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maio 03, 2008
RAPIDINHAS

Carlos Diez
«Rapidinhas». Quantos não lhes conhecem delícias e incidentes picarescos? Classifico-as em duas categorias.
- «Rapidinhas» sem sal. Dietéticas. Estafadas. Remedeios. Passada a fase de nos despirmos para o amor e chegada a do pijama, o calor da cama mais o corpo ao lado despertam o desejo e acontece a «rapidinha». Instituição masculina na conjugalidade. Alinhamos do mesmo modo que comemos insípidos gelados de baixas calorias em reserva no congelador - sabem a pouco; apetece recorrer a uma gelataria para nos lambuzarmos com sorvetes dos mais calóricos que houver.
- «Rapidinhas» picantes. Apetitosas como chamuça acabada de fazer. Associadas ao frémito do proibido e à transgressão. Impetuosas ao desatinarem emoção e corpo. Aquele olhar que nos deixa loucas, enquanto fruímos da bebida num final de tarde na esplanada do Albatroz, pede sequência. Não pode passar impune. Tentamos ficar pela brincadeira dos lábios e língua na beira do copo, mas não dá. Por essa altura já os corpos se inclinam, e, antes que um dos dois vire a cadeira de pernas ao ar, viram-se para outro lugar. O mais à mão e que demita o mau senso de percorrer a Marginal até casa com os sentidos atormentados. Porque a segurança rodoviária merece, o Código da Estrada devia contemplar «rapidinhas» em trânsito.
Publicado por Teresa C. às maio 3, 2008 02:11 PM