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julho 10, 2008
ANDARILHA DOS SETE COSTADOS

Greg Horn
Andarilha dos sete costados, calharam na rota bairros sociais. Sol no zénite, temperatura amena, dois quilómetros de peregrinação. Ao volante, pouco é semelhante ao que vi. A surpresa maior é o cumprimento dos desconhecidos que comigo cruzaram o caminho - um “Boa tarde” amistoso é raro na cidade grande. Ouvi vários. Correspondi, deliciada. Do mesmo lembrava nos arrabaldes de Vila do Conde e na Beira onde, enterradas, tenho raízes e floresce parte substancial dos meus verões.
Prédios comuns despojados de artifícios que denunciam statu quo. Há rostos idosos nas janelas escancaradas do rés-do-chão. Mulheres sentadas nas soleiras. Homens assentados à volta de mesas de pedra onde poisam as cervejas e ditam lances nas jogatinas para entreter ócios e fastios. Reformados os idosos, desempregados os mais novos, ou fruindo da simplicidade das férias.
Há jardins relvados entremeados por roseiras de folha graúda, improváveis nas cores e robustez. Saudável desprezo pelo desenho dos arquitectos paisagistas. Os moradores tratam dos espaços comuns com zelo, à semelhança do que fariam se o espaço verde fosse exclusivo de cada um. Um canteiro pode rodear o jacarandá original, ou um chorão que o vizinho plantou.
Pela roupa estendida nas fronteiras dos edifícios é feita a distinção dos condomínios vigiados por câmaras, seguranças em permanência e jardins privados. Impera como destrinça a afabilidade que abrange vizinhos ou não. E esta, sim!, é fundamental.
"A falta que me faz escrever, é como a saudade do cheiro do mar para quem vive no interior.Um (...)"
"Autêntico" - "Nós já desconfiávamos mas o Medina Carreira hoje disse-o de forma a não (...)"
Publicado por Teresa C. às julho 10, 2008 09:04 AM