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maio 14, 2008
QUANDO ELA TREME

Daniel Bilodeau
Pode ser de quietude o estado. Parecer mansa e terna ou afadigada num dia comum. Acordar risonha. Entardecer dourada. Pode, num repente, mudar. Quando das entranhas vem o rugido, entra em convulsão. Sem que parto ou prazer húmido explica a doudice. Sendo feminino o género, não é mulher.
Que a Terra enlouquecemos, é certo. Mas quando ela decide o fragor, abre rasgos no que fora chão plano, destrói as obras dos humanos e estes com elas. Esgotada a energia que o grito causou, são gritos outros que ficam – dos feridos e daqueles que amavam os mortos. Milhões, porque a China é grande também em gente.
Há muito, pouco para quem a habita, que a terra portuguesa apenas solta vagidos e se esvai em tremuras suaves. Dela afirmam ser de risco o centro e o sul. Que as plataformas onde assenta se procuram. Que num amanhã, hoje?, talvez colidam e ralhem ou que venha do chão do mar a zanga. E se for? Será nosso o tempo do sofrimento. Antes que chegue previno-me: dos que amo cuido e conto-lhes do meu amor por eles.

Publicado por Teresa C. às maio 14, 2008 07:31 AM