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maio 19, 2008
SÍNDROMA GABI

Voris Vallejo
Atinge ambos os sexos por serem precisos dois para o síndroma vir à tona. Mulheres famosas dão rosto e testemunho. Marília Gabriela e o actor Reynaldo Giannechini, vinte e quatro anos mais novo, sustentaram prolongado matrimónio. Pioneiros na ruptura do statu quo habituado ao síndroma Lolita – enlaces escaldantes de homens com décadas de avanço a meninas disponíveis para seduções serôdias. O Brasil fornece exemplos que são manchete nos tablóides: a belíssima Sónia Braga e o actor Sidney Sampaio com 29 anos a menos; Marisa Monte é para cima de década e meia mais velho que o marido; Elba Ramalho está casada com Gaetano Lopes, atrasado na idade 28 anos. Em Hollywood, o mesmo: Cameron Dias, 32, namora Justin Timberlake, 23; Gwyneth Paltrow, 31, e o líder dos Coldplay, Cris Martin, 27; Demi Moore, 42, trocou o semiparalizado pelo botox, Bruce Willis, por Aston Kutcher, 16 anos mais novo. Em Portugal, a Teresa Guilherme fez o mesmo.
Os preconceitos vigentes caricaturam o síndroma Gabi: eles são gigolôs interesseiros, elas Madames de Chatterly ou de Bovary, emocionalmente frágeis e que atravessam tediosos desertos sentimentais. No síndroma Lolita, a ninfeta é descrita como uma pubescente sexualmente precoce que, por remeter para a transgressão pedófila e para o elixir alquímico da longa vida, explora (des)equilíbrios nos homens de meia-idade. Em qualquer das situações, a fracção reptiliana do cérebro masculino manipula a conjuntura. O mito da “mulher-serpente” e o da “mulher vítima fácil” persistem nos estereótipos. A infidelidade feminina engloba ambos e é vista como contra-natura por não privilegiar o zelo pelas crias e o respeito devido ao macho. A infidelidade masculina enquadra-se na legítima proliferação do sémen que garante da espécie a continuidade.
Para trás ficou o conceito de Honoré de Balzac relativo à “La femme de Trente Ans” que, havendo beleza ou atracção, a ciência e as sociedades esticaram até aos cinquenta e muitos. O lado deliciosamente perverso desta realidade é o apetite suscitado pelas mulheres ditas balzaquianas. Afirmações avulsas dos novos candidatos a Vandenesse:
“São mais pacientes, mais compreensivas, e ensinam-nos a sê-lo também".
"A mulher madura tem mais experiência, sabe vestir-se e sugere um despir novo. Capta a atenção apenas com um olhar.”
“Se uma mulher quinze anos mais velha está connosco num namoro sério, com certeza é porque dá mais valor ao diálogo, à compreensão, ao respeito".
"Numa roda de amigos, olhamos para as meninas da nossa idade. Mas uma bela balzaquiana não a perdemos de vista.”
"Entre namorar uma garota da minha idade e uma mais velha, prefiro a balzaquiana. Para ela não sou uma conquista, mas um desafio perpétuo."
“A diferença no amor entre uma rapariga e uma mulher é simples: a rapariga cede, a mulher escolhe. Existe maior lisonja ao ego masculino?”
“Síndroma Gabi” ou “Complexo de Édipo”? Nem uma coisa nem outra e tão somente sinal da contemporaneidade?
No “La Femme de Trente Ans”, Honoré de Balzac escreveu:
“Enfin, outre tous les avantages de sa position, la femme de trente ans peut se faire jeune fille, jouer tous les rôles, être pudique, et s'embellit même d'un malheur. Entre elles deux se trouve l'incommensurable différence du prévu à l'imprévu, de la force à la faiblesse. La femme de trente ans satisfait tout, et la jeune fille, sous peine de ne pas être, doit ne rien satisfaire. Ces idées se développent au coeur d'un jeune homme, et composent chez lui la plus forte des passions.”
Nota: "Divagação" publicada aqui
Publicado por Teresa C. às maio 19, 2008 07:45 AM