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maio 10, 2008

DOS TELHADOS ÀS CATACUMBAS DA CIDADE

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Claude Théberge

Alcandorados, descem ao rio. Quando o há. No âmago das cidades, sendo planura o chão, os telhados ge(r)minam aboletados. Resguardam o casario e as gentes que dele fazem casa ou sítio de labor pago. Circula sangue vivo nas ruas cavadas pelos fossos entre telhados.

Amanhecem tranquilas as cidades. Enganador o vazio do alcatrão e das calçadas - no descompasso da hora que rege de cada um o dia, chegam caminhos apressados e a cacofonia. Pelo movimento do sol – porque assim percepciona quem, pregado ao chão, o vê acordar e morrer pela tardinha – chega a obscenidade dos roncos motorizados e dos guinchos das buzinas. Abafados, ficam sons outros que às cidades pertencem e dão vida: o saudável vozear dos humanos que entre si estabelecem pontes, a música tocada pelas folhagens ou o linguajar próprio dos cães e aves.

E, quando a cidade esgota pelo cansaço quem nela habita, fica por conta dos morcegos e daqueles para quem o dia é turno da noite. Nas horas de todas as sombras, as catacumbas sobem à superfície.

Nota: texto publicado hoje a convite da "Dobra do Grito"

CAFÉ DA MANHÃ
Hoje:

“Irmãos Desavindos” – “Parece que desta é mesmo de vez. O acordo ortográfico atinge este ano a maioridade mas está ainda longe da maturidade que se exige nesta idade (...)"

"Do erro de casting como monumento à estupidez natural" - Quarta-feira passada tive um dia particularmente divertido, que se anunciou logo pela manhã (...)"

Desde ontem:

“Dois dias” – “Cada vez mais sinto que, os fins-de-semana, são bocados de tempo usados para tudo ou para (...)”

“Depois admiram-se” - A rádio diz que o piloto de um jacto se salvou na queda do aparelho. Que se desconhecem as razões. (...)”

Publicado por Teresa C. às maio 10, 2008 10:11 AM