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abril 18, 2008
SALTOS E RIBEIROS

Bill Medcalf
Há diques no céu. Não se vêem, mas é tão certo existirem como o Partido Social Democrata entender-se na escolha de um líder forte e consensual. Os diques atmosféricos limitam albufeiras de nuvens inchadas de vapor de água. Nuvens densas e zangadas porque não copiam de outras a brancura e a leveza do algodão hidrófilo.
Se gosto ou obrigação orientam para o Estoril o GPS que não tenho, mas devia, acredito em sol e azul e prata esmeralda no rio. Nunca falhou a coincidência entre a expectativa e a tela que emoldura o trajecto. Não ontem. O "Open de Ténis" interrompido pela borrasca é partida celeste sem perdão. Público em fuga empanturrado de guarda-chuvas cujas varetas, uma a uma, o vendaval partia, estraga o quadro do “Avril au Portugal”. E se das ´”águas mil” reza a descrição do mês quatro, foi do diabo a culpa de transformar em tortura os quilómetros.
Descera o breu na abóbada, e resistia a final sem remate aconchegado. Toldada pela bebedeira de água, escolhi o queijo fundido do Siesta. Restos de lucidez preservados pelo Silvio Rodriguez e pelo Pablo Milanés, lembraram estar a meio a semana e afastadas do lugar hordas de aniversariantes e adultos acriançados. Entalada a carripana entre automóvel digno do nome e a barreira dos contentores do lixo, três metros separavam-me do abrigo. Os saltos queriam pular de poça em poça até ao objectivo final. Qual quê? Ventos enraivecidos faziam de mim pena ou poeira ou marioneta. Atinando com a entrada, cambaleei. Às entranhas roubei força para último pedido de condenado: “margarita. De limão. Por favor.”
Publicado por Teresa C. às abril 18, 2008 12:18 PM