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maio 08, 2008
SEM PRESERVATIVO QUE SE DANEM OS APETITES

O Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa divulgou, terça-feira, os resultados daquele que é considerado o maior estudo alguma vez realizado sobre a sexualidade dos portugueses. Objectivo: analisar os comportamentos “numa perspectiva de práticas, representações e identidades bem como de atitudes preventivas sobre a infecção HIV/Sida”.
As conclusões confirmam dados antigos. Os homens têm maior número de parceiras, traem mais, declaram maior frequência e gratificação nas relações sexuais que iniciam dois anos antes de nós (por volta dos dezassete anos). Nada de novo. Não ficou esclarecida a perplexidade das mulheres de ontem e de hoje: na horizontal, na oblíqua ou na vertical eles dão-se por contentinhos, independentemente do prazer obtido pela parceira.
Foi concluído que aproximadamente 60% dos portugueses não usam, não usaram e não tencionam usar preservativo. Penderia o queixo pelo espanto, não fosse atávica a lusitana rebeldia à mudança de costumes. Ainda lembra a dificuldade em interiorizar nos condutores a utilização do cinto de segurança. Cumprir limites de velocidade, ter seguro válido, documentos em ordem e automóvel afinado obrigou à fiscalização da polícia e multas. A entrega da declaração anual do IRS é feita sob a coacção de coimas e maçadas. Que tememos tanto, ou mais que a polícia.
Fossem os actos sexuais passíveis de policiamento e encargos onerosos, teriam mudado os usos. Mas não. Ora, sendo tirada à Monsieur de La Palice que são precisos dois para fundar império dos sentidos, e admitindo, malgré a óbvia falsidade da conclusão, que apenas 0,7% dos portugueses são homossexuais, as mulheres têm culpas no cartório. Vem a calhar sublevação feminina – sem preservativo que se danem os súbitos apetites! "Em vez de", um duche. Bem frio.
Crónica publicada ontem no PNET Mulher
Publicado por Teresa C. às maio 8, 2008 07:58 AM