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maio 18, 2008
A CASA DO RIO VERMELHO

Autor que não foi possível identificar
Morreu Zélia Gattai. O sorriso amável e a serenidade desta mulher, mãe, companheira, escritora, perpassa na obra literária que, por ora, nos lega e aos 63 anos inaugurou. Filha de um casal de emigrantes italianos, o pai chegou ao Brasil no final do século XIX, com a intenção de criar uma comunidade anarquista na selva brasileira. A família da mãe, católica, chegou ao Brasil após a abolição da escravatura para trabalhar nas plantações de café, em São Paulo.
Aos vinte anos, casou com Aldo Veiga, intelectual e militante do Partido Comunista. Nove anos passados, já separada, conheceu Jorge Amado num congresso de escritores. Enquanto flirtavam e militavam politicamente, nasceu o amor que na posterior vida partilhada jamais arrefeceu. Por esse tempo, o intolerante regime brasileiro forçou-os ao exílio. Paris acolheu-os e animaram a cultura europeia ao lado de Pablo Neruda, Nicolás Guillén, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Paul Éluard, Picasso, Fréderic Curie.
Após três décadas de vida comum, corria o início dos anos sessenta, já de volta a Salvador, Bahia, Zélia e Jorge decidiram oficializar a união pelo casamento. Nesse entretanto, escreveu o romance “Anarquistas, graças a Deus” em que descreve a vida dos imigrantes italianos na São Paulo do começo do século e conta deliciosas e sofridas histórias da sua família. Os ideais que dela herdou, emolduraram o crescimento da mulher – família de anarquistas que defendiam uma sociedade sem leis, sem religião ou propriedade privada, em que mulheres e homens tivessem os mesmos direitos e deveres.
No “Memorial do Amor”, Zélia resgatou memórias dos 56 anos ao lado de Jorge Amado na casa do Rio Vermelho onde o casal recebeu personalidades significativas do século XX. A casa do Rio Vermelho será transformada num museu. Memorial que honre a obra, os ideais e o duradouro amor do casal vivido em português e que o mundo não esquece.
Publicado por Teresa C. às maio 18, 2008 11:23 AM