« OS ALEXANDRES DAS NOSSAS VIDAS | Entrada | SEM PRESERVATIVO QUE SE DANEM OS APETITES »
maio 07, 2008
O (DES)GOSTO DOS GINÁSIOS

Mulher que se inscreva num wellness center – ginásio é termo out, dizem - julgando distrair-se com cópias do David de Michelangelo enquanto relaxa e combate o puxa-para-baixo da gravidade terrestre, desengane-se. Se o herói bíblico, postado em sossego na Academia di Bella Arte em Florença, tem cinco metros de altura, tudo no sítio e a dureza do mármore, os «davidzinhos» dos clubes de bem-estar são deploráveis. Dividem-se em duas categorias: os “Vs” (de)pilados que gemem enquanto os bíceps esticam, não arredando os olhos do incha-desincha como se a definição dos músculos fosse a essência da vida, e os “Outros”. Estes usam calções largos de onde sobram pernas, invariavelmente, desastrosas e têm pêlos onde é suposto – I guess!, que quem vê pernas ignora o que vai pelas áreas pudibundas. Subdividem-se nos escanifrados e nos valentes que guerreiam litros de cerveja, feijoadas e cozidos alojados nos abdómens proeminentes. Nesta divisão, o uso de meias brancas é recorrente.
Outro item que também distingue as categorias dos utentes masculinos é o respectivo comportamento perante as mulheres reveladas pela licra. Os “Vs”, ao olharem-nos, assestam monóculo invisível no grau de dureza da nossa curva traseira. Sem detença, progridem até à postura e à forma musculada dos ombros e antebraços. Os “Outros”, sendo heteros, são normais – vão do rabo às mamas, depois catam montes de Vénus que a justeza das calças exiba. Embasbacam, quando abrimos e fechamos as pernas no abductor sel, com a discrição de um sapo ao esticar a língua para caçar alimento. Os “Vs”, não - avaliam com sobranceria a nossa execução dos abdominais e o levantar dos pesos.
Abordar uma mulher entretida na Wave ou em exercícios pélvicos, culmina as diferenças entre os espécimes cujo habitat precário é o ginásio (sorry!, wellness club or center). O “V” pede licença, corrige o exercício e fundamenta tecnicamente a intervenção. O “Outro” dardeja olhar que pretende significante e só detém a mulher por estar convicta de poder assistir a uma apoplexia em qualquer instante.
Fossem os homens que connosco partilham os treinos como o sereno e belo David, e mais mulheres trocariam artifícios cirúrgicos pelo tranquilo desafio com o próprio corpo num ginásio (shame on me!, wellness club or center).
Publicado por Teresa C. às maio 7, 2008 07:40 AM