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julho 16, 2008

NA FLORESTA DO FEMININO CANSADO

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Jack Vettriano

Desmente a insofismável verdade da lista do MSN ser mais extensa do que rol de compras para o mês. Exclusivamente composta por mulheres. Com desgosto na voz, amiúde, refere ausência de amigos-homens. Por isso, se abastece de «amigas» nos mercados comuns. Estrangeiras, nacionais emigradas ou carregando a vida por cá. Insinua doçuras e concretização de fantasias. Elas caiem como moscas no mel. E ele leva até ao fim ménage a trois que tivesse segredado como possível e interrompa o tédio das queixosas. Arranja boçais que as tomem num motel; ele como caridoso voyeur. No após, degusta a sobremesa que a mulher serve nua.

Desflorado por uma prostituta a mais de meio da adolescência, fez carreira profissional brilhante a par doutra: mulherengo polido. Respeitoso. A nada obriga nenhuma. Justifica-se, reclamando o infinito amor pelos humanos que almeja entender. Concretiza-o por via das mulheres que manipula até atingirem a condição de bichos-fêmeas. Escapa-lhe a contradição entre o enamoramento que apregoa e reduzir mulheres a irracionais.

Quando desfia os picarescos das estórias, ri. Ouvinte mulher, que lhe conheça o profundo e são substracto, contém a revolta e permite-lhe verter o cálice. Pelas vítimas-protagonistas, nela remanesce tristeza e lágrimas cuja razão ele indaga e considera «não dar lé com cré». Acrescenta: “têm consciência do dito e feito. Apenas torno reais os sonhos de muitas vidas.” E torna. É um Robin dos Bosques na floresta do feminino cansado.

CAFÉ DA MANHÃ


A ler: Paula Capaz e António Costa Santos.

Publicado por Teresa C. às julho 16, 2008 07:46 AM