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junho 30, 2008
ONDE SE FALA DE TUDO E DE NADA

Mark Hfine
Três alegrias no balanço da semana que terminou
- Primeira: os carrancudos alemães penaram até ao final da Final. Angela Merkel aplaudiu lances prometedores sem que o marcador obedecesse à suposta majestade ariana. Don Juan e Zapatero, assisados, esperaram o riso final – de todos, o melhor.
- Segunda: Mugabe venceu a segunda volta das eleições e, pela sexta vez, tomou posse como presidente do Zimbabwue. Apressou o anúncio da vitória no velório de um familiar. Foi coerente: exibiu a sensibilidade com a qual encomendou a morte e tortura de oitenta membros da oposição. Vinte e oito anos de ditadura terrorista, mais os que se avizinham, começam, finalmente!, a envergonhar alguma África. A que pelo poder conta, a do Sul, opõe-se à suspensão do Zimbabwe da Comunidade Britânica. Decisão apoiada pelo Ocidente, incluindo a Austrália. Moçambique é um dos países membros da Commonwealth que também está contra a expulsão do Zimbabwe. Até entendo: 90,2% dos votos é obra!
- Terceira: o Ministério da Justiça vende portáteis aos advogados a cento e cinquenta euros. Acho bem. Se professores e alunos beneficiaram de semelhante iniciativa, os profissionais que, à hora, cobram valores escandalosos, por cada consulta jurídica compram três computadores. Abastecem família e amigos no respeito da lei terrestre: “quando o sol nasce, é para todos”. Escrupulosos. Sempre.
Publicado por Teresa C. às 09:21 AM
junho 29, 2008
NÃO-AMIGA DORMIDA

Alexandra
Raramente falavam pelo meio que a distância impunha: o telemóvel. Anunciava hoje que a queria amanhã. Havendo incompatibilidade de agenda, “daqui a duas horas e meia estou aí”, dizia. Ela assentia, ou não. E ele chegava duas horas depois. Ligava ao estacionar – “custou a espera?” Serena, ela respondia: “Já abri”. Após o abraço e antes do beijo, ele pedia como favor exclusivo: “calça, por favor.” E ela, vestida de transparência mínima violeta encimada por triângulos de renda enlaçados no pescoço, surgia num vou-ali-volto-já acrescentando aos noventa e cinco centímetros de perna os stilettos prateados. Descalçava-os entre dois goles de Moët et Chandon – a loja Gourmet falhara a entrega do Cristal Brut Louis Roederer.
Enquanto a noite de sono deslizava, ele nela procurou a feminina curva da barriga. Na volta concâva onde era suposto encontrá-la, quedou o gesto. Não acordasse a não-amiga dormida, pousou na anca a mão. Mal ele sabia que setenta e duas horas atrás, outro ficara tão perplexo quanto ele. Semelhança que ela calou.
Publicado por Teresa C. às 11:03 AM
junho 28, 2008
“DESABAFOS DE QUEM AMA ATÉ MAIS NÃO PODER”

Boris Valejo
“Continuas fechado na tua ostra? Fechado a sete chaves, com medo de abrir o coração a uma plebeia como eu?” – começo de um texto que parou sob os meus olhos. Não me interessa o léxico, a forma ou a semântica. Não estranho que intelectos cheios de impantes recursos desdenhem dos “Desabafos De Quem Ama Até Mais Não Poder”. Lobrigo a ironia dos (des)encantados de si ao lerem esta frase da Mulher: “Nunca me prometeste nada, nem eu quis que de outra feição fosse. Minto, prometeste mostrar-me Paris, que conheces como ninguém”. Lágrimas secas que somente no monitor suponho verter. Verdades pungentes escorrem das teclas. Um blogue discreto sem outra ambição que a intimidade do registo. "Only for my eyes" é subtítulo que nele poderia constar. Porquê substituir por fumo duma chaminé virtual uma Moleskine? Ingénua questão!... Pela distância analítica que àquela Mulher permite repensar instantes ao ler-se enquadrada num fundo azul.
“Onde estás? Encrostado numa ostra que teima em não abrir mão da sua pérola?” Um amor. Distância imposta. Um homem que pelo silêncio canta as palavras do Carlos Tê - “Não queiras saber de mim, esta noite não estou cá”. Mas está a Mulher que escreve “Gostava de poder ter essa ostra comigo já que a pérola não sai do meu coração.” Acrescenta: “Sou teimosa, como já me disseste várias vezes, mas continuo com esperança que, algures no tempo, a minha ostra ainda venha a servir de abrigo à tua pérola. E nesse dia, porque não, provavelmente a última vez, dir-te-ei que a minha concha já está preenchida”. Quantas luzes mirram e passam da condição de faróis a pingo de cera que papel pardo absorve? Fim possível; não para esta Mulher. Amará, ternamente, ainda que o silêncio cante: “Quando a tristeza bate/ Pior do que eu não há/ Fico fora de combate/ Como se chegasse ao fim/ Fico abaixo do tapete /Afundado no serrim.”
Publicado por Teresa C. às 11:04 AM
junho 27, 2008
A SEDA DESCAÍDA DO OMBRO

Drudwyn
É tão fácil escrever sobre miudezas. Assinar indignações pelos juizes amassados no Quartel dos Bombeiros de Santa Maria da Feira. Apavorar, os já de si atemorizados trabalhadores, com a chegada das 65h por semana laboral, diminuindo o exíguo descanso nocturno dos médicos e outros profissionais. Bem contadas, asseguram atingirem as setenta. Novo motivo para rebelião. E falam do que me soa fútil e a tantos parece decisivo. Porque o «ser» é mudança, estranho anestesiados modos de vida. E pus de lado a menina da rádio costumada. A mulher ouve, agora, música digitalizada. Trabalha, escreve e lê. Reorganiza o espaço doméstico. Atravessa meia-Lisboa para emoldurar originais em acervo. Pede urgência, habituada que está a esse modo de estar. Alinha, por cima, as molduras coordenadas no tom. Persiste no verde-lima e no pérola. Descobre sacos marroquinos e sedas indianas que há muito esquecera nas caixas. Atende à harmonia dos sons que lhe acompanham os pés nus. A seda triangular que a envolve descai do ombro passo sim, passo não. Alinha velas multicolores na base de bétula. Ordena livros, memórias e presente. (Des)Alinha fotografias. Espera o perfume que, pela madrugada, ao dela irá misturar-se. Diluída em aromas e semi-luzes, quase esquece quem é.
Publicado por Teresa C. às 09:44 AM
junho 26, 2008
POR ORA, ACABOU A "VIDA DE PRENHA"

Steve Hanks
Que me seja desculpado o desvario, mas soubera eu cantarolar, escolheria um “Hosanna” terreno que ao infinito elevasse o louvor.
Ao Manuel, aos pais e ao padrinho, cronista no PNET Homem, endereço um rasgado sorriso de parabéns.
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Publicado por Teresa C. às 02:04 PM
CARÍSSIMO ******* *****,

Autor que não foi possível identificar
É fascínio de que fruo atentamente o andar da roda da fortuna que, após longo interregno, nos (re)aproximou. Passados anos, não fossem teclas afáveis e comuns, para cada um o nome do outro restaria memória de idos enleados em escritas.
Lembro a timidez da novata que então era nos enredos da rede literária. Lembro teias bem urdidas onde a palavra reinava ao serviço das emoções. Lembro o pretexto que ali tantos trazia, quando pouco mais interessava do que o empolgante jogo da palavra ao serviço de ideais e valores. E a estética no estar. As suas picardias. O gume afiado da frase curta que esgrimia como poucos. O toque blasé dos seus textos e comentários. Os sublinhados, polidamente jocosos, que me endereçava. O meu prazenteiro desprazer ao lê-los.
Por cansaço do tempo ali consumido, despedi-me. Durante meses – um ano?-, esqueci o sensual prazer da escrita. Não fora a Cookie (Lulu), e seria omisso o reencontro das palavras de um e de outro que a infinita rede óptica unira e reuniu. Quem diria que uma Vidente daria à luz a Tati e, depois, a Teresa C.?
Grata por me contar de si.
Beijinho,
Teresa C.
Publicado por Teresa C. às 09:33 AM
junho 25, 2008
CHORNAL DO (INA)CREDITÁVEL

Autyor que não foi possível identificar
Situação - Uma viagem
Ano 1978 - Viajas num avião de TAP, dão-te de comer, convidam-te a beber seja o que for, tudo servido por hospedeiras de bordo espectaculares, num banco onde cabem dois como tu.
Ano 2008 - Entras no avião a apertar o cinto nas calças, que te obrigaram a tirar no controle. Enfiam-te num banco onde tens de respirar fundo para entrar e espetas o cotovelo na boca do passageiro ao lado. Não protestes, pois quando aterrares enfiam-te o dedo pelo cú acima para ver se trazes drogas.
Situação - Dia de mudança de horário de Verão para Inverno
Ano 1978 - Não se passa nada.
Ano 2008 - As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e diarreia.
Situação: Fim de férias
Ano 1978 - Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai trabalhar.
Ano 2008 - Após o regresso de Cancún, viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e diarreia.
Situação - O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.
Ano 1978 - Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008 - A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar. O Jornal de Notícias faz primeira página dedicada ao tema. A TVI insiste em colocar a Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal.
Situação - O Luis parte o vidro dum carro no bairro dele. O pai tira o cinto e dá-lhe umas "quantas".
Ano 1978 - O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, chega à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.
Ano 2008 - Prendem o pai do Luís por maus tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém, durante meses, o caso em estudo, bem como o “Você” do Manuel Luís Goucha.
Publicado por Teresa C. às 11:11 AM
junho 24, 2008
COMO UM CAMIÃO TIR

Autor que não foi possível identificar
Até ontem, senti-me como se um imponente camião TIR me tivesse confundido com asfalto e rolado, com indiferença, por cima. Numa travagem súbita, derramou a mercadoria sobre o «eu» espalmado debaixo dos pneus. Arrasada por império de comoções – motins que tomam de assalto o espírito e tentam (des)contruí-lo virando os alicerces para o ar. O corpo dorido como vívida memória do cerco guerreiro e da alegria entretecida com fios de saudade e afectos em chama.
Se dos momentos felizes somente forem vistos palmas e foguetes, é certo o engano. Porque palmas entusiastas encarniçam as mãos e da ascensão foguetória, ainda por alcançar o pico de altura, as canas, em hipérbole, vêm directas ao chão, é incerto o tempo do “salve-se quem puder”. Não raro, embatem nas cabeças deslumbradas pelo estralejar colorido.
Seja pelas horas do depois, ou porque o ser oculta capacidades notáveis de reconstrução, já as palavras correm fluidas e o pensar desliza sereno. É sempre assim. Por isto não temo excessos de emoções e me entrego indefesa. Pouco vale a pena além da intensidade no viver. E que venha a frota inteira de camiões. Que desbaratem o carrego em cima do que sou. Não os temo. Sei da força, sei do valor dos afectos familiares, sei do modo como o «eu» enriquece e sai fortalecido das hetacombes felizes. Venham mais!
Publicado por Teresa C. às 11:58 AM
junho 23, 2008
QUANDO AS BRUXAS SÃO LEGIÃO

Carlos Diez
Nos mundos teocráticos de anteontens históricos, a transgressão da fé podia ser política ou sexual. Por isso os inquisidores puniam as mulheres, expurgando o mal nascido pela fatalidade do corpo sexuado. Rectidão e justiça eram qualidades fugidas do feminino, por via do nascimento de uma costela torta de Adão. Copulariam, não somente para perpetuar vida - comose esperaria de espírito mui recatado-, mas também por diabólico prazer. Pela fertilidade, a mulher era vaca sagrada, pela capacidade orgástica e pela malícia, viciosa. Feiticeira à conta da íntima relação com o demónio que lhe habitava as grutas do corpo.
Romperam-se dois tabus que "mataram" socialmente as feiticeiras: a inserção no mundo público e a procura do prazer sem repressão. De podres caíram dois pilares da opressão feminina: controle da sexualidade e reclusão ao privado. Advém que as bruxas são hoje legião. Bruxas, que não correm já o risco de serem queimadas vivas, integram o feminino da história.Resgatam o prazer, a solidariedade e a união com a natureza. Finalmente, vingadas as bruxas medievais.
Publicado por Teresa C. às 08:01 AM
junho 22, 2008
PASSADO O TEMPO DE LOLITA

Alain Aslan
Seria tão difícil assim? Só queria um homem divertido, que não se levasse demasiado a sério, que fosse terno e a inspirasse. Abominava o tipo de homem cujo propósito é entrar nos vestiários dos ginásios e revelar-se em toda a sua glória aos outros homens, e, de seguida, dominar a fêmea.
O António fora a doença de que ainda convalescia. Ela, que nunca fora de esperar sentada a concretização dos sonhos, não tinha, agora, vestígio de ânimo para encetar caminhada. Para quê, perguntava-se, se no final o resumo é desassossego e peúgas alinhadas na gaveta? Joana sabia passado o tempo de “Lolita” e não lhe apetecia reavê-lo. O rosto de trinta e oito anos perdera algum brilho, embaciado pelo naufrágio de sonhos e ilusões. Ganhara pragmatismo e concluíra que o sexo só a perdia se contaminado com volatilidade amorosa. O sexo arquiva-se, o amor não.
As tardes de domingo sempre lhe haviam sido insuportáveis. Já em criança era assim. Os últimos trabalhos de casa, a farda do colégio à espera no cabide, a sombra parda da segunda-feira oprimindo-a. Por isso a segunda era cinzenta, a terça cor-de-rosa, a quarta azul, a quinta cor-de-laranja, a sexta esverdeada, o sábado castanho e o domingo amarelo. Como o sorriso da tia Rosinha, doce como limão. Hoje, girava no carrocel infernal das memórias do António. Aos domingos à tarde, não havia remedeio. As amigas casadas passeavam os filhos, bicicletas, bolas e resmunguices dos maridos. Afivelado o sorriso da felicidade burguesa. Desencantadas, mas normais. Não uma coitada como a Joana - “a menina sabe, aquilo é tempo a mais para ruminar no que não deve; faltam-lhe os filhos e que fazer, percebe?
E percebia. Bem demais. A imagem inquieta que de si devolvia. A cada semana, empalidecido o amarelo dos domingos. Sem querer.
Publicado por Teresa C. às 11:15 AM
junho 21, 2008
COMO O CORAL DO VALENTINO

Barndog
Tenho sido feliz. Continuarei a sê-lo, certeza que arranco das funduras do pensamento. Num percurso cheio, há de tudo um pouco: seixos rolados que apetece guardar para sempre nas mãos, cascalho poeirento que dificulta a passada, aroma a alfazema e a flores das tílias em festa, urtigas dolorosas que na pele fazem prurido e ardor. De muito o corpo pode ter queixas. Não o espírito ladino que mesmo em becos sombrios vê luz no fim do caminho. Por essa luz me alevanto. Por essa suave claridade não temo adormecer. E semi-de-bruços na cama, dobro a perna esquerda sobre a direita preguiçosamente esticada no lençol.
Hoje tenho em festa alma, corpo e coração. Talvez um par de lágrimas me lambam a face. Talvez, faltando um minuto para as duas da manhã, segure uma flute de champnhe e celebre o solstício de Verão. Talvez dance até escoar a madrugada. Certo, certinho, é o açafate de sorrisos que tenho para oferecer. Tão certo como o coral do Valentino apertado no pescoço. Ombros, costas e colo quase desnudo como oração de graças pelos amores que me rodeiam. Porque mostrar o corpo só é gesto impudico se contaminado pela presunção ou malvadez.
Publicado por Teresa C. às 11:12 AM
junho 20, 2008
O AMOR VAZIO DE HOMENS-PAIS SEPARADOS

Yvonne Gilbert
O dia aprestava-se a terminar com fora iniciado: pejado de compromissos e tarefas menores, porém imprescindíveis. Pela ansiedade que Lisboa vestiu desde o acordar que o Portugal-Alemanha dominava, troquei as teses e esperanças dos doutorados em futebol que as rádios propagandeavam pela voz rouca do Rod Stewart enquanto conduzia. Da nostálgica sopa de êxitos do século passado faço contraponto a ociosas convulsões nacionais.
Mal foram pousados sacos, mala, pasta, porta-fatos merecedor de cuidado, a música que identifica número amigo tocou. Escarafunchei a mala em busca do som abafado. A voz chegou pesada de angustia e lágrimas. Afligi-me - jamais a sentira assim. Quis saber o porquê. Silêncio a custo interrompido pelo que entendi como pudor. Pela garantia da intimidade das partilhas, intuí o fio a puxar. Do tudo sentido, ouvi o quase. Chegou. A crueldade que a tantas mulheres descasadas é infligida, era a razão. Sozinhas, os pais dos filhos esquecem a obrigação paternal de contribuir com justiça para o crescimento daqueles que lhes fizeram luzir a alma, vigorando o contrato nupcial. Divorciados, o abandono das responsabilidades pelos ex-cônjuges, para sempre pais, é praga comum. E são elas, as mães, que esticam o ordenado, abdicam de necessidades pessoais e contam os cêntimos diários. Engolem sacrifícios e tentam, aos filhos, assegurar o essencial.
Qual o vazio do Universo onde se esvaem amores e responsabilidades de tantos homens-pais separados? Alegremente, continuam a desbaratar o sémen. Das prioridades omitem as crianças entregues (abandonadas?) à ex-mulher e mãe.
“FIM” – “Acabou-se o Euro. Fim. Portugal foi eliminado. Já não há bandeira que nos ali (...)"
Publicado por Teresa C. às 12:28 PM
junho 19, 2008
UM EURO POR SMS A FAVOR DA SELECÇÃO

Imagen cujo autor nãp foi possível identificar
Um euro por sms a favor da Selecção. Em outdoors disseminados pela cidade, mulher linda e enfeitada com acessórios honrando os luso-boys solicita a contribuição. Na rádio, é divulgada cadeia de bombas de combustíveis que oferece "fita positiva" de fé ou superstição. Preceito: no exacto momento em que nó duplo a aperta no pulso, deve o espírito rumar a Neuchatel, ou ao palco verde em que a bola salte e ressalte e num tiro se encaixe na baliza adversária.
Dos reparos críticos que ao povo português fazemos, jamais constou ou constará ausência de fé. Se outrora era encaminhada para o Altíssimo e para as imagens bentas dos altares, mudando os usos dos tempos, foi alterada a devoção. Hoje, são pedidos teres e haveres, vitórias no Europeu de Futebol, que a todos afague auto-estima roída pelos desaires nacionais traduzidos nos apertos das vidas.
Mais logo, a “nação” – conceito que a história esbateu -, trepará a cume de fé e emoção. Bem pode o Primeiro ministro anunciar rácio de cinco computadores por aluno do secundário até 2009, quadros interactivos, data-show e projectores tecnologicamente avançados em número aumentado de escolas. Se neste instante declarasse criados um milhão de postos de emprego, anulado o défice e a zeros resumida a taxa de inflação, quando muito talvez os canais noticiosos dedicassem um parágrafo por notícia. Não mais. Os espadachins da bola, que na estranja podem dar glória e fama, levariam a mehor.
Publicado por Teresa C. às 07:40 AM
junho 18, 2008
CARÍCIA DE LÍNGUA DILIGENTE

Edward Martinez
Investigou os sítios possíveis. Esgueirou a mão nas dobras e por debaixo dos sofás. Acocorada, depois estendida na madeira, rasou com o olhar o chão. Nem um recanto do espaço familiar foi deixado ao acaso. Ergueu no ar almofadas e lençóis. Nada. Intervalou a procura enervante – mal dava conta da serenidade em défice, parar e iludir a ânsia era recurso comum. Encheu de água o reservatório, ligou a máquina e encaixou a cápsula anil do Vivalto. Durando o piscar do verde, desviou os pequenos domésticos da bancada de granito. Sacudiu a torradeira, ruminando que a suspeita raiava a insanidade.
Mais cheia a chávena que a conta, recostou-se frente à porta-janela costumada. Aroma trepado, dava por certo o declínio da ansiedade. Como sempre que a inquietude se insinuava, sorriu e deu graças pelo horizonte, pela doçura do entardecer de um dia afogueado. Por ali ficou, plácida, como se o perdido houvera sido encontrado. Faltava, porém, o naquela manhã procurado. A carícias sorrateiras não se havia furtado língua diligente. Raptara um brinco do par agora desirmanado.
Intrigava-a o cóio dos objectos perdidos. Multiplicados pelos milhões que a humanidade comporta, será que coisa perdida significa morte dos inanimados? Assim sendo, e porque os objectos não pecam, onde ficaria o paraíso dos sumidos da vista? Sorvendo em pequenos goles o café, abriu o pesado portão que flores, muitas, engrinaldavam. Celestialmente oleado, deslizou com suavidade. Aventurou passos. Organizados em canteiros que o buxo debruava, no primeiro encontrou peúgas em falta nos pares. No segundo, quedavam papéis em resmas. No último dos canteiros, encontrou pendurados em heras brincos que línguas desirmanaram. Por isso luzia a hera. E lá estava, no paraíso dos perdidos-por-achar o brinco que a língua na loucura da noite raptara.
Publicado por Teresa C. às 08:01 AM
junho 17, 2008
HÁ MAIS MUNDO POR AÍ?






Publicado por Teresa C. às 07:40 AM
junho 16, 2008
DAS NOITES BREVES

Alain Aslan
Para trás fica a saudade das noites breves dançadas e o silêncio dos verdes cuja fronteira é o mar.
Publicado por Teresa C. às 07:12 AM
O MELHOR JOGADOR DO EURO 2008

Terry Rodgers
Publicado por Teresa C. às 01:39 AM
junho 15, 2008
DA TRANSPARÊNCIA, O MISTÉRIO

Benjamin Anderson
Vestida de água e luz, é olhado o voo do mistério.

Benjamin Anderson
Flutuando no mistério onde sou, a pele é o que a vista dos outros alcança.
Publicado por Teresa C. às 10:15 AM
junho 14, 2008
NO PARAÍSO HÁ PINHEIROS

Isa Maria
Chegado o tempo das copas redondas dos pinheiros, o azul está a cinco minutos contados em passos.

Isa Maria
Debruçado sobre o mar, O “Papagaio” guarda da areia os tesouros. Eu com ele.
Publicado por Teresa C. às 10:26 AM
junho 13, 2008
CAMA DE PÉTALAS

Steve Bonner
Tempo para o sono numa cama com pétalas

Steve Bonner
Tempo para os nadas-muito.
Publicado por Teresa C. às 10:52 AM
junho 12, 2008
DEVIL EM BLUE JEANS

Drudwyn
Nem sempre o diabo veste Prada. É dos jeans o tempo...

Drudwyn
... e das noites brancas.
Publicado por Teresa C. às 11:05 AM
junho 11, 2008
ONDE OS CAMINHOS SE CRUZAM


Rene Porter
As buganvílias trepam na brancura. De encontros é o tempo. De liberdade, as horas. Porém, o trabalho ainda acena no ciciar das ondas e do crepúsculo. Básico o instinto.
Publicado por Teresa C. às 08:16 AM
junho 10, 2008
ZAROLHO, DESENRASCADO E AFOITO

Anthony Christian
10 de Junho - Dia da Raça. De Camões ainda entendo, ou o defunto não tivesse sido exemplo do desterrado génio zarolho, desenrascado e afoito. O símbolo da gesta dos Descobrimentos e da epopeia portuguesa deu o pretexto ao morrer a 10 de Junho de 1580. Mas da raça... Qual raça se mais não somos que herdeiros de miscelânea de povos? Cruzámos sangues, disseminámos sémen pelas cinco paragens que dizem ter o mundo. De coitos vários nascemos. Por outros tantos povoámos continentes. Se alguma característica nos distingue dos assépticos povos europeus é a da prontidão para a cópula, seja qual fora a raça da fêmea que, acordando a tradição, está por baixo.
No canto nono dos Lusíadas, navegantes e reles tripulantes fornicaram com ninfas entendidas na arte do toca-e-foge. Um deles, Leonardo, desafortunado nos amores, viu mudança no fado por Efire, “exemplo de beleza que mais caro que as outras dar queria”. Mas deu. “Volvendo o rosto já sereno e santo, toda banhada em riso e alegria, cair se deixa aos pés do vencedor, que todo se desfaz em puro amor.” A pertinácia lusa que mais valoroso exemplo podia ter? Centenas de anos volvidos, o Zezé Camarinha das terras algarvias tentou fazer jus à herança.
Arrepia-se a esquerda pelo associar da celebração da raça ao 10 de Junho que o Estado Novo glorificou. Vãs cogitações! Não há raça salvo a que advém da condição de copuladores intercontinentais. Nem assim única - os espanhóis puxaram dos galões literários de Don Juan e fizeram mais do que podiam.
Pela história e nos Lusíadas, encontrem alívio os espíritos canhotos, porém sensíveis. Porque, afinal, mais não foram os nossos heróis que aprendizes indefesos da sabedoria feminina.
“De uma os cabelos de ouro o vento leva
Correndo, e de outra as fraldas delicadas;
Acende-se o desejo, que se ceva
Nas alvas carnes súbito mostradas;
Uma de indústria cai, e já releva,
Com mostras mais macias que indignadas,
Que sobre ela, empecendo, também caia
Quem a seguiu pela arenosa praia.
Outros, por outra parte, vão topar
Com as Deusas despidas, que se lavam:
Elas começam súbito a gritar,
Como que assalto tal não esperavam.
Umas, fingindo menos estimar
A vergonha que a força, se lançavam
Nuas por entre o mato, aos olhos dando
O que às mãos cobiçosas vão negando.”
Nota: "Divagação" publicada aqui.
Publicado por Teresa C. às 10:30 AM
junho 09, 2008
BARACK OBAMA E “SENTIMENTOS MISTOS”

Alex Levin
Publicado por Teresa C. às 05:16 PM
ESVAÍDOS NO NESCAFÉ ESQUECIDO

Emily Zasada
Com prazer e alívio olhou as saquetas do descafeínado da Nescafé alinhados no despenseiro. Até que enfim passados os fins de semana em que viajavam apertadas na sansonite cinza! Quedou o domingo, olhando-os sem saudade. Nem o arrogante, nem o volúvel cúmplice, entre mimos e doçuras, se haviam alguma vez lembrado da frugalidade que ela pequeno-almoçava – leite cujo sabor o inócuo café disfarçasse. A bica do despertar, sim, era razão para apuro. Qualquer deles esmerava o conteúdo fumegante da chávena – o primeiro porque da condição de best off não desistia, o segundo porque dele precisava para fumar o primeiro cigarro do dia. Aquele que meava os trinta, dois (três?) homens atrás, tinha na cozinha um sucedâneo mal-encarado e cujo sabor execrara – adiava a dose de adrenalina matinal para a esplanada virada ao sol sita na praça da cidade velha. Esvaídos nos paparicos e demonstrações viris, nenhum se lembrara de a esperar prevenindo no armário Nescafé sem cafeína. Houvera flores, velas, champanhe, presentes, lingerie, vinhos, esmero culinário e lençóis cheirosos esticados. Minúcia no menor detalhe da estada. Porém, fins de semana depois, continuava em falta o descafeínado que preferia.
No interlúdio da tarde, tirou da embalagem uma saqueta. Num gesto conhecido, rasgou-a e verteu no leite gelado o conteúdo. Debruçada sobre os plátanos-criança, o sol e o vento lambendo-lhe a face lavada, bebericou a mistura. Finalmente, havia paz no horizonte onde o dia à noite passaria testemunho.
Publicado por Teresa C. às 07:36 AM
junho 08, 2008
SEM MAIS DO QUE UM LENÇOL

Declaro oficialmente aberta a silly season neste blogue. Este é o tempo do futebol e dos valentes da selecção. Há, porventura, razão mais mobilizadora e esperançosa para o povo que somos do que as proezas, ou falta delas, conseguidas por via dos pés enfiados em peúgas com as cores nacionais? Que se assemelhe e me lembre, nem horda de assobios ao Engenheiro Sócrates pode constituir rival.
A assunção de estar iniciada a época parva nos meus textos é bem capaz de suscitar o comentário de por aqui ela durar todo o ano. Arrisco e acrescento: martelar na crise dos combustíveis que arrasta a das pescas, da indústria e a penúria dos cidadãos, pela recorrência, cansa. Porque as misérias humanas não têm solução com lamúrias de sofá, opto pela exigência possível no estar que suavizo pela fruição de múltiplos prazeres. O da escrita é um deles. Sendo de sol e mar as previsões, de alegria íntima o meu hoje, arrenego tristezas ociosas que o país e o mundo não alteram. Os dois milhões de pobres em Portugal carecem de pão e dispensam escritos piedosos.
Porque chegaram os dias cálidos, porque foram hasteadas bandeiras lusas nas janelas e montras e nos automóveis, porque vencemos à Turquia, porque é tempo de sardinhas, porque as abençoadas “pontes” laborais se sucedem, porque o Obama vai de vento em popa, porque a Hillary honrou o feminino na política, porque as noites mais não pedem do que um lençol, que se danem as ralações. Na rentrée, é certo continuarem tal-qualmente. Chega de justificações que não devo a ninguém.
Publicado por Teresa C. às 01:24 PM
junho 07, 2008
STRIP PEDINCHÃO

Li que a polícia de Bucareste procura a responsável por pedinchice inovadora. Ocorre nos comboios que atravessam a cidade – presumo semelhantes aos de Praga, pois à capital da Roménia nunca arribei. A singular pedinte selecciona as viagens de maior lonjura. Certa da composição estar isenta de câmaras e de guardas, liga um leitor de CD, programa o tema “You Can Leave Your Hat On”, do Joe Cocker, e inicia strip dançado em torno de um varão da carruagem.

Os afortunados passageiros que assistiram aos espectáculos dizem-na atraente, jovem e com glamour. Findos os sinuosos requebros, veste-se com garbo e inicia a recolha de moedas.

Keith Garv
Infeliz sina a nossa que nem a pedir temos o garbo romeno! É a derrota ou a manigância que estende a mão a quem passa. No metro, na carris, nos cantos das artérias onde circulam multidões, o pedir não vai além das tristezas e das rudes misérias urbanas.
Publicado por Teresa C. às 11:02 AM
junho 06, 2008
UM ÓDIO E CINCO EMBIRRAÇÕES

Audrey Flack
Não fosses querida amiga e garanto não me dispor a matutar no que odeio. Solicitas meia dúzia de ódios. Miro de cima abaixo o meu histórico e não lembro mais do que um. Dando-me tempo, até ao fim da frase engendrarei não o segundo ódio, mas duas embirrações. Porque do que rejeito não como e calo, tenho por uso dizer no instante o que me vai na razão. Arrenego arrastar saco de cinzas, embora quem julga medir todos por si, amiúde, afirme que sim. Engano. Vomito-as na hora. E é leve o meu passo e doces as horas em que a lágrima não arriba e choro mantendo o rosto enxuto. Por esta altura, cheguei à quarta antipatia. A que falta, das cinco, acharei enquanto alinhavo as primeiras. A que encabeça a fila é omnipresente nos passos do meu caminho; as restantes declaro exequo.
- Falsidade. Por si basta. Nada mais adianto.
- Arrogantes. É o mesmo que dizer cagões ou infelizes que em si próprios não se revêem.
- Pessoazinhas. Não são nem deixam de ser e buscam encosto no limoeiro mais prometedor do quintal – raramente possuem quintas.
- Cacofonias de gente.
- Vendilhões do Templo.
- Sapatos com falta de graxa e polimento.
- Falta de sensibilidade e lustro genuíno nos engraxadinhos.
Publicado por Teresa C. às 08:51 AM
junho 05, 2008
LINGUADOS SUCULENTOS E "FUTEBOLÊS"

Autor que não foi possível identificar
Têm estado vazias as bancas do peixe no mercado de Matosinhos. Na capital da moirama, não falta o pescado nacional. Dizia, aos microfones da rádio, uma vendedora no Saldanha que frutos do mar catrapiscados pelas redes nacionais sejam de ontem ou de hoje estão à mesma frescos. Argumento imbatível: “ninguém compra um bovino de uma só vez; adquire-o aos pedaços, tenham uma semana ou mais de frigorífico”. Faz sentido. Porém desconfio que linguados de vésperas não me façam o género - gosto deles suculentos, húmidos e salgados no momento.
Os pescadores rezingam e nada tenho a opor. À uma, os noticiários sobre a querela não me têm informado comme il faut, às duas, se os homens do mar têm queixas contem, desde logo, com a minha simpatia pela bravura nos assaltos aos mares, às três, a nossa frota pesqueira não pára de diminuir. Iria às quartas, não fosse o abuso na extensão da frase. Feito o intervalo, aqui vai: como dizia o Bruno Nogueira no “Tubo de Ensaio” transmitido pela mui estimada TSF, estou farta de comprar produtos do mar mais viajados do que eu. Os camarões-tigre vêm de Moçambique ou de Madagáscar, a perca chega do Egipto que tenho evitado pelos calores desmedidos, o berbigão é das Fidji e o tamboril completou seis Lisboa-Dakar antes da chegada. Uma mulher vai comprar a substância da janta e regressa deprimida. Logo eu que, com meia dúzia de tralhos na mala de cabina, estou sempre disposta a voar para (a)venturosos destinos.
Depois, ali p’ras bandas do “Puerto, carago!”, a vida tem corrido o mal. Não bastava o contranatura silêncio das peixeiras e decide a UEFA afastar da Liga dos Campeões o FêCêPê à conta dumas fraudes banais no mundo futebolês. Que descaro! “Franchement”! Isso faz-se a um clube em azul e branco como os anjinhos dos altares? Manobra da moirama, está bem de ver! Tal como desenrascam o peixe, arranjaram meio de levar pela mão o Benfica ao campeonato milionário. Uns fura-greves e vidas sem pingo de pundonor!
Nota: Divagação" publicada aqui
Publicado por Teresa C. às 09:07 PM
junho 04, 2008
"A ESPERA" E "O GAJO"


Kristine Heykants e Andrew Potter
Cronistas Convidadas no PNET Mulher e no PNET Homem:
Marta B.A. – “A espera” – “Estou aqui há uma quantidade de tempo e não me chamam…
Cada vez que vejo aparecer a enfermeira, julgo que é para mim e quase me levanto, mas lá volto a recostar-me outra vez….
Esta mamografia vai dizer-me o que não quero ouvir, mas sei que nunca estarei preparada para ouvir o que é provável. (...)”
Madalena Palma– “O Gajo” – “Que pode uma mulher escrever numa página com este nome senão a sua opinião sobre os homens?
Os homens. Aquele género, espécimen ou ser onde está incluída a classe “Gajo”. O gajo é aquele tipo de homem sem o qual não se consegue viver mas com o qual também não se pode viver (...)”
Publicado por Teresa C. às 04:37 PM
O "ROUPEIRO" DA SELECÇÃO

Zamknij Okno
Agora sim, ultrapassei a condição de alheira ou couve tronchuda cujas saudades afligem e aqui fazem aportar emigrados. Então não é que pela primeira vez tive uma visita de Neuchatel, aquele lugar da Suíça de que ouvi falar porque abriga os nossos craques da bola? Tremi, emocionada. Querem ver que o bonitão do grupo, o Cristiano Ronaldo, afinal sabe ler mais do que sms apaixonadas das candidatas ao leito dele? Ponderei. Não. Impossível. A primeira frase da minha escrita arrevesada afastá-lo-ia com maior rapidez do que aquela da qual é dito fugir o diabo da cruz. O Nuno Gomes, outro que daria para tomar um café rapidinho - mais seria insuportável! -, não fosse o homem casado? Scolari, quiçá? Nem pensar. É pessoa centrada na família e obcecada pelo futebol que rejeita prestar atenção às arengas duma mulher. Percorri, mentalmente, a lista toda e concluí só poder ter sido um dos “roupeiros” da “selecção de todos nós”. Por certo, levou do Cacém para lá saudades das capitosas mulheres que aparecem por aqui.
Ainda assim me declaro comovida. O transtorno mental foi tanto que, disposta a escrever sobre as bancas do peixe vazias nos mercados, acabei como mulherzinha armada em fina e importante. Caí na ratoeira armada por uma funcionalidade nova que introduzi no contador. Assisada sou quando evito o Sitemeter. Ou me traz plágios ou vaidades precárias.
Domain Name bluewin.ch ? (Switzerland)
ISP Swisscom Fixnet AG
Location Continent : Europe
Country : Switzerland (Facts)
State/Region : Neuchatel
City : Neuchtel
Lat/Long : 47, 6.9667 (Map)
Distance : 993 miles
Language German
Publicado por Teresa C. às 07:55 AM
junho 03, 2008
LOVE & MISTERY OU O PLÁGIO DESTE BLOGUE

Blas Gallego
Uma vil criatura que assina Mistery decidiu construir um blogue - "Love & Mistery" - à custa do alheio. No caso, meu, da “Dobra do Grito” e, quiçá, de alguns mais. Poucos. O “Sem Pénis Nem Inveja” deu-lhe noventa por cento dos escritos. Despudoradamente copiados e sem qualquer anotação que identificasse a autora. O texto de dia 1 foi transcrito na íntegra. Muitos outros lhe fizeram companhia. Por isso recebia recorrentes visitas duma comunidade - bastantes para me encherem o olho - do Windows Live Spaces.
Alertada para o facto, eu que não configurava alguém capaz de se dar a tal trabalho tendo por base este sítio, pasmei. Textos antigos e novos estavam ao molho e com fé num deus. Tenebrosamente ilustrados – esta foi a ofensa maior! Depois, a tal criatura identificava-se com uma imagem de vulgaridade confrangedora. Segue junta a prova.

Para enviar uma mensagem à vampira criatura, penei, mas consegui. Com polimento sugeri-lhe que retirasse os textos e, en passant, deixei aviso que do tribunal não se livrava. Por esta hora, está limpo este lugar: http://solamentemistery22.spaces.live.com/default.aspx. A referida figurinha esqueceu a possibilidade real das provas dos sucessivos delitos estarem gravadas em arquivo e neste endereço: http://74.125.39.104/search?q=cache:0U6iQjjBFC0J:spaces.live.com/api.aspx%3Fwx_action%3DIdentityRedir%26wxp_targetsite%3DPersonalSpace%26wxp_type%3Ddefault%26wxp_cid%3D5097378210333590188%26wx_partner%3DLive.Spaces%26mkt%3Dpt-PT+love+and+mistery&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=6&gl=pt
Quanta saudade das criações elegantes do Yves Saint Laurent ontem finado!... O “príncipe da moda” seria incapaz de óbvia e banal canalhice.
Publicado por Teresa C. às 07:36 AM
junho 02, 2008
"OUT OF AFRICA" OR THE SLEEPING BEAUTY

Bruno Di Maio
Pela metade dos oitenta, era uma mulher deliciosamente cansada. Vida cheia e feliz talvez pelo vício de construir arranha-céus de alegria com pedaços de cascalho. Era o tempo de não perder filme dum realizador que cultuasse. Para arrebanhar aqueles ócios fugidos restringia saídas nocturnas, porque noitadas portas adentro eram mais que as desejadas. Os amigos, que raramente logravam ter comigo cavaqueiras amenas fora de casa, tinham a paciência de esperar que a minha conjuntura aprontasse coincidentes disponibilidades. De raro em raro, acontecia. A Isabel e o Carlos, o Alexandre, a Margarida e o Joaquim espicaçavam-me com propostas divinas. A mais teria acedido pelo afecto que lhes tinha, mas a família era prioridade que não podia descurar.
Pela longa história de menina da rádio, dos livros, bailado, teatro e cinema, mal o quotidiano abrisse janela de oportunidade, aproveitava-a. Calhou uma quando em Lisboa estreava o “África Minha”. São Jorge, noite de sábado, tomei assento no, para mim mítico, escurinho do cinema. Reverenciava Meryl Streep e Robert Redford. No “Kramer contra Kramer” tivera sempre à mão lenços de papel que inundara de lágrimas e ranho. Não sendo de choro fácil, lembro o filme mais pelo desarranjo da fungadeira do que pelo mérito. Mas era a savana de África que desfilava no ecrã como cenário de um difícil amor. A pé desde as sete da manhã, o conforto dos amigos, a quentura da sala, a banda sonora e o aconchego do veludo embalaram-me. Adormeci como anjo em cama de nuvens. Estremunhada, acordou-me o restolho da debandada dos flamingos. Motivo de risota amigável ainda hoje lembrada no grupo.
Da carreira de dorminhoca pública, foi o começo. Salvo no bailado, após o intervalo era certo o meu sono descansado. Confesso ter dormido na Comuna, no Teatro da Graça, e na quase totalidade dos teatros de Lisboa. Alcancei o cume na carreira um par de anos depois - tive a inaudita audácia de adormecer num bar ao lado de potente coluna de som. A partir daí, foi o declínio. A um cume segue-se, fatalmente, um nodo. Até hoje.
Publicado por Teresa C. às 07:34 AM
junho 01, 2008
AMO-VOS TANTO, SABEIS?

Arthur Egeli
Tenho saudade do tempo das minhas noites de sono curto. Aos dias pequenos habituei-me desde menina. Agora, como então, sobram planos e tarefas para o acordar seguinte, se chegar. Alonguei as horas dormidas e delas fiz e faço reserva para noites delirantemente longas. Preciso dumas e doutras por ser mulher inteira.
No tempo das noites curtas, havia choros infantis, mãozinhas sapudas que chamavam pelo meu colo. Havia birras e cansaço, alegria em cada um dos pares de olhos que nos meus se compraziam e eu neles. Havia pretexto para festas muitas em cada dia. Havia braços roliços pendurados no meu pescoço. E colo. Sempre colo, meu e deles. Nem um dia passava que não fosse das crianças e dos pais. Da mãe.
Hoje, olho-te e já não são curtas as noites. Longo o dia em que te não sinto perto o sorriso diferente e igual ao deles. E amo-te tanto, sabes? Um livro, como quando as noites eram curtas, será o presente de hoje e de ontem, mesmo quando não é celebrado o dia oficial da criança. Vem ter comigo à porta como costumas fazer. Corre para o sofá na certeza de que te sigo. Não pegues num livro qualquer. Espera por este. Depois, aninha-te no meu colo. Enquanto te beijo os caracóis, ri e mexe nas pontas longas do meu cabelo. Como de costume fazes quando corro para ti e tu para mim.
Filipa, Gonçalo e Afonso – amo-vos tanto, sabeis?
Faço minhas as palavras do Manuel S. Fonseca e celebro a vitória de Manuela Ferreira Leite, mulher que do alto dos seus sessenta e sete anos é a primeira a dirigir um dos maiores partidos portugueses.
Brilhante, querida Rita! Aplaudo, subscrevo e divulgo.
Publicado por Teresa C. às 11:03 AM
“PRÓS E CONTRAS” OU ST. JULIAN’S SERÔDIO

Blake Flynn
Um não-amigo, conto alguns, persiste no cultivo do meu intelecto por via da RTP2. Devo-lhe a generosidade da lembrança e a bondade do julgamento desta leda cabecinha. Olhando para o monstro mudo, propus-me saber do caos da nação. Na 1, os “Prós e Contras” prometiam angústia para seroar. Fosse pelo estado de “tásse bem!”, ou pelo rescaldo de um dia cheio, aceitei o desafio que me propus.
Tendo-me corrido mal, por falta de engenho e verbo, a crónica da semana no PNET Mulher, descansei as teclas – não prometiam que delas saísse nada melhor. Um a um, os pontífices foram apresentados pela estridente Fátima Campos Ferreira. Que me perdoem, mas pareciam meninos do St Julian`s em versão serôdia. Explico: very cool na postura, idênticos na farpela, no duplo-queixo e nos narizes inchados de prestígio. Não os soubesse figurões da sapiência e do poder, voltaria à malfadada crónica e passaria em rodapé: “homenzinhos”.
Das banalidades que ouvi, ressalvo a ousadia de um cientista político(?) cujo nome desconheço. Como soe dizer o referido não-amigo, um engraçadôncio! Entre outros nonsense, afirmou mover-se o PSD a diesel e o PS a gasolina. Faltou explicitar qual delas. Mais à frente, debitou tirada à Monsieur de La Palice – o engenheiro José Sócrates é melhor do que os outros porque tirou o curso numa universidade obscura que não lhe encheu a cabeça de merdas (as merdas são minhas). Foi o único momento em que dei por bem empregue o tempo.
Comentário final: malvado St Julian`s que obriga alvas camisas. Um tédio! Outro não-amigo que muito prezo arrisca camisa Façonnable com gaivotas em cerimónia de estadão. Isso, sim, é ousadia!
«Ce que j'ai écrit, je l'ai écrit.», Pôncio Pilatos.
«Quand c'est rugueux, c'est pas lisse» Jacques Lanzmann
«Je pense que nous sommes d'accord : le passé est révolu.», George W. Bush.
«La plupart de nos importations viennent de l'étranger» George W. Bush
Nota: Afirma o não-amigo que me cuida do intelecto, que a minha imagem faz lembrar esta imagem com “handicap e outros conteúdos”.
Publicado por Teresa C. às 08:53 AM