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julho 29, 2008

“BOM DIA, MEU AMOR!”

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Arthur Braginsky

Levantou-se pelas nove da manhã. Era domingo. Não acordasse os dormidos, pôs-se ao ferro de engomar. Sem empregada, casa composta de pai, ela, a mãe, e dois filhos, constatou: - há vinte e dois anos casada, nunca fui acordada com um beijo e o sussurro “ bom dia meu amor!” Ligou-me com o ferro no descanso e lágrimas na voz, seria hora de almoço, havendo naquela casa união. Que não há. Interpôs divórcio há dois anos e metade de outro. Portas adentro, tem um cretino que sustentou tempo demais. Automóveis, statu, férias, refeições, empregada a tempo inteiro, despesas dos filhos, tudo por conta dela. Fartou-se. Esgotou o papel de trouxa. Contratou advogado e pediu o divórcio. Que ele não dá. Afirma ao juiz que está bem casado e da condição não sai por vontade própria. Pudera!, deixou de trabalhar. Vive do subsídio de desemprego e às custas da candidata a ex-mulher. Fica na cama até tarde. Entra e sai quando lhe apetece. Esbodega-se nos sofás frente à televisão. Para ele, o quarto ensuite no condomínio de luxo. Para ela o sofá num canto do salão, a roupa pendurada num chariot. Na violência de um conflito, partiu-lhe um dedo do pé. Ela continuou, coxa, o trabalho de executiva brilhante na multinacional de renome. Entra cedo e sai tarde – porque é preciso, por ter receio de regressar a casa. O mundo dela desmorona-se. O dele continua inteiro. No tribunal, espera-a audiência, que deseja última, para os finais de Setembro. Ele deseja continuar casado. Uma ressalva: se for posto em nome dele o apartamento que ela comprou, declara-se pronto a dar por findo o contrato conjugal.

CAFÉ DA MANHÃ
A ler: Leonor Barros

Publicado por Teresa C. às julho 29, 2008 08:45 AM