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maio 21, 2008
CHAMAM-LHE ATÉ “MARIAZINHA”

Alain Aslan
Pelos relatos femininos que amontoei, chamam-lhe “cereja”, “a minha menina”, “florzinha”, a “casinha”, “bidu-bidu”, "botãozinho", "papoilinha" e até, pasmem!, “mariazinha”. De tudo as mulheres ouvem quando as saias sobem e é remetido ao degredo o fio dental, a asa-delta, os boxers rendados, a cueca da avó ou qualquer outra forma de resguardo da fundura íntima. E elas, em cada estreia invasiva e prazenteira, pestanejam um par de vezes até integrarem o petit-nom. Quantas sufocam o riso, ou, porque impossível de conter, interrompem com uma gargalhada a conjuntura sensual. Não abaixem aos parceiros a auto-estima viril, elas zelam pela censura da espontaneidade, porque quem vê corpos entumescidos tudo ignora da moleza mental.
Neles, os equivalentes diminutivos costumam ser os próprios a divulgar - desde “júnior” a “zézinho” – ou qualquer «inho» acrescentado ao nome do utente -, passando pelos vernáculos tradicionais. De tudo as mulheres ouvem. E repetem, mordendo a língua para travar sublinhado jocoso à designação que muito conta de quem a profere, tal como a daquela outra que a gruta da mulher denomina.
Graças de alcova, mais do que distinguir o par no momento instituído, denunciam quem impõe a alcunha. Porque mudada a parceira, permanece o “júnior” e a “papoilinha”. E nestas subtilezas da libido, raramente as mulheres são madrinhas. Gostos, tremeliques ou manias que dos homens revelam o que, frequentemente, gostariam de ocultar.
Publicado por Teresa C. às maio 21, 2008 08:11 AM