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julho 22, 2008
DOLLY & CAPARICA'S RIDE

Carlos Diez
A tempestade Dolly apresta-se a varrer turistas dos resorts mexicanos. Entre eles, os de Cancun; os tais dos pacotes comprados em suaves prestações. Os mesmos que alojam portugueses aos molhos e fé nos ícones Astecas – o Deus católico, que os portugueses enformou, pode ter faces e nomes que o ecumenismo abrangeu. E há quem se endivide para inscrever destinos tidos como exóticos no carnet das viagens de sonho. Na insanidade consumista, há vestígios de pragmatismo: antes Cancun do que viagem em suite cimeira a bordo do Queen Elizabeth 2 da Cunard. Esta opção é que seria a desgraça completa e faria pular os 24% do actual endividamento per capita.
Quem pretender, a baixo custo, experimentar inferno graus abaixo da Dolly não precisa de lonjuras - basta praia de fim de semana na Costa da Caparica. Fui uma vez, neste ano da graça de 2008, num dia de utilidade oficial e, ainda sim, sei da tormenta infligida a uma incauta criatura. Pelo que vi, configuro o temperamento irascível da Dolly que passeia susto e ameaça devastação pela costa oeste das Américas. Caparica’s ride para mim chegou.
Acusem-me de snobe, rígida, preconceituosa. De Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Vale de Lobo não prescindo. A Norte, tenho neblina que, preguiçosa, pelo meio do dia se alevanta. Existe maresia e mar batido que, deliciosamente, sova o corpo. A Sul, há a mansidão dos pinheiros, o mar que lhes recorta a curvatura das copas, minutos medidos por passos até à praia, ausência de gentes que a beira-mar atafulhem, o café tomado na esplanada vazia em pleno Agosto.
Os peregrinos-a-crédito de Cancun que me perdoem, mas o que vão lá fazer? Dívida por dívida que a deixem onde suam o pagamento dos impostos.
Publicado por Teresa C. às julho 22, 2008 07:45 AM