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julho 21, 2008

EM BICOS DE PÉS E ENRASCADOS COMO SEMPRE

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Pierre-Narcisse Guerin

O Hermitage deu o dito por não dito e desistiu do pólo permanente em Portugal. Lutámos com armas desiguais, foi o que foi. Empatámos milhão e meio de euros com o ensaio no Palácio da Ajuda, tentámos exibir rigor, usámos falinhas mansas, diplomacia de bastidores e cautelas que aos russos pareceram maçadas e sarilhos incompetentes. Ora, para eles burocracia é coisa séria. Vê-la aviltada às três pancadas, sem rublos, euros, dólares – afinal, a Guerra Fria já lá vai há tanto tempo! – enrolados na mão que apertam, é ofensa.

Consequências: o Museu Soares dos Reis, no Porto, fica a chuchar no dedo, e regresso da exposição a Lisboa nem vê-lo! O Piotroyski, mão-de-ferro do Hermitage, é duro e cortante como calhau de gelo solidificado com vodka.

Vantagens: a Galeria D. Luís I, na Ajuda, sofreu obras de requalificação no valor de 850 mil euros, ordenadas pela ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, minha estimada parceira de ginásio.

O actual ministro da referida pasta remete a culpa para os russos. Eles devolvem-lha numa só tacada: “"Normalmente cumprimos os nossos acordos. Se o Governo português quiser, fazemos a exposição. Estamos prontos. Mas, para fazer uma exposição, é preciso mais do que dizer coisas. Há procedimentos a tomar. [Neste momento] temos apenas um acordo geral. São precisos acordos específicos.”

De duas, uma: ou os russos mudaram muito, ou teimamos em atavismos que deviam ter finado. Para mim, digo: em bicos-de-pés, somos os enrascados de sempre.

CAFÉ DA MANHÃ

“O Terror de «Quinar»” – “Morremos por tudo e por nada. “Morro de fome”, de sede, de cansaço, de sono, de vontade, de tédio, de calor, de frio, de dor-de-cabeça e (...)”

Mauro Castro, às segundas, é o meu parceiro de escrita

Publicado por Teresa C. às julho 21, 2008 09:06 AM