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maio 11, 2008

A LILLY DOS CASOS GELADOS

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Mati Klarwein

Passou há dois anos nos ecrãs portugueses. “Cold Case” ou “Casos Arquivados” é um enlatado americano com ingredientes conhecidos: os maus e os bons, sabujos e bonzinhos, detectives e crimes. O sumo da série é este: uma equipa do Departamento de Homicídios de Filadélfia reabre casos por solucionar e investiga-os utilizando as novas tecnologias. Entre peripécias várias de encher o olho e colar ao sofá o espectador, a equipa consegue o milagre da confissão voluntária dos acusados. Não fosse o peso do remorso e a manipulação dos indícios, os casos continuariam gelados na arca frigorífica do tempo.

Série de culto para muitos, não me deteria se em vez da detective Lilly Hora do Rush (Kathryn Morris) fosse protagonizada por um polícia careca próximo da aposentação. Neste particular, os produtores da série acertaram: a história de uma mulher, loira, de meia idade, solteira, que trabalha rodeada de homens e com um passado misterioso fideliza a curiosidade.

A vida pessoal de Lilly é desfiada no decorrer dos episódios. O sangue frio e a dedicação integral ao trabalho tentam encobrir a vulnerabilidade da mulher por detrás da profissional exemplar. Solitária, carinhosa na intimidade, vive os quarenta anos rodeada de gatos, tal como ela, no passado vítimas de violência patente em chagas. Como muitos humanos, sublima o drama pessoal através da entrega a uma causa, aqui simbolizada pela profissão.

Lilly é o tipo mulher comumente descrita de modo cruel e redutor – “loira solteirona, independente e com sexualidade indefinida. Por ter sofrido em criança abusos sexuais, escolheu ser polícia para se vingar dos homens maus. Do que precisa para curar a carência afectiva é de um homem que lhe dê uma boa queca companhia.”

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“A minha intimidade em noventa gramas” – “De todos os meus objectos, aquele com o qual tenho uma relação menos amistosa é (...)"

”O que nos salvará?” – “Contavam-me tantas histórias e não sabia para que serviam. Desde o princípio que (...)”

Desde ontem:

“O que Geldof mostrou sem dizer" - "«Angola é governada por criminosos».Já todos ouvimos isto em alturas e (...)”


Publicado por Teresa C. às maio 11, 2008 11:45 AM