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maio 05, 2008
MARIJUANA, REGGAE E MAIO DE 68

Alain Aslan
No sábado, em 239 cidades do mundo houve Marcha Global pela despenalização do consumo das designadas drogas leves – haxixe e marijuana, entre outras. Portugueses manifestaram-se no Porto, em Coimbra e Lisboa. Miguel Portas caminhou, acompanhado de seiscentos cidadãos e ao ritmo do reggae, desde a rua da Escola Politécnica até ao Largo do Camões.
Segundo notícia da Lusa, um dos manifestantes declarou: "Queremos poder consumir sem termos de andar em sítios estranhos ou com pessoas perigosas a consumir cannabis com aditivos.” Manifestantes, crianças a adultos, dançaram, uns "mascarados" de folha de cannabis outros com tarjas e um "charro" gigante. O cheiro do haxixe esvoaçou o caminho da festa.
É certa a polémica que subjaze à reivindicação. Permaneço convicta da sabedoria do velho ditado: “o fruto proibido é o mais desejado”. E mais caro, acrescento. Mais vulnerável a adulterações. Pela venda no inferno das cidades, os traficantes depressa transformam o primeiro passo curioso em escarpa dolorosa que lhes encha os bolsos. Garantem a aniquilação das vítimas que prendem como tenazes. E se o movimento do Maio de 68 comemora trinta e nove anos, a frase de Conh-Bendit “Esqueçam 68, nós ganhámos” desmente outro dizer seu “É proibido proibir.” O amor livre, essa outra bandeira, continua tão livre como antes.
Publicado por Teresa C. às maio 5, 2008 08:11 AM