis" – “O “silêncio” que Fidel Castro tem feito sobre o novo governo cubano dirigido pelo (...)”

Publicado por Teresa C. às 09:18 AM

abril 10, 2008

PUTAS POR UM DIA

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Olivia de Berardinis

Eles julgam partilharmos a fantasia de putas por um dia; por horas ao menos. Presunção que advém de estereótipo escondido no ADN. Excepto as mães deles, todas as mulheres vendem o corpo a troco de lentilhas - da ilusão do amor, do amor, do apelo da maternidade, do dinheiro e, por vida dele, da emergência social, da obediência ao esperado socialmente que privilegia mulher legalmente protegida por macho de respeito.

Ledo e banal engano! Qual a mulher que se configura penetrada vinte vezes por dia, correndo bem o negócio, por homens indo do mal-cheiroso burgesso ao mal-cheiroso perfumado com panca de poderoso? Nenhuma. O entra-e-sai pago ao minuto, após negociação de trottoir cansado, não encanta as mulheres, putas ou não. “Uns coitados!”, dizem as profissionais do bate-perna. Frágeis bichos, eternos dependentes da figura maternal, afirmam especialistas.

Quando a uma mulher apetece a putice, é com o seu homem que concretiza o desejo. Aquele que ama ou deseja e, por isso, escolhe no cabaz de possibilidades. Usa despidos de sex shop e transgride, alegremente, preceitos ociosos. Mulher não abre as pernas sem motivo que vá além de verter fluidos, nem alimenta à conta de apetite um negócio obscuro que, como o da droga, movimenta milhões. A designação “trabalhadora do sexo” tenta incutir normalidade a uma prática com tanto tempo como o tempo. Mulher não é produto de feira - antes de mais, é pessoa. Não é vítima, nem gueixa, nem profissional numa área da exclusiva competência.

Mais de metade dos homens da classe baixa ou média-baixa portuguesa, clientela preferencial da prostituição, defende a cobertura da lei para as casas de passe. Têm razão: pode ser meio de subtrair à escravatura muitas mulheres e constituir garantia de maior segurança. Acantonar quem do sexo faz vida como cautela ambiental que salvaguarde ruas e parques, é hipocrisia centrada no hábito sujo de enfiar o lixo debaixo da carpete.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:
Sofia Vieira é a protagonista.
Rui Pelejão escreve às quintas-feiras
Desde ontem:

Cronista Convidada: Filipa Lobato de Mello. “O Quarto Vazio” – “Abro a porta lentamente e espreito feliz o vulto que dorme tranquilo. (...)”

"A cidade dos estetoscópios" - "Certa feita, um jovem me fez sinal sustentado por duas muletas. Ele tinha parte da perna direita. (...)"

Publicado por Teresa C. às 08:10 AM

abril 09, 2008

PERFIL DA MULHER BALANÇA

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Autor que não foi possível identificar

Por mão muito querida e atenta, recebi uma descrição das mulheres nascidas entre 23 de Setembro e 23 de Outubro. É o meu caso. Não sendo dada a crenças astrológicas, defendo que os horóscopos servem a todos e a ninguém. Todavia, desta vez pasmei. Ruboresci perante a fidelidade do retrato. E veio a inquietação: quantas mulheres nascidas noutra altura do ano se identificam com o perfil? Sendo o caso, um e-mail é favor que agradeço. Estou numa de levantamento estatístico empírico da minha convicção. Segue o rol:

“Se gosta de mulheres que adoram conversar sobre qualquer assunto, e parecem nunca saber a hora de parar de falar, então acaba de encontrar a outra metade da laranja! Mas, ao contrário de imaginar que passar horas ao seu lado conversando sobre os mais variados assuntos pode ser uma chatice, vai acabar ficando encantado. Ela vai dar ficar com aquele sorriso delicioso em cada três frases que disser e você vai sentir o quanto maravilhosa ela pode ser... Esta mulher parece brilhar quando faz aquilo que mais gosta: discutir um assunto! A nativa do signo Balança é feita de bondade, delicadeza, justiça, amizade, teimosia e indecisão.

Apesar de parecer frágil e ser muito feminina nos seus gestos, na forma de se vestir e de falar, a nativa deste signo é o tipo de mulher que pode surpreender quando resolve arregaçar as mangas para fazer um trabalho estritamente masculino. Ela vai sentir-se como se estivesse em casa se tiver que guiar um camião ou pegar ou touro.
Apesar de muito feminina, possui um traço masculino que, volta e meia, costuma cobrir o lado feminino. Mas em nenhum momento ela perde a sua feminilidade. Antes de pegar no machado para derrubar uma árvore, ela põe batôn, penteia-se e perfuma-se para ficar mais à vontade.

Mesmo quando estiver nervosa, a nativa deste signo tentará parecer calma ou, pelo menos, controlada.

É altamente intelectual e possui um grande poder de análise, que pode ser muito útil para resolver os problemas dos negócios do parceiro. Raramente deixará que as emoções a impeçam de tomar uma decisão desapaixonada ou de fazer um julgamento equilibrado. Com certeza, ela é muito melhor que o gerente do seu banco. O seu temperamento foi feito para o trabalho em equipa. Quer participar do maior número possível de decisões que o parceiro tomar.

O companheiro está em primeiro lugar no coração da nativa do signo Balança. Deseja fazer tudo a favor do parceiro e é mulher para segui-lo quando ele desejar mudar de profissão, país ou fazer novas amizades. Adora estar cercada por pessoas, sente-se no paraíso quando pode reunir uma multidão de amigos para uma festa, onde vai passar horas a dançar e a divertir-se como poucos.

Poucas são as nativas deste signo que sofrem de depressão ou que têm problemas crónicos de saúde.

O segredo de sua vitalidade está no seu temperamento racional, pacífico e a repulsa que tem pela impaciência. Pessoas impacientes causam-lhe mal estar, podendo mesmo tirá-la do sério. São poucas as mulheres Balança que têm amizades com stressados. Detestam a confusão e, normalmente, precisam de harmonia para manter a estabilidade emocional.

Costuma ser dominadora. Gosta que todos estejam ao seu lado e façam o que quer. Porém, nunca vai forçar ninguém a obedecer-lhe. A sua mão de ferro terá sempre uma luva de veludo, a sua vontade e o seu egoísmo sempre estarão acompanhados por delicadeza, educação e o mesmo sorriso encantador de sempre. É assim que, normalmente, costuma conseguir o que quer: fazendo com que as pessoas pensem que foram elas que escolheram ser suas prisioneiras por livre e espontânea vontade. Ela tem uma maneira educada de impor as suas vontades, que deixa os outros sem jeito para dizer “não”.

A mulher Balança tem uma sinceridade que pode deixar qualquer calado perante as suas afirmações ou comentários. Se você é do tipo que não gosta que vejam os seus defeitos, evite pedir-lhe opiniões. Ela não esconde o que pensa mesmo que isso provoque alguns mal-entendidos. Afinal, se pediu a sua opinião, deve estar preparado para ouvir a verdade, não é? Mas, ela nunca é grosseira ou deselegante. Os outros podem pensar que o faz por maldade, mas não. Actua com inocência e pelo amor à verdade. Detesta ferir os sentimentos de quem quer que seja. Detesta dizer "não", e a ideia de ser injusta pode deixá-la doente.

Uma coisa que muitas delas costumam ter é manias. Quando uma mulher Balança resolve ter uma mania, podem passar anos até que resolva abandoná-la. E o pior é nunca achar que tem uma mania. Também costumam levar mais tempo para tomar uma decisão se pode adiar uma escolha. E o pior é ela apressar-se a negá-lo. A primeira coisa que costuma dizer é: "Eu não tenho nada de indecisa"!”

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Tia Ao Volante Em Noite De Lisboa” – “Saio de casa depois de jantar. Tenho pressa. Sento-me ao lado de uma tia linda. (...)

As quartas do António Costa Santos
Ontem:
Cronista Convidado: Raul Solnado. Uma belíssima crónica sobre o Parque Mayer.


Pela Teresa C.:“Se Fosse a Angelina Jolie” – “Se, por alguma maldição, fosse a Angelina Jolie– é linda, tem miolos e (...)

Publicado por Teresa C. às 08:18 AM

abril 08, 2008

ACREDITA NA SENHORA DE FÁTIMA?

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ElektraTrust

Dos polícias de viação e trânsito só tenho bem a dizer. Vem isto ao caso do acontecido hoje: no regresso do trabalho e a caminho do ginásio, decidi interromper o trajecto e parar num dos meus cóios de perdição. O dia que amanhecera tépido irrompeu em dilúvio. Porque encharcar-me à conta dum propósito menor era tontice, estacionei à lisboeta, que é como quem diz, mal. Detalhando o acto: orientei o focinho do meu bobby para a porta de entrada da caverna de Ali-Babá e garanti o resguardo da traseira pelo final do abrigo da paragem de autocarro. Estacionamento para durar curtos minutos, ou não fosse atávico o meu despacho consumista. Uns sapatos divinos pelo arrojo do desenho e do salto, mais um vestido de musselina e uma mala impossível de remeter ao pó do expositor, ocuparam-me, admito.

Aviada de compras e prazer, saco a chave do pet. Polícia zeloso na tarefa de educar, punindo, incivilizados como eu, aproxima-se. O.K.! Apanhada em flagrante. Desdobrei as desculpas, “cinco minutos de infracção, não mais”, e atribuí-lhe, inteira, a razão. Que não, que fora meia hora, e que chuva nem vê-la. “Mas chovia e tinha pressa”, argumentei, rindo com gosto do meu embaraço e da bonomia dele. Enquanto o diálogo corria bem-disposto, o bendito polícia, copiava os dados do meu B.I. e da carta de condução. Não condizia a morada que eu recitava com aquela jamais actualizada e que constava dos documentos. A cada deslize, mais eu sorria, nervosa. Que outra coisa podia fazer?

Preparava-me para arrecadar o papelucho, quando pergunta: “Acredita na Senhora de Fátima?” – “Fiel devota deste menina, juro.” “Reze um terço”, acrescentou, dividido entre o riso e o fácies duro que esforçava manter. “Prometa que não repete!” – “Eu? Nunca mais! Emendei-me agora mesmo.” Arranquei com o sorriso que mantive durante a negociação. Abençoados sejam os polícias da minha vida! Entre tantos que se intrometeram no meu despacho ao volante enquanto telefono ou atravesso o traço contínuo, apenas um não entendeu que as minhas suaves infracções se pautam pela segurança e respeito para com os meus concidadãos.

CAFÉ DA MANHÃ

“Lunch at Opus Dey” - “Trá lá lá láá, uma hora e meia de estrada a caminho de uma quinta perto de Lisboa, cujas indicações vinham escritas num mail cujo remetente era de alguém do Millenium BCP. (...)"


O Meu Tio da América" - "Para os anti-americanos primários vai ser um festim. Sem ofensa, como vão já compreender. (...)"

Publicado por Teresa C. às 07:42 AM

abril 07, 2008

CETIM CAÍDO AOS PÉS

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S. Marshennikov

Pecados íntimos, venturas privadas. O fim-de-semana como campânula que alicia pela precacriedade e renovada vertigem do possível. Que desmente no fim sempre cedo demais. Também por isso propício a insanidades deleitosas. Gravadas no espírito e na pele cumplicidades que acontecem entre as paredes conhecidas. Rosto lavado e corpo nu sobrando de cetim que a todo o momento pode cair aos pés em murmurado roçagar. Pela certeza do sol entrado pelas varandas, mais apetece o tudo e nada que no casulo acontecem.

A paz – suave inquietude que as paredes testemunham. A música – como beijo no ouvido que o corpo arrepia e entontece. Às escancaras a malícia, a ingenuidade e a entrega – dispensada a obscuridade que alimenta nocturnas e laterais transmutações do estar. Dizem surpreendente o meu lado lunar – assim designado pelas poucas testemunhas que, num acaso, o vislumbraram. Mais compatível com êxtase de sacerdotisa do que próprio da mulher ao vulgo apresentada. Desmentido que remete para espaços e momentos recolhidos. Privilégio lobrigado por aqueles que apostam retirar o inconsciente véu da mulher-social.

CAFÉ DA MANHÃ
”Em Látex, Sem Pilhas e Com Bolas Chinesas” - Teresa C.
Do Brasil com amor: "Ipês, portas e barbas-de-pau" - "Eu tenho uma passageira que é fotógrafa. Na verdade ela é advogada (...)
"Tipo muito sério com pouco bigode" - "A imagem não engana ninguém: o olhar seriíssimo, os lábios túrgidos (...)

Publicado por Teresa C. às 08:14 AM

abril 06, 2008

EM VEZ DE PALITOS

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Colleen Ross

Numa conjuntura partilhada com uma amiga, foi tempo de um chá fumegante que aquecesse os corpos gelados pela frialdagem da tarde. Em vez dos scones ou sortido de biscoitos amanteigados, foi servido presunto fatiado, complementado por rodelas de um paio honesto e enfarinhados de água e sal. Fosse pelo adiantado da tarde ou pela fome que o ânimo da conversa despertara, enquanto o chá passava de fervente a bebível, tiveram primazia os salgados.

Porque woman talk não despega quando a cumplicidade dos muitos ou nadas faz o tudo do momento, foram esquecidos detalhes da arte de bem servir o “chá das cinco”. Lado a lado, íamos debicando os pedaços apetitosos. “Shame on me!”, verbalizei constrangida – havia esquecido os garfos pequenos. Adiantando o gesto do vou-buscar, vejo-me impedida. “Querida, deixa-te de paneleirices!” Esbocei um desgovernado “pelo menos uns palitos...” Resposta pronta: “Isso é que nunca! Antes os dedos, menina.”

Chá e gargalhadas entre mulheres são doçuras únicas. E destas e doutras preciosas horas estão arredados, caríssimos!

CAFÉ DA MANHÃ
"O frigorífico vazio e o congelador cheio" - "A solidão é um bilhete de cinema no escuro da minha carteira."
Paulo Simões Mendes dá o tema.

Publicado por Teresa C. às 11:11 AM

abril 05, 2008

“ALELUIA IRMÃOS!”

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Anna Halldin

Estreia do corpo ao sol. Da pele nua, lambida pelo calor, em combinação química com a romaria dos fotões. Separada da areia por algodão fofo e macio. Como música de fundo, a fala das ondas breves. Tempo de ouro e azul. Ao lado, o livro por abrir. No saco, os óculos de sol. Para o proveito do momento, veio, lenta e dengosa, a preguiça do corpo seduzir o pensar vagabundo. A volúpia dos sentidos traduzida em gestos mansos, nas carícias que começam suaves e ateiam desejos ali cumpridos ou adiados para o após areia e mar.

Apetece gritar: “Aleluia Irmãos! Abriu a época balnear.” O “ir a banhos de outrora”, limitado pelo calendário aos meses seis, sete e oito, foi, como o Natal, alargado para o “quando o homem quiser”. E o homem quer. Segura o volante e sente no rosto o vento que os cabelos desarrumam, ou voa até palmeiras que bordejam praias mansas abençoadas pelo turquesa líquido. E a Arrábida aqui tão perto, em muito semelhante ao exotismo longínquo no areal e na cor do mar... O peixe servido à mesa na varanda fundada em estacas que as ondas provocam e fazem rumorejar.

“Aleluia Irmãos!” É tempo de libertar o corpo de tecidos. De edredãos caídos durando a guerra do sexo.

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:
“Fumadora Reconhecida” – “Após quatro dias de a visita Nova Iorque, aterro no aeroporto da Portela (...)"


No tempo em que os animais desataram a falar” – “E se de repente a Natureza começasse a manifestar-se de forma perfeitamente inteligente (...)"

Desde ontem:
”Sports going bananas" - "Como iniciar esta crónica sem correr o risco de afrontar o accionista? (...)"

Publicado por Teresa C. às 12:09 PM

abril 04, 2008

HONESTOS SAFADOS

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Jack Vettriano

Ele não a penetra, salvo no espírito por intermédio do ouvido. Assim eliminada a condição de amantes. Parceiros de aventuras (im)prováveis, rejeitam a condição de amigos – laço desadequado ao nó estabelecido. Ele tem mulher, ela homem que vão traindo com alegria e sem vestígios culposos. Traições de alma, as mais das vezes. Nas outras, de pé, na horizontal ou contorcidas consoante a área e o vigor disponiveis. Tranquilamente, aguardam naufrágio num grande amor cuja improbabilidade não retira pitada à festa do respectivo viver. No entretanto, vivem doces contentamentos, acumulados com estados precários que, por curtos meses, julgam paixões. Deles próprios os maiores críticos. Num ápice, a lucidez de cada um disseca a exaltação do estado e atribui razões à química hormonal ou ao espírito aventureiro.

Sem maldade ou premeditação, (re)conhecem-se como safados. Por que essencialmente puros os valores que lhes balizam o estar, evitam danos colaterais que outros penalizem pela opção de vida equilibrada no fio da navalha. Cautelas ineficazes num ou noutro caso, traduzidas em mágoas dos parceiros. Que respeitam e atendem com ternura, envolvendo-os num sentimento próximo do amor. Que não é, mas deveria ser se o (in)consciente bailarino domesticassem. Nem tentam – antes honestos safados que mentirosos domados.

Nota: texto publicado hoje no PNET Mulher.

CAFÉ DA MANHÃ
"O caso do homem grávido" - "Ui... nem imaginam o nojinho que se me mete no corpo ao ver as imagens do transexual americano (...)
”BOICOTES” – “A ideia que o boicote aos jogos olímpicos pode ter alguma espécie de eficácia (...)”

Publicado por Teresa C. às 10:06 AM

abril 03, 2008

MISS LANDMINE

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Claus Heinecke

"Miss Sobrevivente de Minas". Ontem, em Angola, dezoito mulheres representantes de cada uma das provícias desfilaram numa passerelle. Augusta Úrica foi a escolhida. Entre os prémios, uma prótese feita à medida. Um recomeço nos escombros das ilusões e dos corpos amputados pela guerra. Perdida, como todas. Nem só uma ganha, conquanto a história tenda a atribuir vitórias ao opositor que arrecadou conquistas de objectivos. Das árvores do mal pendem frutos apodrecidos que à terra largam sementes do diabo. Germinadas, contaminam o redor. E nos rebentos que teimam crescer, ainda assim belos pela força e denodo, há vestígios do luto que assombrou o solo.

Mulheres corajosas que à menoridade ditada pela diferença não se conformam. Constroem vida e vidas nos úteros intactos onde o princípio dos corpos acontece. Sarados os cotos e percorrido o calvário até a alma de novo luzir, houve assunção do novo eu. Belos os corpos? Não. Belas as mulheres que deles fazem instrumento ao serviço da própria coragem e viveiro de gestos de amor numa Angola minada que continua a estropiar os herdeiros.

CAFÉ DA MANHÃ
A Sofia Vieira escreveu "Lucy, a minha avó etíope" - "Um dia destes, com a revista que comprei para acompanhar o galão de máquina (...)"
O Rui Pelejão faz as honras da casa.


Muitos parabéns para a mui querida autora que há cinco anos "Acorda Assim."

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Giuseppe Ferrando

Publicado por Teresa C. às 08:45 AM

abril 02, 2008

DAS 35 SÃO PARTE

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Das trinta e cinco rosas devidas, são parte. Fúcsia como cumpre à alegria no modo de estar desta linda Mulher. Escreve, com a espontaneidade que a caracteriza, aqui, aqui, e noutros prestigiados lugares. Parabéns, menina-Mulher!

No dia 4 de Abril, irá desfilar no Lisboa Wellness Center pelas 20h.

Publicado por Teresa C. às 04:10 PM

O DIVÓRCIO DOS TRISTES

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O divórcio dos tristes é muito triste. Já o casamento foi triste – nos passeios de domingo, nos serões apartados a dois, na cama do esforçado sexo como recomendam as terapias para casais. Que não fizeram pela falta de ânimo e pela escassez dos cêntimos que mal chega para o ocasional colorido do salmão que a grelha enlutou. De manhã, rosnam bom dia enquanto um lava os dentes. Alombam com o trabalho e a vida arredondada a zero. Alegria somente quando “ele vai com uma puta”, diz ela amarfanhada pela secura das dobras que nem lhe apetece fazer inchar. Divórcio, nem ocorre. Pois se já a vida dos pais fora assim... E o divórcio existe sem papéis sob protecção do tecto conjugal.

Quando a carne fala mais alto e se alevanta à conta dalguém cujo cheiro se abeirou, a conjugalidade azeda. Vinagrada era antes e à acidez os estômagos haviam criado protecção. Mais eles do que elas. Aos maridos dá arranjo a condição de casados que os protege de insanos atentados à mudança de estado. Ao que têm estão acomodados até ao meio dos «entas». O medo do viço murchar e a vã esperança de remoçarem à conta dumas passeatas e meia dúzia de jantares, a alguns dá ânimo para fim e recomeço. Com elas o mesmo, a par dos contornos de apetitosa aventura, havendo uns dobrados no colchão, o “antes só que tal sorte”.

Para os candidatos a «ex», a chegada do simplex à negociata dos divórcios, é notícia boa. Quando um do casal nem desempata, nem sai de cima e há tarecos em jogo, ao outro trinca a ilusão. Posta em prática a nova lei, aos ressabiados está subtraído o gozo. Triste antes, durante e depois.

Nota - Sobre o mesmo tema escrevi: O simplex chegou, enfim!, aos candidatos a «ex» por via litigiosa - ex-sofredor, ex-iludido, ex-prestador de serviços domésticos sem paga ou desconto na pena por altura do Juízo Final.

CAFÉ DA MANHÃ
Sobre a "Evolução da Língua Portuguesa" escreve a Paula Capaz
Ler a crónica do António Costa Santos - "A Insustentável Beleza de Ivana"


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Publicado por Teresa C. às 08:39 AM

abril 01, 2008

EXPULSAS DO IMAGINÁRIO

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Keith Garv

Ouvi a análise das razões que uma e outra vez te obrigam a aquietar os olhos num longe. Contaste da perplexidade em relação às naturais candidatas à tua companhia e afecto, por ti, adivinho, retribuído afectuosa e mansamente.

Sobre os homens próximos na idade, julgo que as mulheres da tua geração têm múltiplas inquietações. Uma, e não certamente a menor, tem a ver com a dificuldade masculina na assunção de compromissos havendo harmonia e amor. Outra está relacionada com sexo. Ouço-lhes o recorrente receio da sexualidade que eles apregoam exuberante, como se todas as mulheres do mundo, reunidas, não os esgotassem. Associam às vossas expectativas imagens femininas perfeitas (virtuais?) e fantasias acrobáticas. Satisfazendo o padrão, submetidas à tirania da mulher sedutora, incompatível com a intimidade da máscara facial verde gritante ou da pinça tira-pêlos. Situações vis, pensam elas, para olhares iludidos pelos padrões do cinema e das revistas masculinas. Como pena e castigo, se no "crime" da infracção ao estereótipo incorrerem, espera-as a expulsão do vigente imaginário de plástico. Por outro lado, o acesso à pornografia a la carte, dificulta o envolvimento com a mulher real, que, imagine-se!, tem uma borbulha horrível na redondeza da nádega. E os pijamas? E as peúgas para entrar na cama? É que nem sempre o cetim nos envolve. Reconheço, por estes dias, enfiar-me na cama envolta numa “vaiela” quente. Tenho pantufas e nos serões frios não me encavalito em sandálias pretas com pompons.

As mulheres, como qualquer outro ser, evitam a dor. Protegem-se. E sim, é verdade, cuidam de seleccionar o macho que melhor pareça cumprir o papel de progenitor competente. Que, de resto, podem pôr entre parêntesis, mergulhadas num afadigado e obcecado amor maternal. Daí a importância da comunicação e da cumplicidade num casal. E do amor. E do respeito.

Não ligues a estas divagações que fundamento em relatos avulsos. Toma-as como merecem - pretexto e reforço da nossa comunicação. Porque entender-te é gosto meu.

CAFÉ DA MANHÃ

"The Simple Life" - "Basicamente, tendemos a detestar a galinha dos outros(...)"

"Moisés ouvia vozes" - "Escrever crónicas hoje é fácil. Nem é preciso inspiração."

Publicado por Teresa C. às 09:07 AM