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abril 03, 2008
MISS LANDMINE

Claus Heinecke
"Miss Sobrevivente de Minas". Ontem, em Angola, dezoito mulheres representantes de cada uma das provícias desfilaram numa passerelle. Augusta Úrica foi a escolhida. Entre os prémios, uma prótese feita à medida. Um recomeço nos escombros das ilusões e dos corpos amputados pela guerra. Perdida, como todas. Nem só uma ganha, conquanto a história tenda a atribuir vitórias ao opositor que arrecadou conquistas de objectivos. Das árvores do mal pendem frutos apodrecidos que à terra largam sementes do diabo. Germinadas, contaminam o redor. E nos rebentos que teimam crescer, ainda assim belos pela força e denodo, há vestígios do luto que assombrou o solo.
Mulheres corajosas que à menoridade ditada pela diferença não se conformam. Constroem vida e vidas nos úteros intactos onde o princípio dos corpos acontece. Sarados os cotos e percorrido o calvário até a alma de novo luzir, houve assunção do novo eu. Belos os corpos? Não. Belas as mulheres que deles fazem instrumento ao serviço da própria coragem e viveiro de gestos de amor numa Angola minada que continua a estropiar os herdeiros.
Publicado por Teresa C. às abril 3, 2008 08:45 AM