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maio 17, 2008
TEXTURAS POLPOSAS E SUCULENTAS

Chris Beaumnont
Os entendidos prevêem que as cerejas da Beira Baixa fiquem pela “hora da morte”. E se a expressão popular a cada dia adquire consistência no sentido – cangalheiro, urna, coroas floridas que somente consolam os vivos, velas e panejamentos originam contas caladas que os defuntos não pediram. De volta à carestia das cerejas do Fundão e arredores, a culpa cabe inteira às bátegas de água deste Maio indeciso.
Eu, que adoro mordiscar texturas polposas e suculentas, entre elas as das cerejas, conformei-me, não sem íntima revolta – até na fruta o cidadão comum, cada vez mais pelintra, fica condenado à compra de espanholadas. Ora bolas!
Porque as palavras são como cerejas, temo que dumas e doutras Maio não me traga abastança. Apetecem-me palavras novas, doces e rijas, que me encham a boca e apeteça experimentar. Nas quais me lambuze e ouse a rendição. E não temo capitular pelo provimento de audácia que os genes e o histórico pessoal construíram. Pela liberdade do pensamento que as atitudes dita, somente rejeito ajoelhar perante causas cobardes ou tirânicas.
O escritor António Lobo Antunes subscreveu hoje a petição em linha Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico - assinatura nº 27223.
A petição está em linha em http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa e continuará aberta a receber assinaturas.
Às 18h00 de ontem ultrapassou as 28.000 assinaturas.
Publicado por Teresa C. às maio 17, 2008 10:12 AM