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maio 06, 2008
OS ALEXANDRES DAS NOSSAS VIDAS

Steve Rosendale
São atentos, dedicados, cobrem-nos de mimos. Dizem amar-nos. Das mil maneiras, inventam mais uma para nos cativar. E cativam. Porque a ternura nunca é demais e pelo registo cúmplice, uma vez com eles envolvidas em lençóis comuns, chegamos a verbalizar a palavra amor. Que nem é mentira naquele instante preciso – a insanidade dos sentidos eleva a mil potência de base dez. Na teia docemente urdida, alojamos nostalgia do haver, o desejo de tudo ser mais do que é. Porque a razão é malvada ao intrometer-se nas acarinhadas ilusões, espicaça a verdade dos sentimentos e vai escasseando no verbo o “amo-te”. Ao dar por isso, já é tarde para colmatar o prejuízo ao outro e a nós feito. E não quereríamos ter dito o que dissemos. Experimentar o sentir dúbio do não é, mas podia ser. Arrependimento? Nem por isso. Houve momentos felizes, puros e sãos. Ambiguidades e incertezas? Trocar os «bês» pelos «vês»? Sim, é certo. Quem pelo mesmo nunca passou, não atire pedra. Não fossem os Alexandres, como identificaríamos a majestade dum grande amor?
A Leonor Barros é, doravante, a cronista das terças-feiras. Escreve, e que bem o faz!, aqui e “Na Curva da Estrada”
Publicado por Teresa C. às maio 6, 2008 05:46 AM